Energia Nuclear

Equipe do CCN desenvolve combustível com alta concentração de urânio

De acordo com a equipe do Centro do Combustível Nuclear (CCN), o novo combustível equipara-se ao que está sendo produzido e utilizado mundialmente. O projeto contou com aporte financeiro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que investiu cerca de US$ 150 mil.

Redação/ Agência
10/04/2012 14:30
Visualizações: 886
A equipe do Centro do Combustível Nuclear (CCN), do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), informou que desenvolveu um combustível com alta concentração de urânio, equiparando-se ao que está sendo produzido e utilizado mundialmente. O novo combustível será utilizado no Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), novo reator nuclear de pesquisas do país a ser instalado em Iperó, no interior paulista.

O projeto contou com aporte financeiro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que investiu cerca de US$ 150 mil. O combustível desenvolvido incorpora 4,8 gramas de urânio por centímetro cúbico, o limite atual para a tecnologia de dispersão à base de siliceto de urânio.
 
Para testar e qualificar o combustível, os pesquisadores desenvolveram miniplacas combustíveis, que começaram a ser irradiadas em junho de 2011 no reator nuclear de pesquisas IEA-R1, no Ipen. Um dispositivo especialmente desenvolvido pelo Centro de Engenharia Nuclear (CEN) do instituto permite a irradiação de tais placas, cujo projeto contou com apoio da Fapesp.

Os pesquisadores pretendem observar o comportamento do combustível sob irradiação. Assim, especialistas de ambos os centros acompanharão pelos próximos anos as miniplacas sendo irradiadas, por meio de inspeções visuais e medidas de espessura. Uma câmera subaquática auxilia essas inspeções. 

Ao CEN coube desenvolver o projeto e todas as especificações técnicas das miniplacas. Para qualificar o dispositivo de irradiação, foram realizados cálculos neutrônicos, termo-hidráulicos e de segurança.

Michelangelo Durazzo, gerente de pesquisa e desenvolvimento do CCN, explica que o projeto data do início dos anos 2000, mesmo antes do RMB. É o CCN que fabrica os elementos combustíveis para o reator nuclear de pesquisas IEA-R1, importante no fornecimento de radioisótopos para pesquisa, uso em medicina nuclear e diversas outras finalidades.

De acordo com Elita Urano, gerente do CCN, os maiores desafios dizem respeito à gestão de pessoal e de recursos financeiros, garantindo o fluxo contínuo de capital. 

A fabricação de combustível exige o seguimento de inúmeras normas e exigências regulatórias. O centro de pesquisas vem se preparando na montagem de uma fábrica de combustível. A primeira carga de combustível do RMB e as cargas subseqüentes serão fabricadas pelo grupo que alia competência técnica, experiência e muita seriedade no trabalho, para cumprir todas as exigências em termos de qualidade e segurança, com respeito ao meio ambiente, enfatiza a pesquisadora. 

O projeto rendeu uma dissertação de mestrado do pesquisador José Antonio de Souza, do CCN, orientada por Durazzo, relacionada à fabricação das miniplacas, pesquisa financiada por projeto Fapesp, de 2008 a 2010. Outro trabalho de doutorado sobre a qualificação de combustíveis com alta concentração de urânio foi desenvolvido por José Eduardo Rosa da Silva e orientado por Antonio Teixeira e Silva. No estudo foi proposta a irradiação no IEA-R1 das miniplacas e o acompanhamento periódico das condições gerais do combustível por meio de técnicas não destrutivas. Também foi desenvolvida infraestrutura para caracterização dimensional das miniplacas, de forma a avaliar o combustível ao longo do período de irradiação. 

O CCN conta ainda com o apoio de vários projetos da Finep para adequação de unidade fabril para produção de elementos combustíveis, tratamento de efluentes, caracterização do combustível e desenvolvimento de novos combustíveis - que totalizam R$ 3,9 milhões pelos próximos dois anos.

Mesmo capazes de fabricar elementos combustíveis à base de siliceto de urânio, os mais avançados comercialmente, o grupo se dedica desde 2002 ao domínio da tecnologia de fabricação do combustível à base da liga urânio molibdênio, alvo na mira dos maiores fabricantes do mercado mundial.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
04/05/26
Pré-Sal
PPSA encerra 2025 com lucro líquido de R$ 30,1 milhões
04/05/26
Resultado
Com 5,531 milhões boe/d, Brasil segue com produção recor...
04/05/26
Sustentabilidade
Ipiranga lança Relatório de Sustentabilidade 2025 com av...
02/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
02/05/26
Combustíveis
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Mon...
30/04/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
Etanol
E32 impulsiona etanol e reforça liderança do Brasil em b...
30/04/26
Meio Ambiente
Brasil aparece entre maiores emissores de metano em ater...
30/04/26
Oferta Permanente
Audiência pública debate inclusão de novos blocos no edi...
30/04/26
Exportações
Setor de óleo e gás e parlamentares discutem Imposto de ...
29/04/26
Evento
PortosRio participa do Rio de Janeiro Export 2026 e dest...
29/04/26
Royalties
Valores referentes à produção de fevereiro para contrato...
29/04/26
Resultado
Foresea registra melhor ano de sua história e consolida ...
29/04/26
Internacional
OTC Houston: ANP participa de painéis e realiza evento c...
29/04/26
Apoio Offshore
Wilson Sons revoluciona logística offshore com entrega p...
29/04/26
Internacional
PPSA e ANP promovem evento em Houston para apresentar o...
28/04/26
Segurança no Trabalho
Gasmig bate recorde de 1300 dias sem acidentes do trabalho
28/04/26
Workshop
ANP realiza workshop sobre proposta de novo modelo de li...
28/04/26
GLP
Subvenção ao GLP: ANP publica roteiro com orientações ao...
27/04/26
Diesel
Subvenção ao óleo diesel: ANP altera cálculo do preço de...
27/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23