Economia

Estudo mostra que indústria perde participação no PIB dos principais países latino-americanos

Segundo o estudo Desempenho da Cadeia de Valor Metalmecânica Latino-Americana, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a participação da indústria manufatureira do Brasil em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 foi 15,8%, percentual igual ao de 2009, mas infer

Agência Brasil
13/09/2011 09:30
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A indústria vem perdendo participação na economia brasileira e, também, nos principais países da América Latina. Segundo o estudo Desempenho da Cadeia de Valor Metalmecânica Latino-Americana, da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a participação da indústria manufatureira do Brasil em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2010 foi 15,8%, percentual igual ao de 2009, mas inferior aos 19,2% registrados em 2004.

O mesmo fenômeno vem ocorrendo, segundo conclusão do estudo, em países como a Argentina, Colômbia e México. A participação da indústria mexicana no PIB caiu 3 pontos percentuais entre 2000 e 2010 (de 20% para 17%). “A desindustrialização é uma realidade que passa pela perda da competitividade seja pelo câmbio, tributação, assimetria competitiva ou pela guerra comercial com a China, principalmente”, disse o presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil, André Johannpeter.

Para Johannpeter, cuja família é a principal acionista do Grupo Gerdau, se o governo não pode promover mudanças na política de câmbio, que se encontra desfavorável às exportações por causa da valorização do real, pode atuar em outras frentes. “Se o câmbio vai ser esse e a dificuldade para competir vai ser essa, há outras áreas que podem ser mexidas, como a tributária, o custo de energia, que é o terceiro mais caro do mundo, os encargos trabalhistas e a competição desleal”, disse ele.

Em 2005, Argentina, Brasil, Colômbia e México exportaram cerca de US$ 1 bilhão para a China em produtos metalmecânicos e importaram US$ 18,3 bilhões. Em 2010, o valor das exportações praticamente dobrou. No entanto, as importações saltaram para US$ 59,5 bilhões, elevando o déficit na balança comercial de US$ 17,3 bilhões em 2005 para US$ 57,5 bilhões no ano passado.

“Exportamos cada vez mais produtos primários [para a China] e recebemos cada vez mais produtos manufaturados, o que significa que a geração de emprego e o valor adicionado estão na China”, disse Germano Mendes de Paula, do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia (MG), que apresentou o estudo.

Quase 63% do que é exportado pela China para o Brasil são produtos metalmecânicos, enquanto o Brasil exporta apenas 2,5% em produtos da cadeia de metalmecânica. O estudo também confirma a queda da participação dos manufaturados na pauta de exportações. Em 2005, os produtos manufaturados respondiam por 55% das exportações. No ano passado, o percentual caiu para 39%.

O presidente executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, disse que é uma "urgência monumental" o controle do processo de desindustrialização no país. “A grande prioridade, hoje, é a defesa comercial e ela precisa ser exercida com toda plenitude para proteger o que há de mais importante, que é o mercado interno”. Como exemplo do problema, Lopes disse que os estádios brasileiros em construção ou reforma para a Copa de 2014 estão usando aço importado de Portugal.
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