Estudo

Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil

Destaques do período são crescimento do segmento industrial (alta de 5,3%), geração termelétrica (4,5%) e residencial (8,8%).

Redação TN Petróleo/Assessoria Abegás
17/04/2026 15:40
Consumo de gás natural cresce 3,8% em 2025 no Brasil Imagem: Divulgação TBG Visualizações: 1804

O volume total de consumo de gás natural no Brasil em 2025 chegou a 54,464 milhões de metros cúbicos/dia (m³/dia) – um aumento de 3,8% em comparação com os 52,456 millhões de m³/dia registrados em 2024.

Esses números representam a somatória dos volumes consumidos nos segmentos industrial, automotivo, comercial, residencial, geração elétrica, cogeração, matéria-prima, entre outros, a partir de levantamento estatístico da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) com concessionárias de distribuição de gás canalizado em todo o País.

O destaque revelado pelo estudo da Abegás é o crescimento do volume no segmento industrial. Em 2025, o consumo alta foi de 29,903 milhões de m³/dia, um avanço de 5,3% em relação aos 28,386 millhões de m³/dia de 2024.

"Esta expansão na indústria é uma notícia que aponta uma recuperação, decorrente de uma maior atividade econômica, estimulada, também, pelo ganho de competitividade no preço da molécula como desdobramento dos movimentos de migração em direção ao mercado livre de gás", afirma o diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça.

Além do setor industrial, o estudo da Abegás também aponta para um crescimento de 4,5% no segmento de geração elétrica, que saltou de 14,662 milhões de m³/dia em 2024 para 15,327 milhões de m³/dia em 2025, decorrente de um maior despacho térmico.

O levantamento aponta ainda um avanço consistente do segmento residencial, de 8,8%, atingindo 1,585 milhão de m³/dia em 2025 ante 1,456 milhão de m³/dia registrados em 2024, em um reflexo dos investimentos das distribuidoras na expansão de rede de gás canalizado e da base de clientes.

Por outro lado, o estudo da Abegás revela retração em alguns segmentos. O setor automotivo, por exemplo, registrou queda de 11,5%, passando de 4,569 milhões de m³/dia em 2024 a 4,044 milhões de m³/dia em 2025. Já o segmento de cogeração também apresentou queda de 7,1%,.

"A guerra no Oriente Médio reforça o papel estratégico de o Brasil investir mais em sua indústria de gás natural, reduzindo a dependência do diesel e reforçando a segurança energética", destaca Mendonça.

"É preciso aumentar a oferta da produção nacional, promover a redução de custos e ganhos de competitividade em elos da cadeia como escoamento, processamento e transporte e estimular o crescimento da infraestrutura. Trata-se de um momento crucial para o Brasil, que precisa crescer e se reindustrializar com energia competitiva e confiável", diz o diretor-executivo da Abegás.

"Nosso desafio é expandir a infraestrutura, interiorizar o gás natural e aprimorar o ambiente regulatório para que os investimentos e entregas de projetos sejam acelerados. E criar políticas públicas para incentivar o potencial de demanda das frotas pesadas movidas a gás", conclui o executivo da associação.


Número de clientes ultrapassa marco dos 5 milhões

O número de clientes diretos conectados na rede de gás canalizado ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 5 milhões de consumidores, fechando em 5.022.394 consumidores (quantificado em medidores). O número é puxado pela região Sudeste, com 4.295.578 clientes. Em seguida vem a região Nordeste, com 457.594 clientes; a região Sul, com 213.168; clientes; a região Centro-Oeste, com 27.306 e a região Norte, com 28.748 clientes.

A infraestrutura segue em crescimento. Já são cerca de 47.000 quilômetros de redes de distribuição espalhados em 516 municípios das cinco regiões do País – 36.143,26 km em 266 municípios da região Sudeste), 5.356,92 km em 113 municípios da região Nordeste, 4.246,86km em 126 municípios daa região Sul; 583,41 km em 3 municípios da região Centro-Oeste; e 367,94 km em 8 municípios da Região Norte.

Para Marcelo Mendonça, os investimentos das distribuidoras são essenciais para massificar a energia no Brasil e trazem contribuições econômicas, sociais e ambientais relevantes.

"A expansão das redes de distribuição e a agregação de usuários trazem uma dinâmica para os custos de expansão que se refletem em uma redução tarifária a longo prazo para todos os usuários, incluindo indústrias e o setor residencial. As agências reguladoras estaduais têm um papel importantíssimo para garantir segurança jurídica e estabilidade regulatória, abrindo condições para os investimentos, a ampliação da base de usuários e a interiorização da infraestrutura ", diz o diretor da Abegás.

Volume industrial no mercado livre já supera 15 milhões

A migração do setor industrial para o mercado volume ganhou tração em 2025. Ao final de dezembro de 2025, 160 clientes industriais, responsáveis pelo volume de consumo de 15,155 milhões de metros cúbicos/dia já estavam mercado livre – ambiente em que os clientes industriais negociam com as comercializadoras ou produtores as condições comerciais para aquisição da molécula, enquanto 3.923 indústrias – o correspondente a 12,817 milhões de m³/dia – estão no mercado cativo.

A presença no mercado livre industrial é puxada por 135 clientes dos Estados na região Sudeste, com 10,142 milhões de m³/dia. Na sequência vem 17 consumidores da região Sul, com 1.929,5 milhões de m³/dia; um da região Norte, com 1.773,99 milhões de m³/dia; e sete do Nordeste, com 1.309,71 milhões de m³/dia.

No segmento de geração elétrica, o volume no mercado livre foi de 14,992 milhões de m³/dia, com 20 térmicas nesse ambiente livre. Também há clientes no mercado livre nos segmentos de cogeração, matéria-prima, automotivo e outros. No total, o ano de 2025 fechou com 189 consumidores livres, que demandaram 30,825 milhões de metros cúbicos/dia.
 

Compilação

O levantamento compila dados de 22 distribuidoras movimentando gás natural e biometano em 18 unidades da federação: Algás (AL), Bahiagás (BA), ES Gás (ES), Naturgy | CEG (RJ), Naturgy | Ceg Rio (RJ), Cegás (CE), Cigás (AM), Comgás (SP), Compagas (PR), Copergás (PE), Necta Gás (SP), Gás do Pará (PA), Naturgy (SP), Gasmar (MA), Gasmig (MG), MSGÁS (MS), MTGás (MT), PBGÁS (PB), Potigás (RN), SCGÁS (SC), Sergás (SE), e Sulgás (RS).


Sobre a Abegás - Criada em 1990, a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) representa as empresas concessionárias dos serviços de distribuição de gás canalizado no Brasil. Tem como visão ser referência institucional na indústria do gás natural, representando os interesses do serviço de distribuição, agindo para proteger as concessões públicas, a garantia de suprimento e a ampliação do atendimento.

Em 36 anos de existência, a Abegás tem atuado para que ocorra a ampliação da oferta de gás natural no país, quer seja de produção nacional ou por meio de importação; no estímulo ao fortalecimento das empresas distribuidoras de gás canalizado em todos os Estados da Federação; no intercâmbio e na cooperação técnica e institucional entre seus associados e outras entidades e, bem como, na colaboração com órgãos do governo federal e dos governos estaduais na formulação de programas de desenvolvimento e fortalecimento da indústria brasileira do gás natural. Site: www.abegas.org.br .

Assessoria de Imprensa da Abegás | E-mail: abegas@loures.com.br 

WHITE PAPER: Distribuição de gás canalizado é crucial para a modicidade tarifária, aponta estudo da Abegás 

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