Análise

Consumo de energia deve diminuir em relação ao PIB, dizem economistas

Apesar do quadro de incertezas sobre o crescimento da economia mundial, o cenário se mantém otimista em relação ao sistema elétrico brasileiro e indica que a tendência é de redução do consumo de energia no Brasil. A análise foi feita por economistas do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (

Agência Brasil
14/08/2008 10:05
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Apesar do quadro de incertezas quanto ao crescimento da economia mundial, o cenário se mantém otimista em relação ao sistema elétrico brasileiro e indica que a tendência é de redução do consumo de energia no Brasil.


 
A análise foi feita nesta quarta-feira (13) por economistas do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Os estudos sinalizam que, num cenário de resposta rápida à crise mundial, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país, apresentará uma suave desaceleração em relação aos 5,4% apurados no ano passado, e apresentará média de 4,5%.


Já no cenário com ajuste mais prolongado, em que os preços das commodities (produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado internacional) continuarão pressionando a inflação e exigindo uma política monetária mais contracionista, o PIB  pode apresentar uma desaceleração mais forte, para 3,8% em média.


“A nossa avaliação é que a pressão do crescimento do PIB sobre a energia elétrica está diminuindo. Porque as empresas e a sociedade como um todo estão usando a energia de forma mais racional. É como se eu dissesse: a cada crescimento do PIB, eu preciso de menos energia elétrica”, avaliou o coordenador do Gesel, Nivalde José de Castro.


Ele lembrou que, quando o PIB crescia 1%, a demanda de energia elétrica crescia 1,3%. Hoje, já está ficando abaixo de 1%. “Isso implica dizer que o crescimento maior do PIB, embora não seja tão alto, não vai pressionar tanto por uma maior expansão da oferta de energia elétrica”.


Como o marco regulatório do setor elétrico está consolidado, o maior crescimento do PIB é  rapidamente atendido pelos leilões de energia, que fazem uma previsão do crescimento da demanda de energia elétrica. Para Castro, os leilões têm demonstrado que há sempre mais oferta de usinas do que demanda de energia elétrica. “Na nossa avaliação, a gente  não vê, por esse lado, um cenário de crise para o setor elétrico.”
 

De acordo com dados apresentados pelo economista do Gesel, Rubens Rosental, o crescimento do consumo vem ficando abaixo de 6% desde 2005. A relação entre o consumo de energia e o PIB, isto é, a elasticidade da demanda de energia, foi de 1,01% em 2007 e  deve alcançar 0,75% em 2008. Isso significa, segundo Rosental, que “a pressão sobre o consumo de energia elétrica está mudando”.
 

Para os economistas, está havendo uma mudança estrutural no padrão de consumo das empresas e das famílias, devido ao efeito do preço e ao “apagão”. “A decisão de consumir energia elétrica hoje é mais sensata”, apontou Castro.
 

 

As famílias estão dando preferência a equipamentos com nível de inovação tecnológica elevado, mais eficientes e que reduzem o desperdício de energia. Por parte do governo, como política do setor, busca-se a eficiência energética, geração de energia para auto-produção e importação de máquinas e equipamentos mais eficientes.
 

 

Pela previsão do grupo de estudos, a demanda de energia elétrica vai continuar firme e a lucratividade das empresas do setor será mantida. Em 2007, o desempenho agregado do setor elétrico mostrou lucro 50,88% maior no exercício, em relação ao observado em 2006. O lucro das empresas elétricas somou R$ 22,606 bilhões no ano passado.
 

Rosental acredita que novos investimentos serão realizados pelo setor. “Se a demanda continuar crescendo, vão aumentar também os investimentos em nível satisfatório”, completou.

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