Estaleiro Atlântico Sul

EAS ajuda a criar polo naval em Pernambuco

A cerimônia que marca hoje oficialmente o fim das obras de construção do Estaleiro Atlântico Sul, no porto de Suape, tem um significado especial para Pernambuco. O potencial de demanda por produtos e serviços que surgiu desde o início da instalaç&atilde

Valor Econômico
11/09/2009 08:30
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A cerimônia que marca hoje oficialmente o fim das obras de construção do Estaleiro Atlântico Sul, no porto de Suape, tem um significado especial para Pernambuco. O potencial de demanda por produtos e serviços que surgiu desde o início da instalação do estaleiro, em 2007, atraiu uma série de fornecedores de peças e serviços, como fabricantes de móveis, tubos, calderarias, gases, tintas e equipamentos industriais, o que já resultou na formação de um polo naval na região.

Em um movimento em cadeia, a chegada da indústria de componentes navais está atraindo mais estaleiros a Pernambuco e até a outros Estados nordestinos. Ontem, o consórcio formado por Alusa e Galvão anunciou a construção de um estaleiro de US$ 500 milhões em Suape para a fabricação de unidades de perfuração offshore, barcos de apoio e módulos para plataformas.

As obras do Atlântico Sul ainda não acabaram, mas, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), Pernambuco já é o segundo Estado que mais emprega no setor, desbancando Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São 8.572 pessoas envolvidas com a fabricação de navios. A liderança é do Rio de Janeiro com 21,6 mil pessoas empregadas, ou 48% do total do setor.

"A indústria naval segue a lógica das montadoras de carro: um estaleiro dificilmente chega sozinho. Ele traz seus fornecedores", afirma Sidnei Aires, vice-presidente do porto de Suape.

Com o objetivo de transformar o porto em polo nacional de bens e serviços navais, o governo pernambucano tem divulgado esse potencial por diversos países. As características destacadas são: localização geográfica - de fácil acesso aos Estados Unidos, Europa e África -, a infraestrutura portuária e programa de incentivos fiscais específico para o setor naval.

São itens que atraíram os sócios da âncora do polo, o Atlântico Sul, e que agora atraem novos investidores, como a Alusa e a Galvão. "Pesquisamos diversos Estados, mas acabamos optando por Pernambuco por causa da infraestrutura", diz Guilherme Di Cavalcanti, diretor de desenvolvimento de novos negócios da Alusa. Ainda devem entrar neste projeto as coreanas Sungdong e Komar, além da holandesa SBM.

Atento aos benefícios fiscais, Alexandre Valença, empresário do setor metalúrgico, está construindo uma fábrica para decoração interna de navios, a Decoship. Em associação com a Deconav, de móveis navais do Rio de Janeiro, a companhia quer fazer da fiação elétrica aos banheiros dos Suezmax e Aframax que forem produzidos no Estado. "Os navios lidam com peças muito grandes. Não compensa trazer tudo de outros cantos. Fora que, ao produzir localmente, ganha-se mais pagando menos impostos", explica Valença.

Para a Codistil, fabricante de caldeiras industriais do grupo Dedini, o que mais tem pesado na decisão de instalar uma nova unidade em Pernambuco é a infraestrutura portuária. "Além de estar perto dos clientes, o que ajuda muito é poder exportar e importar facilmente pelo porto de Suape", diz Sérgio Leme, diretor da Codistil. Hoje, a empresa já tem uma fábrica em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Com a nova unidade, porém, os planos são de dobrar a produção em dois anos.

Obras de três outros fornecedores de insumos e serviços navais já foram iniciadas em Pernambuco: Alphatec, de tubulação; RIP (grupo ThyssenKrupp), de montagem industrial; e Fasal, de chapas de aço. Também visitaram o porto de Suape recentemente a fabricante japonesa de motores navais Daihatsu e a chinesa XCMG, que produz máquinas de construção.

O primeiro navio produzido em Pernambuco estará pronto em abril. Parte considerável dele ainda terá sido feita com itens importados. "Por causa da falta de oferta, importamos. Tudo correu sem problemas, mas, se houvesse insumos por perto, seria melhor", diz Angelo Belellis, presidente do Atlântico Sul.

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