Pesquisa

Empresas alemãs têm intenção de investir mais no Brasil

Pesquisa da Câmara Brasil - Alemanha feita no terceiro trimestre com os associados mostra que os executivos alemães confiam na melhora do cenário econômico no curto prazo. De acordo com a sondagem, 77% dos entrevistados afirmam ter projetos concretos de investimentos no Bra

Valor Econômico
26/11/2012 08:38
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Pesquisa de clima feita pela Câmara Brasil-Alemanha (AHK-São Paulo) no terceiro trimestre revela que o empresariado alemão está recuperando o otimismo em relação ao cenário econômico. De acordo com a sondagem, 77,7% dos associados da Câmara (1.200 no total, empresas que representam aproximadamente 10% do PIB industrial brasileiro) afirmam possuir planos concretos de investimento. O montante é 11 pontos percentuais superior no comparativo com o trimestre anterior. E a decisão de investir aparentemente é motivada por fatores como: melhores expectativas para o consumo e maior demanda proveniente dos setores de infraestrutura e energia. 

 

A sondagem que identificou maior intenção de investir coincidiu com uma série de anúncios de empresas alemãs para o território brasileiro. Destaque para o anúncio da primeira fábrica da BMW no Brasil, a ser construída em Santa Catarina; a 14º fábrica da Siemens no Brasil; três novas fábricas da Evonik no País; as confirmações de aportes anteriormente anunciados por Bayer CropScience e Volkswagen ainda para 2012; aportes não detalhados da Freudenberg-NOK para duplicar a produção de uma planta de soluções de vedação em Diadema; aportes de aproximadamente R$ 8 milhões da ACE Schmersal em fábricas locais, entre outros. 

 

“Há sinais claros de recuperação no horizonte, que justificam o maior otimismo. Temos verificado um intenso fluxo no segmento de máquinas e equipamentos, o que entendemos ser uma maior preocupação com a produção. Os estímulos ao consumo por meio da redução do IPI, dos cortes dos juros, aparentemente tem contribuído de alguma forma para a produção industrial. Além disso, no plano internacional, temos uma China mais focada em seu mercado interno, ao menos no segmento de bens de capital, o que representa maior demanda em outros mercados”, analisa Weber Porto, presidente da AHK-São Paulo. 

 

O dirigente lembra que o Brasil é um mercado da maior importância para muitas subsidiárias alemãs. Segundo a pesquisa, 64,7% das empresas pesquisadas pretendem efetivar aportes exclusivamente com recursos próprios, ou seja, fazer reinvestimentos. Além disso, 63,6% delas disseram ter intenção de contratar nos próximos seis meses, e as vagas serão dirigidas principalmente para setores de produção e de vendas. Outro dado relevante da pesquisa é a expectativa geral de crescimento, estimada para 7% em 2012, consideravelmente acima da previsão de crescimento do PIB. Os associados da Câmara Alemã também projetam crescimento de 8,8% para 2013, pelo menos neste momento que antecede o final do ano. 

 

Com relação aos indicadores econômicos, a pesquisa da Câmara Alemã chama a atenção para a preocupação das empresas com a atual taxa de câmbio, principalmente aquelas relativas ao mercado sul-americano, a partir do Brasil. 72,7% das empresas afirmaram que o câmbio deveria ser desvalorizado em pelo menos 14,8%. Sobre os juros, a percepção é que os percentuais definidos pelo Banco Central caminham em direção à “estabilização”, na opinião de 54,5% das empresas pesquisadas. Seguindo outras previsões, a aposta em relação ao PIB é que o País feche o ano com crescimento em 1,8%, na avaliação média dos entrevistados.

 

A pesquisa da Câmara Alemã também avaliou os principais gargalos à atividade empresarial segundo a percepção das empresas associadas. São eles: infraestrutura deficiente voltou a frequentar o círculo de preocupações de pelo menos 50% dos associados da entidade. Em seguida, vem a carência de mão de obra qualificada e possível restrições na demanda, preocupações citadas por 41% dos associados. O terceiro ponto de preocupação diz respeito à carga tributária e aos custos trabalhistas, mencionados por 36% dos entrevistados. Com relação ao governo Dilma Rousseff, a avaliação continua a oscilar entre satisfatório e bom. 


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