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Energia

Estudo mostra benefício da complementaridade entre as fontes eólica e hidroelétrica

25/05/2012 | 10h45
A possibilidade de troca de energia entre as fontes hidroelétrica e eólica está sendo estudada no Brasil. A Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) realizou um estudo de mitigação de riscos financeiros para a geração eólica, utilizando o Mecanismo de Realocação de Energia (MRE) hidroeólico, cujo objetivo é promover maior atuação da fonte eólica no Mercado Livre de Energia. O estudo técnico foi apresentado na quinta-feira (24) durante a realização do Seminário sobre Mercado Livre, organizado pela instituição.

O MRE hidroeólico foi concebido observando-se dois aspectos principais: a complementaridade entre as chuvas e os ventos e o existente modelo MRE utilizado para usinas hidrelétricas. No modelo hidráulico, quando há períodos de diminuição ou ausência de chuvas em determinada região do Brasil, os reservatórios podem ficar com baixo armazenamento, enquanto que outra região pode apresentar um nível elevado em seus reservatórios. Nesses casos, a geração de energia elétrica dessas usinas pode ser cedida para auxiliar no cumprimento do contrato das usinas com baixa geração no período.

De acordo com a presidente executiva da ABEEólica, Elbia Melo, a instituição realizou um estudo técnico para um MRE hidroeólico, com o objetivo de avaliar a complementaridade entre as fontes para geração de energia elétrica e identificar a oportunidade de implementação de um mecanismo de mitigação de riscos climatológicos.

“Como o Brasil tem a predominância de geração de energia elétrica a partir da hidroeletricidade, realizamos um trabalho de simulação do novo MRE. Se no momento em que existir vento, as chuvas estiverem com baixa intensidade e vice-versa, um mecanismo de troca de energia entre as fontes é pertinente e eficiente para a o sistema elétrico”, destaca Elbia.

A simulação do MRE hidroeólico exigiu a definição de cenários de operação futuros e, portanto, a utilização de séries climatológicas hidráulicas e eólicas consistentes entre si, capazes de preservar a inter-relação climatológica. Também foram considerados um levantamento de séries históricas do PSD/NOAA para cada região (quadrículas Nordeste e Sudeste), simulando parques eólicos equivalentes de energia eólica, e a existência dos parques eólicos já contratados em leilões, assumindo uma curva de produtibilidade típica de acordo com o total instalado e as séries de velocidades de ventos disponíveis.

Após as simulações foi possível notar o benefício da inserção da fonte eólica no MRE juntamente com as hidroelétricas. Nos períodos críticos, 2001 para hidráulicas e 2009 para eolicas, é possível observar bons resultados.

“O estudo técnico aponta que, um cenário de escassez, associado ao racionamento, teria sido amenizado pela energia eólica. Ao mesmo tempo, o cenário de escassez eólica teria sido abrandado por energia secundária hidroelétrica, beneficiando o sistema”, ressalta Elbia.

A presidente executiva destaca que vem apresentando os estudos para as principais instituições do setor e para grupos técnicos, como MME, EPE,  ANEEL, CCEE, ABIAPE, APINE e BNDES. O objetivo é propiciar discussões técnicas para em seguida apresentar uma proposta ao Ministério de Minas e Energia.


Fonte: Redação
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