Relatório

Escassez de petróleo pode colocar em risco crescimento mundial, diz FMI

Uma maior escassez de petróleo pode colocar em risco a economia global, diz um documento divulgado nesta quinta-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional). Apesar de afirmar que um aumento "gradual e moderado" da escassez de petróleo teria um impacto pequeno no crescimento econômico mundial

Redação/ Agências
07/04/2011 15:14
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Uma maior escassez de petróleo pode colocar em risco a economia global, diz um documento divulgado nesta quinta-feira pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).


Apesar de afirmar que um aumento "gradual e moderado" da escassez de petróleo teria um impacto pequeno no crescimento econômico mundial no médio prazo, o FMI alerta que "persistem os riscos" de que a escassez seja mais significativa, assim como seu impacto na economia global.


"Seria prematuro concluir que a escassez de petróleo será inevitavelmente uma limitação forte para o crescimento mundial", diz um capítulo do relatório World Economic Outlook ("Perspectiva da Economia Mundial", em tradução livre), antecipado pelo Fundo. O relatório completo será lançado na próxima semana, durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.


Uma simulação analisada pelo FMI mostra que "uma desaceleração significativa e inesperada" no crescimento da oferta de petróleo equivalente a 1 ponto percentual reduziria o crescimento mundial anual em menos 0,25% no médio e no longo prazo.


"No entanto, esse efeito leve no crescimento global não deve ser considerado garantido, já que a escassez ou seu impacto no crescimento podem ser mais significativos", diz o texto.

 
Riscos


Segundo o FMI, a maior escassez de petróleo é evidenciada por uma tendência de aumento nos preços e é resultado do rápido aumento da demanda em economias emergentes ao mesmo tempo em que há redução no crescimento da oferta.


Além dos fatores apontados pelo FMI, o mercado internacional de petróleo vem também registrando altos preços por conta de crises internas em diversos países produtores no Oriente Médio e no norte da África.


"Existem riscos para a oferta, entre outros, de origem geopolítica, que implicam que a escassez de petróleo poderia ser mais grave e manifestar-se em variações fortes e abruptas", diz o documento. Caso isso ocorra, "os efeitos no crescimento seriam proporcionalmente maiores", dependendo de seu impacto na produtividade.


"Um choque negativo persistente na oferta de petróleo implicaria uma escalada dos fluxos internacionais de capital e uma ampliação dos desequilíbrios em conta corrente", diz o documento.


Para reduzir o impacto, o Fundo sugere que as autoridades revisem se seus marcos de política econômica vigentes permitiram adaptação fácil a um eventual aumento "forte e imprevisto" da escassez de petróleo.


Também afirma que as autoridades deveriam avaliar políticas que reduzam o risco de escassez, "entre elas o desenvolvimento de fontes alternativas e sustentáveis de energia".


Estados Unidos


Em outro capítulo do relatório sobre a economia global divulgado nesta quinta-feira, o FMI alerta que o "endurecimento" da política monetária americana representa um "efeito negativo adicional" em termos de fluxos de capital para economias com exposição financeira direta aos Estados Unidos.

"E esse efeito é proporcional à magnitude da exposição", diz o documento. "É mais forte quando a alta da taxa de juros dos Estados Unidos é imprevista e as condições mundiais de financiamento são favoráveis."


A exposição financeira direta aos Estados Unidos é medida segundo a proporção de ativos e passivos americanos dentro do total e ativos e passivos externos de determinada economia. De acordo com o FMI, o efeito negativo adicional é menor em economias emergentes que têm mercados financeiros domésticos relativamente profundos e crescimento vigoroso.


Desde o ano passado, muitas economias emergentes, entre elas a do Brasil, enfrentam problemas devido ao fluxo excessivo de capital estrangeiro. Segundo o FMI, os fluxos de capital para mercados emergentes se recuperaram em um prazo "surpreendentemente" curto depois da crise mundial, a partir de 2009, não tanto pelo seu nível, mas principalmente pelo ritmo.


No caso do Brasil, o governo já adotou várias medidas para tentar conter esse fluxo excessivo, que acaba valorizando o real frente ao dólar e prejudicando o desempenho das exportações brasileiras.


No entanto, em outro documento divulgado nesta semana, o FMI afirmou que as medidas adotadas pelo governo brasileiro para conter os fluxos de capitais, como as relacionadas ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), não tiveram efeito de longo prazo sobre a taxa de câmbio, e que o real está "sobrevalorizado".


Reunião de primavera


O controle de capitais deverá ser um dos principais temas discutido na próxima semana pelos ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais dos países do G-20 (grupo das principais economias avançadas e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) que estarão em Washington durante a reunião de primavera do FMI e do Banco Mundial.


O documento divulgado nesta quinta-feira afirma que os fluxos de capital para as economias emergentes parecem mover-se de acordo com as condições globais de financiamento. "Aumentam drasticamente quando essas condições são favoráveis - ou seja, quando as taxas de juros e a aversão ao risco são baixas em nível mundial - e depois caem", diz o texto.


O FMI também afirma que os fluxos são temporariamente mais elevados nas economias emergentes quando seu crescimento é mais vigoroso do que o das economias avançadas. O Brasil e vários países emergentes registraram forte desempenho econômico logo após a crise, em contraste com o ritmo lento de recuperação nas economias avançadas.


Segundo o FMI, "a variabilidade dos fluxos de capital" provavelmente seguirá sendo "inevitável" tanto para economias emergentes quanto para avançadas. Com isso, diz o Fundo, as autoridades devem adotar medidas para evitar riscos ao crescimento econômico e à estabilidade financeira.
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