Segurança

Defesa do Porto e da Bacia de Santos custará US$ 620 milhões

A proteção do espaço aéreo do Porto e da Bacia de Santos demandarão investimentos de US$620 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão), segundo estudo do Exército Brasileiro. Os recursos serão necessários para a segurança de ter

A Tribuna - SP
21/10/2009 07:55
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A proteção do espaço aéreo do Porto e da Bacia de Santos demandarão investimentos de US$620 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão), segundo estudo do Exército Brasileiro. Os recursos serão necessários para a segurança de terminais e de plataformas, na hipótese de ataques por ar de nações interessadas nas recentes descobertas das reservas de petróleo e gás na camada pré-sal da região. A importância do investimento se dá porque, em uma eventual guerra pelo petróleo, comum entre países produtores e os que querem se apoderar do produto, o sistema logístico de transporte, no qual os portos estão incluídos, é um dos primeiros a serem atacados.

Na região, com as descobertas da Bacia de Santos (do litoral paulista até o capixaba), o cais santista torna-se um alvo. "Se quer paz, prepare-se para a guerra", afirmou o comandante da 1ª Brigada de Defesa Antiaérea, o general-de-brigada Nélson Santini Júnior, em referência a um provérbio romano, ontem, ao apresentar o estudo de defesa do Exército aos integrantes do Comitê de Logística do Porto de Santos.

"Santos não será a primeira a ser destruída. Tem de ser a primeira a ser defendida", disse o general-de-brigada. Segundo Santini Júnior, os US$ 620 milhões servirão para aparelhar as bases de proteção do Porto de Santos, da Refinaria Presidente Bernardes (Cubatão), das plataformas do pré-sal, dos terminais de petróleo de São Sebastião (no Litoral Norte) e, ainda, das indústrias do ABC paulista e do centro de energia nuclear de Aramar (Iperó/SP). No entorno do Porto, haverá seis unidades ­ em Santos, no bairro do Boqueirão, e em Guarujá, nas proximidades das fortalezas da Barra e dos Andradas, do Complexo Industrial e Naval de Guarujá (Cing), do Iate Clube de Santos e do Terminal de Contêineres (Tecon).

EQUIPAMENTOS

O estudo do Exército prevê a instalação de radares e baterias antiaéreas, com alcance de até 15 mil metros de altura. A área total a ser defendida é de 160 quilômetros quadrados. O projeto de investimentos aponta a necessidade de 12 baterias de defesa de baixa altura (com mísseis com alcance de até 3 mil metros). Há também a previsão de cinco baterias de média altura (até 15 mil metros). E, ainda, 36 radares Saber. Os recursos necessários representam apenas 0,4% dos US$ 250 bilhões do valor previsto para ser aplicado em toda a cadeia de petróleo e gás.

BUROCRACIA

O comandante da 1ª Brigada de Defesa Antiaérea encontrou apoio entre os membros do Comitê, que lotaram a apresentação. O oficial aproveitou o quórum e pediu ajuda para o convencimento das autoridades para a destinação dos recursos. "Se não fizerem esse investimento, éporque não teve vontade política para fazer. Se não querem, dá a benção e pede ajuda para Deus", alertou. Até a aprovação do investimento, há um extenso rito burocrático a ser cumprido. O primeiro passo é a aprovação do Congresso Nacional para a compra e, consequentemente, a realização de licitação para as aquisições.

Governo estuda unificar comando militar na região

O Governo Federal estuda a criação do Comando Unificado de Defesa da Baixada Santista, com a participação das três forças armadas. Se vingar, há chances de ser a primeira unidade com essas características fora de Brasília. Este projeto é ainda embrionário, afirmou o comandante da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, general-de-brigada Nelson Santini Júnior. Mas, segundo ele, é coisa para acontecer "em seis ou sete anos". A ideia é reunir sob um mesmo controle as representações locais da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, de forma similar à estrutura do Ministério daDefesa, porém regional. Dessa forma, esses órgãos teriam uma interação muito maior. Assim como ocorrerá no processo de aparelhamento do sistema de defesa aérea do Porto e da Bacia de Santos, a criação dessa coordenação militar na região terá um longo caminho burocrático, que começa com a aprovação do projeto no Congresso Nacional, afirmou o oficial. Por enquanto, a estrutura diferenciada pretendida para Santos só existe em Brasília.

CENTRAN

Outra iniciativa do Ministério da Defesa é a instalação, na Baixada Santista, de um escritório do Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (Centran), vinculado à pasta federal. O general previu que a medida também deve acontecer no próximo ano. A abertura de uma unidade do Centran na região vinha sendo solicitada reiteradas vezes pelo diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Santos, Ronaldo Souza Fortes, durante as reuniões do Comitê de Logística há pelo menos um ano. "O Centran, além de ser um órgão de planejamento de transporte, estuda a logística com enfoque na guerra, voltada para a mobilização, indo na direção do que precisamos para a defesa da nossa região", disse o representante das indústrias.

A Base Aérea de Santos, no Distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, poderá abrigar tanto as atividades de um aeroporto civil metropolitano como as de um militar, afirmou o general-de-brigada Nélson Santini Júnior, dando sua opinião pessoal sobre o assunto. Segundo ele, as equipes de proteção antiaérea da Baixada Santista precisarão de uma unidade do gênero para aeronaves.

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