Aço
<P>A Companhia Vale do Rio Doce e a empresa coreana Dongkuk Steel assinaram ontem, no Palácio do Planalto, memorando de entendimento para a construção da Companhia Siderúrgica Pecém, no Ceará. O projeto prevê investimentos de US$ 2 bilhões e uma produção inicial de 2,5 milhões de tonelada...
Jornal do Commercio/RJA Companhia Vale do Rio Doce e a empresa coreana Dongkuk Steel assinaram ontem, no Palácio do Planalto, memorando de entendimento para a construção da Companhia Siderúrgica Pecém, no Ceará. O projeto prevê investimentos de US$ 2 bilhões e uma produção inicial de 2,5 milhões de toneladas anuais de placas de aço, que pode se ser expandida para até 5 milhões de toneladas por ano.
Em discurso durante a solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que quer inaugurar o empreendimento antes do encerramento do seu mandato, em 31 de dezembro de 2010. O cronograma original prevê a inauguração da usina em 2011, mas o presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que há condições para que as operações se iniciem ainda em 2010, como quer Lula.
Agnelli explicou que, ao invés de gás natural, como especificava o projeto inicial, a usina utilizará carvão mineral. A mudança foi determinada pela falta de acordo em relação ao preço do gás natural, que seria fornecido pela Petrobras. Lula, no discurso, ao lado do presidente da Dongkuk, Saejoo Chang, brincou dizendo que nunca teve notícia nos últimos tempos de um parto tão difícil. O presidente, no entanto, evitou fazer qualquer ligação entre a mudança no projeto e as dificuldades no abastecimento de gás que o País está enfrentando.
Coube a Agnelli e ao governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), a fervorosa defesa do uso do carvão, que ambientalistas classificam como altamente poluente. Tivemos toda a preocupação com a questão ambiental e visitei unidades que utilizam carvão, disse o governador. Nesses lugares, você é capaz de lamber o chão, disse, provocando risos na platéia onde estavam quatro ministros, empresários do setor, e muitos parlamentares cearenses.
Agnelli também garantiu que serão tomados cuidados para reduzir a poluição. O cuidado com o meio ambiente foi total - 95% da água vão ser reciclados, 99,5% da poeira gerada no processo vão ser filtrados, prometeu. O carvão, que todo mundo acha que é poluente, vai ser usado como redutor, vai ser incorporado no processo da fabricação do aço e, então, o carbono é reduzido, o oxigênio é reduzido prá produzir e não tem emissão de CO2 e nem é poluente. Segundo Agnelli, esse projeto, adicionado a uma série de outros investimentos da Vale em parceria com outras empresas, trará um crescimento de 70% na produção siderúrgica brasileira.
O governador do Ceará, Cid Gomes, destacou que a nova siderúrgica vai permitir que as indústrias do setor metal mecânico sejam abastecidas com aço do próprio Ceará, que hoje é importador do insumo. Lula mostrou-se preocupado com a concorrência da China no setor siderúrgico. O Brasil não pode ficar olhando a China sair de (uma produção de) 30 para 450 milhões de toneladas de aço por ano e nós, que temos grandes reservas de minério, ficarmos, eternamente com 30 e poucas milhões de toneladas de aço produzido no Brasil, disse ele, em discurso de improviso.
Segundo Lula, o Brasil só será competitivo com países como a China quando tiver condições de produzir a mesma quantidade que a China está produzindo. E acrescentou: Enquanto o mundo estiver precisando de aço, nós temos de motivar o setor siderúrgico brasileiro a não ficar esperando que a China chegue a 600 milhões e a gente continue com 40 milhões.
cade - O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) realiza hoje, a partir das 10 horas, sessão de julgamentos de fusões de empresas. Um dos casos em pauta é a aquisição da mineradora canadense de níquel Inco pela Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). O negócio foi realizado em outubro de 2006, quando a Vale adquiriu 75,66% do capital da empresa canadense. Com a operação, a Vale tornou-se a segunda maior mineradora do mundo, atrás apenas da anglo-australiana BHP Billiton. A Inco era a segunda maior produtora de níquel do mundo e, com a fusão, a Vale diversificou ainda mais seus negócios e passou a produzir níquel, além de cobre, bauxita, potássio, alumina e alumínio e minério de ferro.
O Cade tem ainda, na pauta de hoje a venda do controle da cervejaria Kaiser pela multinacional canadense MolsonCoors para a mexicana Femsa, que passou a ter 68% das ações da Kaiser. A operação ocorreu no início deste ano. A holandesa Heineken, nesta operação, reduziu também seu percentual de participação na Kaiser.
Fonte: Jornal do Commercio/RJ
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