Energia

Desgaste das térmicas começa a preocupar

Unidades estão operando no limite da capacidade.

Valor Econômico
17/02/2014 10:32
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Além de custar bilhões de reais ao Tesouro Nacional, o funcionamento prolongado das usinas térmicas também traz outro tipo de preocupação: não se sabe por quanto tempo mais essas unidades vão conseguir operar no limite de sua capacidade, sem apresentar falhas. As usinas térmicas deveriam servir como um apoio, uma segurança ao sistema elétrico nacional. Algumas foram projetadas para passar a maior parte do tempo paradas, por isso possuem um custo operacional elevado.
O Operador Nacional do Sistema (ONS) acionou neste mês todas as usinas térmicas do país devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Empresários disseram ao 'Valor' que o governo solicitou ainda que fossem adiadas eventuais manutenções das termelétricas. O objetivo é evitar o risco de novos apagões, sobretudo na região Sudeste, onde já existe um déficit na oferta. O ONS precisa transferir atualmente energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste para poder atender o consumo.
No entanto, o governo havia pedido para que as empresas fizessem a manutenção das usinas antes do início da Copa do Mundo, diz o executivo de uma comercializadora de energia. Agora, há dúvidas se haverá tempo hábil para isso, segundo ele.
Em e-mail enviado ao 'Valor', o Ministério de Minas e Energia (MME) respondeu que "as unidades geradoras terão suas manutenções alocadas em período anterior a Copa de 2014, observando-se a segurança eletroenergética do SIN (Sistema Interligado Nacional)".
Ao ser questionado se havia uma preocupação com possíveis falhas nas usinas, o MME afirmou que "todo equipamento possui uma taxa de indisponibilidade programada e intempestiva, porém essa informação é considerada no planejamento da operação, razão pela qual não causa nenhuma preocupação".
Mas, na avaliação de fontes do setor, o uso intenso dos equipamentos transformou-se em um fator de risco. Mas ainda é cedo para levar em consideração esse cenário, já que é possível que ocorram chuvas em níveis significativos no fim de fevereiro e início de março.
"É preciso aguardar", diz Alexei Vivan, do escritório de advocacia L.O. Baptista-SVMFA. Ele não vê, contudo, maiores problemas. "Daria para fazer a manutenção das usinas", afirma o executivo. Segundo ele, o sistema está de fato mais vulnerável, mas por outro motivo. Como ONS precisa transportar energia da região Norte para o Sudeste, incidentes nas linhas de transmissão podem causar blecautes, como o que ocorreu no dia 4 de fevereiro, quando treze Estados ficaram sem energia.
O ONS prevê a transferência de 2,8 mil MW médios do Norte para o Sudeste em fevereiro. Outros 600 MW médios virão do Nordeste.
Segundo Claudio Sales, do Instituto Acende, originalmente, as térmicas não foram concebidas para funcionar de forma contínua. "Mas não dá para dizer que elas vão pifar por causa disso", diz o executivo, ao ponderar que seria necessário fazer uma análise "cuidadosa". Mas é fato, segundo ele, que as usinas térmicas assumiram um papel para o qual elas não foram projetadas.
De acordo com Sales, as térmicas chegaram a responder por 17,6% do abastecimento de energia do país neste mês- com base nos dados do ONS. Esse percentual já é maior que o da usina de Itaipu, de onde veio 14% da energia consumida. Com a falta de linhas de transmissão na região Nordeste, as eólicas estão contribuindo com menos de 1% para o sistema.
Devido à grande dependência nas usinas térmicas, a rede elétrica opera hoje com uma sobra de energia pequena, em torno de 300 MW, diz um executivo. "É muito pouco. Isso representa um terço só do que a Vale consome. Essa reserva no sistema teria de ser 10 vezes maior", afirma.
Para esta semana, o ONS informou que prevê o despacho de 16 mil MW de energia térmica. O operador optou por ligar usinas que custam até R$ 1.777 por MWh na região Sudeste, valor superior ao que havia sido estabelecido para a semana anterior, de R$ 1.691 por MWh. Por esse preço, já seria melhor que o país cortasse o consumo de energia, afirma uma fonte.

Além de custar bilhões de reais ao Tesouro Nacional, o funcionamento prolongado das usinas térmicas também traz outro tipo de preocupação: não se sabe por quanto tempo mais essas unidades vão conseguir operar no limite de sua capacidade, sem apresentar falhas. As usinas térmicas deveriam servir como um apoio, uma segurança ao sistema elétrico nacional. Algumas foram projetadas para passar a maior parte do tempo paradas, por isso possuem um custo operacional elevado.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) acionou neste mês todas as usinas térmicas do país devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. Empresários disseram ao 'Valor' que o governo solicitou ainda que fossem adiadas eventuais manutenções das termelétricas. O objetivo é evitar o risco de novos apagões, sobretudo na região Sudeste, onde já existe um déficit na oferta. O ONS precisa transferir atualmente energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste para poder atender o consumo.

No entanto, o governo havia pedido para que as empresas fizessem a manutenção das usinas antes do início da Copa do Mundo, diz o executivo de uma comercializadora de energia. Agora, há dúvidas se haverá tempo hábil para isso, segundo ele.

Em e-mail enviado ao 'Valor', o Ministério de Minas e Energia (MME) respondeu que "as unidades geradoras terão suas manutenções alocadas em período anterior a Copa de 2014, observando-se a segurança eletroenergética do SIN (Sistema Interligado Nacional)".

Ao ser questionado se havia uma preocupação com possíveis falhas nas usinas, o MME afirmou que "todo equipamento possui uma taxa de indisponibilidade programada e intempestiva, porém essa informação é considerada no planejamento da operação, razão pela qual não causa nenhuma preocupação".

Mas, na avaliação de fontes do setor, o uso intenso dos equipamentos transformou-se em um fator de risco. Mas ainda é cedo para levar em consideração esse cenário, já que é possível que ocorram chuvas em níveis significativos no fim de fevereiro e início de março.

"É preciso aguardar", diz Alexei Vivan, do escritório de advocacia L.O. Baptista-SVMFA. Ele não vê, contudo, maiores problemas. "Daria para fazer a manutenção das usinas", afirma o executivo. Segundo ele, o sistema está de fato mais vulnerável, mas por outro motivo. Como ONS precisa transportar energia da região Norte para o Sudeste, incidentes nas linhas de transmissão podem causar blecautes, como o que ocorreu no dia 4 de fevereiro, quando treze Estados ficaram sem energia.

O ONS prevê a transferência de 2,8 mil MW médios do Norte para o Sudeste em fevereiro. Outros 600 MW médios virão do Nordeste.

Segundo Claudio Sales, do Instituto Acende, originalmente, as térmicas não foram concebidas para funcionar de forma contínua. "Mas não dá para dizer que elas vão pifar por causa disso", diz o executivo, ao ponderar que seria necessário fazer uma análise "cuidadosa". Mas é fato, segundo ele, que as usinas térmicas assumiram um papel para o qual elas não foram projetadas.

De acordo com Sales, as térmicas chegaram a responder por 17,6% do abastecimento de energia do país neste mês- com base nos dados do ONS. Esse percentual já é maior que o da usina de Itaipu, de onde veio 14% da energia consumida. Com a falta de linhas de transmissão na região Nordeste, as eólicas estão contribuindo com menos de 1% para o sistema.

Devido à grande dependência nas usinas térmicas, a rede elétrica opera hoje com uma sobra de energia pequena, em torno de 300 MW, diz um executivo. "É muito pouco. Isso representa um terço só do que a Vale consome. Essa reserva no sistema teria de ser 10 vezes maior", afirma.

Para esta semana, o ONS informou que prevê o despacho de 16 mil MW de energia térmica. O operador optou por ligar usinas que custam até R$ 1.777 por MWh na região Sudeste, valor superior ao que havia sido estabelecido para a semana anterior, de R$ 1.691 por MWh. Por esse preço, já seria melhor que o país cortasse o consumo de energia, afirma uma fonte.

 

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