Oriente Médio

Decepcionada com Iraque, Petrobras faz sísmica no Irã e disputa bloco na Líbia

Conformada com as dificuldades que se revelam cada vez maiores para entrar no Iraque e realizar o antigo sonho de voltar a operar naquele país, a diretoria Internacional da Petrobras já começou a trabalhar em alternativas de investimentos em exploração e produção na região do Golfo Pérsico


03/11/2004 00:00
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Conformada com as dificuldades que se revelam cada vez maiores para entrar no Iraque e realizar o antigo sonho de voltar a operar naquele país, a diretoria Internacional da Petrobras já começou a trabalhar em alternativas de investimentos em exploração e produção na região do Golfo Pérsico e do Norte da África. Além de iniciar já no próximo ano os levantamentos sísmicos para começar a explorar em 2006 o campo de Tusan, na porção iraniana do Golfo, a empresa deu início à participação na licitação exploratória promovida pelo governo da Líbia.
Caso a companhia avalie como positivas as condições do investimento no país situado no Norte da África, o gerente da Área Internacional da companhia, João Carlos de Araújo Figueira, afirma que entregará em maio uma proposta exploratória para o governo de Muamar Kadhafi. A empresa já operou no país entre as décadas de 1980 e 1990, ocasião em que não obteve sucesso. Mesmo assim, o executivo afirma que, passados mais de dez anos, o desenvolvimento tecnológico e as descobertas ocorridas na região produziram um novo cenário geológico, mais propício a novos investimentos.
Neste ano, além de arrematar o campo de Tusan, no Irã, a Petrobras também participou de uma licitação promovida pelo governo da Arábia Saudita, país que detém, atualmente, as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. Na ocasião, afirma Figueira, as condições geológicas do bloco pleiteado foram consideradas satisfatórias. O mesmo, no entanto, não se pode dizer das condições do contrato com o governo saudita, o que motivou a desistência da empresa.
Todos os investimentos na região, como mesmo admite Figueira, representam apenas um paliativo para mitigar um antigo desejo dos executivos da área Internacional da Petrobras: voltar a operar no Iraque, país onde a companhia chegou a descobrir petróleo em meados da década de 1980, no campo de Majnoon, até hoje não desenvolvido. Apesar do sonho antigo, Figueira revela que a atual conjuntura do país afasta qualquer possibilidade mais concreta de entrada da Petrobras.
De qualquer maneira, a empresa tem feito um monitoramento constante das condições do país, em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, para identificar brechas que permitam a entrada naquele país. O executivo justifica que, apesar de definir certas áreas do globo como prioritárias no Planejamento Estratégico, a companhia não abre mão de prospectar negócios em novas regiões e fronteiras exploratórias.

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