Operação Lava Jato

CPI: Augusto Mendonça abre a caixa-preta do 'Clube das Empreiteiras'

Agência Brasil
24/04/2015 10:25
CPI: Augusto Mendonça abre a caixa-preta do 'Clube das Empreiteiras' Imagem: Agência Brasil Visualizações: 695

O presidente da Setal Engenharia e conselheiro da Toyo Setal, Augusto Mendonça Neto, afirmou no dia 23 que havia uma lista limitada a 16 empresas que eram as únicas convidadas a participar de licitações para contratos com a Petrobras. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades na estatal, o empresário explicou que o “clube” se tornou um esquema efetivo com o envolvimento dos ex-diretores Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

"Mesmo antes da Lava Jato este grupo se desfez. Eram muitas empresas concorrentes entre si que poderiam ter alguma discussão no campo Petrobras. Não eram empresas amigas. Quando houve mudança da diretoria da Petrobras, com a saída de Costa e Duque, o grupo se desfez. Depois da Lava Jato acredito que as empresas nem conversam entre si. Nosso caso é assim", afirmou Mendonça Neto.

Ele ressaltou que nos anos 2000, “houve uma ampliação da participação das empresas”, especificamente quando teve início o programa de investimento na área de refino. “Lá para 2005 e 2006 o grupo ganhou efetividade, tinha mais condição de funcionar a partir do instante que houve uma combinação com diretores da Petrobras”, explicou. “Acredito que as companhias participavam muito mais por medo do que por vantagem”, completou o presidente da Setal Engenharia. Ele disse ainda que os diretores da estatal “mais dificultavam do que facilitavam” os processos de contratação.

Segundo Mendonça Neto, antes mesmo de Costa e Duque liderarem o esquema, já existia uma combinação entre alguns empresários que conseguiram sobreviver à crise econômica dos anos 1990. “O objetivo era criar uma forma de se protegerem. Vamos acertar que cada um fica com uma oportunidade, porém esta oportunidade não impedia que a empresa fosse competir com outro mercado. Não eram só seis empresas que forneciam para a Petrobras, eram dezenas.”

O empresário destacou que não participava do esquema até 2006 e afirmou que a comissão de licitação não sabia sobre o acordo. “Essa relação de corrupção das empresas que seriam convidadas já existia. Não posso dizer de que lado ele [o esquema] começou”, disse, acrescentando que nunca teve uma relação direta com Paulo Roberto Costa. “Minha relação com esse tema começou por meio do ex-deputado José Janene que me procurou exigindo o pagamento de uma comissão relacionada à Diretoria de Abastecimento”, disse.

Em defesa da estatal, Mendonça Neto confirmou que apenas Paulo Roberto, Renato Duque e Pedro Barusco, na Diretoria de Serviços, estavam envolvidos no esquema. “Estamos assistindo hoje a Petrobras sendo massacrada, com a imagem muito arranhada, como se parecesse uma companhia de segunda categoria, repleta de gente corrupta. Na verdade é completamente o inverso. Tive uma participação longa com a Petrobras e o único contato com corrupção foi com essas três pessoas que citei”, frisou.

Numa conversa com Barusco, ele disse ter explicado que houve sinais de que outras pessoas estariam envolvidas, mas eles não atuavam dentro da estatal, e sim em outras empresas como a Sete Brasil.

Augusto Mendonça Neto é um dos delatores do esquema de corrupção da estatal investigado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF). Em depoimento à PF, o empresário confirmou que pagou propina em valores entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões aos ex-diretores da Petrobras Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Segundo Mendonça Neto, as empresas que atuaram no clube mantinham contratos para obras nas refinarias Presidente Vargas, no Paraná, e Paulínia, em São Paulo.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Indústria Naval
SPE Águas Azuis realiza entrega da Fragata "Tamandaré" -...
06/03/26
Transpetro
Lucro líquido é 22% superior a 2024 e reflete novo momen...
06/03/26
Dia Internacional da Mulher
O mar é delas: a luta feminina por protagonismo no set...
05/03/26
Pré-Sal
PPSA realiza segunda etapa do 5º Leilão Spot da União do...
04/03/26
Apoio Offshore
OceanPact e CBO anunciam combinação de negócios
04/03/26
Parceria
Wiise e Petrobras firmam parceria para aplicar IA na seg...
03/03/26
Posicionamento IBP
Conflito no Oriente Médio
03/03/26
Terminais
Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$...
27/02/26
Exportações
Vast bate recorde de embarques de óleo cru para exportaç...
26/02/26
Apoio Marítimo
Svitzer Cassino chega para impulsionar operações no Port...
26/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
25/02/26
Concessões
Ministério de Portos e Aeroportos envia à Antaq projeto ...
25/02/26
Macaé Energy
Macaé recebe feira estratégica de energia voltada à gera...
23/02/26
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
Portos
Fundo da Marinha Mercante aprova projetos portuários com...
13/02/26
Pré-Sal
Plataforma da Petrobras, P-79, chega ao campo de Búzios
12/02/26
PPSA
MME e MMA liberam setores estratégicos do pré-sal e viab...
12/02/26
Resultado
Portos brasileiros movimentam 1,4 bilhão de toneladas em...
10/02/26
Sustentabilidade
Camorim amplia ações de sustentabilidade com projeto par...
06/02/26
Resultado
Produção dos associados da ABPIP cresce 22,8% em 2025 e ...
05/02/26
Resultado
Com 4,897 milhões boe/d, produção de petróleo e gás em 2...
03/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23