Indústria naval

Eisa acerta a construção de navios por US$ 217 milhões

Jornal do Commercio
10/01/2006 00:00
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O Estaleiro Ilha S/A (Eisa), instalado na Ilha do Governador, assinou protocolos com armadores estrangeiros para construção de um graneleiro e de um navio-draga gigante, que poderá ser o maior do mundo. As encomendas somam US$ 217 milhões e deverão gerar cerca de dois mil empregos diretos no Estado.

As negociações comerciais foram concluídas na semana passada, mas a assinatura definitiva dos contratos depende de acerto com o Instituto Brasileiro de Resseguros (IRB-Brasil), que fornecerá o seguro desempenho - performance bond - da construção das duas embarcações.

O contrato de construção do graneleiro, para o armador americano Gybsun, poderá ser fechado por US$ 67 milhões, prevendo a encomenda opcional de outro navio do mesmo modelo.

A embarcação teria 48 mil toneladas de porte bruto, com 197 metros comprimento e 32,2 metros de boca. A profundidade do casco seria de aproximadamente 12 metros. A unidade prevista é do tipo self-unloader, o que significa que contará com esteira para realizar o desembarque das cargas.

O navio-draga gigante seria construído para o armador belga Jan de Nul, líder no mercado internacional de dragagem. O contrato poderá ser fechado por US$ 150 milhões, montante que representa metade do custo total de construção da embarcação, que receberá da empresa belga outros US$ 150 milhões em equipamentos.

O estaleiro se responsabilizaria, portanto, exclusivamente pela construção da parte naval. A encomenda também prevê a construção de embarcação opcional.

O seguro desempenho estaria em processo avançado de finalização no IRB-Brasil para o Estaleiro Ilha (Eisa) construir os dois navios para o armador americano Gybsun, de acordo com Moacyr Guimarães Filho, vice-presidente da Marítima, controladora do Eisa e do Mauá-Jurong, de Niterói.

Guimarães disse que o seguro exigido pelos armadores foi baixo, o que permitiu enquadrar os projetos dentro do limite de US$ 50 milhões de resseguro do instituto.

"A construção da draga terá um seguro performance de 10% do total da obra, ou seja, de cerca de US$ 15 milhões. Já no caso do navio graneleiro, o seguro solicitado pelo armador foi de 20% do custo total das obras, o equivalente a cerca de US$ 14 milhões. São garantias mínimas, o que mostra a confiança em nossa indústria naval. Qual armador brasileiro teria coragem de investir com capital próprio?", indagou o vice-presidente da Marítima, empresa do Grupo Synergy, do empresário German Efromovich.

O seguro tem sido problema crônico para a indústria naval brasileira. O Eisa passou dois anos sem conseguir dar garantias para construir quatro navios para a Transpetro, empresa de transporte da Petrobras, encomendas contratadas em 2002 por US$ 244 milhões.

Sem recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a estatal acabou cancelando a licitação dos navios, os quatro primeiros do programa Navega Brasil.

Em 2004, o Eisa foi subcontratado pelo estaleiro italiano Rodriques para construir duas embarcações. O estaleiro italiano não conseguiu obter com bancos europeus o seguro para construir os navios no Brasil, levando ao cancelamento do contrato.

Segundo o vice-presidente da Marítima, com o seguro desempenho o Eisa poderia realizar o batimento de quilha em meados deste ano, processo que marca o início da construção das embarcações. As unidades poderiam ser construídas simultaneamente no estaleiro.

O fornecimento do motor do navio graneleiro - equipamento que pode levar até 24 meses para ser entregue no mercado internacional - já foi assinado com a empresa finlandesa Wärtsilä, com recursos do próprio estaleiro.

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