Manutenção

CSN vai parar alto-forno para reforma durante 30 dias

Valor Econômico
10/02/2009 02:55
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A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) vai parar seu alto-forno 2 para manutenção de parte do equipamento que está com o refratário muito sacrificado, segundo fontes próximas da empresa. Inicialmente, esta parada tinha sido programada para 15 de fevereiro, aproveitando a retração do mercado siderúrgico. Mas, a ligeira melhora nos negócios de minério e aço observada a partir de meados de janeiro levou a CSN a postergar a operação para o período de 15 de março a 15 de abril. O alto-forno 2 responde por 35% da capacidade instalada de aço bruto de 5,6 milhões de toneladas anuais da empresa. A CSN, procurada, não quis se pronunciar sobre o assunto.

 

No momento, a siderúrgica de Benjamin Steinbruch tem um estoque de aproximadamente 600 mil toneladas de aço, ante encomendas de cerca de 450 mil toneladas, avaliam as fontes. Isso lhe garante 150 mil toneladas para venda em caso de um aquecimento mais forte da demanda por aço neste período de manutenção.

 

Os empregados da CSN estão preocupados com a possibilidade de novas ondas de demissões por conta da suspensão do equipamento. O fato desta parada ser de apenas 30 dias ameniza um pouco esta expectativa ruim, já que uma manutenção total de um alto-forno leva de três a quatro meses ou até seis meses. De dezembro até ontem, a usina de Volta Redonda já tinha demitido quase 1 mil empregados. O número exato será divulgado após homologação das demissões pelo sindicato dos metalúrgicos da cidade. De dezembro até janeiro, 652 demissões foram homologadas.

 

O atual cenário, porém, pode ter alguma melhora, conforme expectativa da própria CSN. Ontem, o banco Credit Suisse divulgou relatório sobre minério de ferro onde destaca o sólido fluxo de boas notícias neste mercado nas últimas semanas, como um aumento no preço "spot" do minério fino chinês para US$ 101 a tonelada, ante valor anterior abaixo de US$ 84 e a continuidade do movimento de baixa dos estoques na China e o aumento dos fretes. Isso leva os analistas do banco a projetarem um reajuste de preço do minério para 2009 "entre zero e menos 9% para o minério fino brasileiro" e "menos 20% para o australiano (que em 2008 teve um reajuste acima do produto da Vale)" num cenário melhor que o atual. Esta é a projeção mais otimista divulgada até o momento.

 

Roger Downey, Ivan Fadel e Leonardo Correa, analistas do banco, esperam que o acordo das negociações de preço do minério para 2009 entre mineradoras e siderúrgicas - que segundo eles pode se arrastar por uns poucos meses - surpreenda as expectativas atuais do mercado, que apostam numa queda de preço entre 10% a 30%.

 

O mesmo relatório destaca também novidades positivas para o mercado de aço. Os analistas informam que os preços do laminado a quente para entregas em março, segundo dados do Steel Business Briefing, subiram US$ 30 a tonelada, estando hoje cotados em torno de US$ 625 a tonelada. Isso sugere que também a desestocagem de produtos siderúrgicos na China está perto do fim, o que deverá trazer os compradores de volta.

 

Os analistas do CS consideram que ainda é cedo para se falar numa total recuperação da demanda nos mercados de minério e metais, entretanto, percebem que "há uma melhora no sentimento do mercado", inclusive o de aço, como revela a notícia da alta do laminado a quente. Nas atuais circunstâncias, a situação para os países da OCDE mostra preocupação. A China, entretanto, deverá continuar se mantendo como o fiel da balança no futuro das commodities.

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