Energia Nuclear

Equipe do CCN desenvolve combustível com alta concentração de urânio

De acordo com a equipe do Centro do Combustível Nuclear (CCN), o novo combustível equipara-se ao que está sendo produzido e utilizado mundialmente. O projeto contou com aporte financeiro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que investiu cerca de US$ 150 mil.

Redação/ Agência
10/04/2012 14:30
Visualizações: 888
A equipe do Centro do Combustível Nuclear (CCN), do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), informou que desenvolveu um combustível com alta concentração de urânio, equiparando-se ao que está sendo produzido e utilizado mundialmente. O novo combustível será utilizado no Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), novo reator nuclear de pesquisas do país a ser instalado em Iperó, no interior paulista.

O projeto contou com aporte financeiro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que investiu cerca de US$ 150 mil. O combustível desenvolvido incorpora 4,8 gramas de urânio por centímetro cúbico, o limite atual para a tecnologia de dispersão à base de siliceto de urânio.
 
Para testar e qualificar o combustível, os pesquisadores desenvolveram miniplacas combustíveis, que começaram a ser irradiadas em junho de 2011 no reator nuclear de pesquisas IEA-R1, no Ipen. Um dispositivo especialmente desenvolvido pelo Centro de Engenharia Nuclear (CEN) do instituto permite a irradiação de tais placas, cujo projeto contou com apoio da Fapesp.

Os pesquisadores pretendem observar o comportamento do combustível sob irradiação. Assim, especialistas de ambos os centros acompanharão pelos próximos anos as miniplacas sendo irradiadas, por meio de inspeções visuais e medidas de espessura. Uma câmera subaquática auxilia essas inspeções. 

Ao CEN coube desenvolver o projeto e todas as especificações técnicas das miniplacas. Para qualificar o dispositivo de irradiação, foram realizados cálculos neutrônicos, termo-hidráulicos e de segurança.

Michelangelo Durazzo, gerente de pesquisa e desenvolvimento do CCN, explica que o projeto data do início dos anos 2000, mesmo antes do RMB. É o CCN que fabrica os elementos combustíveis para o reator nuclear de pesquisas IEA-R1, importante no fornecimento de radioisótopos para pesquisa, uso em medicina nuclear e diversas outras finalidades.

De acordo com Elita Urano, gerente do CCN, os maiores desafios dizem respeito à gestão de pessoal e de recursos financeiros, garantindo o fluxo contínuo de capital. 

A fabricação de combustível exige o seguimento de inúmeras normas e exigências regulatórias. O centro de pesquisas vem se preparando na montagem de uma fábrica de combustível. A primeira carga de combustível do RMB e as cargas subseqüentes serão fabricadas pelo grupo que alia competência técnica, experiência e muita seriedade no trabalho, para cumprir todas as exigências em termos de qualidade e segurança, com respeito ao meio ambiente, enfatiza a pesquisadora. 

O projeto rendeu uma dissertação de mestrado do pesquisador José Antonio de Souza, do CCN, orientada por Durazzo, relacionada à fabricação das miniplacas, pesquisa financiada por projeto Fapesp, de 2008 a 2010. Outro trabalho de doutorado sobre a qualificação de combustíveis com alta concentração de urânio foi desenvolvido por José Eduardo Rosa da Silva e orientado por Antonio Teixeira e Silva. No estudo foi proposta a irradiação no IEA-R1 das miniplacas e o acompanhamento periódico das condições gerais do combustível por meio de técnicas não destrutivas. Também foi desenvolvida infraestrutura para caracterização dimensional das miniplacas, de forma a avaliar o combustível ao longo do período de irradiação. 

O CCN conta ainda com o apoio de vários projetos da Finep para adequação de unidade fabril para produção de elementos combustíveis, tratamento de efluentes, caracterização do combustível e desenvolvimento de novos combustíveis - que totalizam R$ 3,9 milhões pelos próximos dois anos.

Mesmo capazes de fabricar elementos combustíveis à base de siliceto de urânio, os mais avançados comercialmente, o grupo se dedica desde 2002 ao domínio da tecnologia de fabricação do combustível à base da liga urânio molibdênio, alvo na mira dos maiores fabricantes do mercado mundial.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Espírito Santo
Indústria de Petróleo e Gás no ES deve investir mais de ...
15/04/26
Investimentos
SEAP: Bacia Sergipe-Alagoas irá receber dois FPSOs
14/04/26
Petrobras
US$450 milhões serão investidos no maior projeto de moni...
14/04/26
Combustíveis
Etanol gera economia superior a R$ 2,5 bilhões em março ...
14/04/26
Espírito Santo
Próximo pico da produção de petróleo no ES será em 2027
14/04/26
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23