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Especialistas temem que petróleo controle economia nacional

04/11/2010 | 10h02
A ênfase dada pela presidente eleita Dilma Rousseff à construção de refinarias para o petróleo do pré-sal foi criticada por especialistas do setor. Em entrevista coletiva, Dilma afirmou que as "refinarias são cruciais para o pré-sal, porque nós não podemos ser exportadores de óleo bruto".


Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), questiona a necessidade de construir tantas refinarias no País neste momento, e aponta para o risco de "venezuelização" do País, com concentração excessiva da economia brasileira na cadeia do petróleo. "Podemos acabar com capacidade ociosa, porque não sabemos ao certo quando é que teremos volumes significativos de petróleo no pré-sal", diz Pires.


Segundo ele, as refinarias sendo construídas no Maranhão, Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte vão dobrar a capacidade de refino, de 2 milhões de metros cúbicos por dia para quase 4 milhões. "Mas só teremos quantidade significativa de petróleo do pré-sal no fim do governo Dilma." Para ele, seria mais barato e eficiente reequipar as refinarias existentes para que haja menor necessidade de importação de diesel.


Dilma argumentou que é preciso abrir refinarias para que se aumente a margem de lucro, produzindo derivados do petróleo, de maior valor agregado. "Nós precisamos ter duas refinarias não por uma mania de grandeza, como algumas vezes a oposição falou da Petrobrás, mas por uma estratégia. Porque, quando se refina, isso permite entrar numa área delicadíssima, a petroquímica, em que o ganho é acima de 1.000%."


Pires discorda. "A margem de lucro no refino será muito baixa para a Petrobrás." Ele diz também que o excesso de refino pode prejudicar o etanol, combustível limpo, porque quando o mercado externo estiver em baixa, a Petrobrás vai inundar o mercado interno com gasolina, prejudicando a venda de etanol. "Ao dominar toda a cadeia do petróleo e nos focarmos nisso, vamos ver a "venezuelização" do País", diz.


Raul Velloso, especialista em finanças públicas, fez reparos às declarações de Dilma sobre redução da dívida. Dilma afirmou que a relação dívida-PIB pode cair para 38% no fim de seu mandato, e que os juros vão convergir para taxas internacionais, em cerca de 2%. "Não se pode falar em redução de juros sem explicar o que vai fazer com o gasto público", disse Velloso. "Por enquanto, ela só falou de aumento de salário mínimo, que pressiona as despesas públicas; sem corte de gastos, é impossível reduzir os juros."


Fonte: Estadão
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