Estimativa

Consumo de energia pela indústria supera nível pré-crise

DCI
20/09/2010 09:57
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A demanda industrial de energia elétrica deverá seguir apresentando alta de mais de 10% até o fim do ano. Esta é a estimativa da Comerc Comercializadora, que divulga mensalmente o seu índice setorial e que em agosto registrou alta de 12,64% sobre o mesmo período do ano passado. A tendência de recuperação da demanda do setor produtivo levou a carga que a empresa gerencia a superar em 1,06% até mesmo o volume consumido no mês de agosto de 2008, o último antes de a crise internacional derrubar em cerca de 40% o consumo do setor.


"A tendência é de termos crescimentos ainda expressivos em comparação a 2009 e a 2008, já que no último trimestre desses períodos a demanda não foi tão alta", afirmou o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos.


Essa expectativa tem como base a estabilidade de volumes demandados pelos clientes que gerencia e que respondem por cerca de 12% da carga de energia de consumidores livres no Brasil. Ainda de acordo com o índice da companhia, a demanda do mês passado ficou apenas 0,15% acima da registrada em julho deste ano. Dentre os setores que mais se vêm destacando na recuperação estão as empresas relacionadas a produção de bens de consumo cujo foco é o mercado interno e empresas exportadoras de commodities, entre as quais as de celulose e de mineração.


De acordo com os dados preliminares da carga do sistema divulgados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), a demanda nacional por energia elétrica no mês passado ficou em 55,582 mil MW médios, alta de 8,1% sobre o mesmo período de 2009. Em relação a julho deste ano o indicador avançou 0,5%. O órgão informou na ocasião que o comportamento do setor industrial tem sido o responsável pela alta da carga total no País, que no acumulado de janeiro a agosto ficou em 10%. Ainda esta semana a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) deverá informar a demanda de energia por segmento consumidor referente ao mês passado.


Segundo Marcelo Ávila, diretor vice-presidente da Comerc, apesar da expansão do consumo, ainda há setores da economia que apresentam dificuldades decorrentes da crise internacional. Um deles é o de veículos. "O consumo deste setor não é, nem de perto, o que se via no pré-crise. Mesmo com o mercado nacional 'bombando', as exportações ainda sofrem, há clientes que exportam que precisam devolver contratos de compra de energia", afirmou ele, para quem essa situação deverá apresentar reversão apenas com a melhoria da economia mundial.


O destaque positivo dentre as empresas gerenciadas pela Comerc está no setor de embalagens, que acompanhou o desempenho da industria de eletroeletrônicos em decorrência dos pedidos para atender a demanda do consumidor por novos televisores em função da Copa do Mundo.

Apesar dessas altas seguidas pela indústria, a expectativa dos executivos em relação ao resultado consolidado do ano, incluindo todas as classes de consumidores, é de expansão de cerca de 7%. Isso porque o crescimento do consumo residencial tem se mantido estável, diferentemente do ocorrido em 2009, quando este mercado foi o responsável pela manutenção da carga em alta mesmo em plena crise.

Expansão renovável

De olho nessa alta crescente da demanda por energia, o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, afirmou que o governo trabalha para colocar mais 10 hidroelétricas no leilão de energia A-5 (para empreendimentos que entrarão em produção em 2015) que somam 3,82 mil MW de potência instalada.


Dentre esses projetos a prioridade fica com os maiores empreendimentos que são os de Teles Pires (1,82 mil MW), São Manuel (746 MW) e Sinop (461 MW) - na bacia do rio Teles Pires (MT) - e a de Riacho Seco (240 MW), que será construída no rio São Francisco. De acordo com o presidente da EPE, os estudos das usinas, bem como o preço-teto proposto para o leilão foram entregues ao Tribunal de Contas da União (TCU) em dia 10 de setembro. O órgão tem 60 dias para analisar a documentação.


"Nossa intenção é realizar o leilão no final de dezembro, o prazo é apertado, pois precisamos ainda ter as licenças, mas ainda é possível de ser feito", afirmou ele que afirmou ainda que com isso o Brasil terá uma expansão estritamente renovável na matriz energética nacional em 2015.


As demais usinas são consideradas de menor porte e a análise dos estudos deve ser concluída pelo TCU em 30 dias. A expectativa da EPE é de enviar a documentação até o dia 10 de outubro. Esse grupo de usinas é formado por cinco empreendimentos que compõem a Bacia do Parnaíba, na divisa entre o Maranhão e o Piauí, e a de Foz do Apiacás, também no rio Teles Pires. Juntas somam 660 MW de potência.
 
Segundo a legislação, o leilão só poderá ocorrer após a aprovação dos estudos pelo TCU a tempo do edital ser aprovado e publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) 30 dias antes da disputa.


O consumo industrial de energia elétrica deverá manter crescimento de acima de 10%, pelo menos até o final do ano. Esta é a estimativa da Comerc Comercializadora, que registrou alta de mais de 12% em seu índice setorial no mês de agosto sobre o do mesmo período do ano passado.


Já para o ano de 2011 a estimativa é de estabilização, que, se confirmada, levará a demanda industrial por energia ao nível pré-crise. A tendência está baseada no aumento da demanda do mês passado em comparação à de julho de 2010, que foi de 0,15%.


De acordo com o presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, a carga gerenciada pela companhia ficou 1,06% acima até mesmo de agosto de 2008, época em que o consumo registrou o maior pico em um mês, um pouco antes de eclodir a crise internacional.


De olho da expansão da demanda, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) planeja colocar mais 10 usinas hidroelétricas em leilão até o fim deste ano. Juntas, somam 3,82 mil MW de potência. Muitas dessas usinas tiveram a Eletrobras como desenvolvedora do estudo de potencial hidráulico.


O presidente da Eletrobras, José Antônio Muniz Lopes, será homenageado hoje pela ADVB por seu trabalho na área ambiental. Ele confirmou, semana passada, em Montreal (Canadá), a meta de captar US$ 4 bilhões no exterior ainda este ano. Parte desses recursos, explicou, serão utilizados para a aquisição de equipamentos para a usina de Angra 3.
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