Hidrelétrica

Construção de usinas hidrelétricas representa riscos à biodiversidade

A pesquisa teve a participação da professora Gislene Torrente-Vilara, do Instituto do Mar, da Unifesp.

Assessoria Unifesp
18/03/2016 10:27
Visualizações: 1031

A construção de usinas hidrelétricas coloca sob risco as três bacias hidrográficas mais ricas em biodiversidade do mundo. É o que aponta um artigo publicado na Revista Science, cujo estudo mobilizou um grupo de cientistas dos EUA, Alemanha, Canadá, Camboja e Brasil. O levantamento contou com a participação da professora Gislene Torrente-Vilara, da Unifesp, e mostrou que as obras das barragens das bacias dos rios Mekong (Ásia), Congo (África) e Amazonas (América do Sul) representam uma enorme ameaça às espécies de peixes dessas regiões.

De acordo com a pesquisa, a construção de hidrelétricas sem planejamento adequado potencializa os impactos negativos desses empreendimentos, o que traz grande preocupação aos especialistas. “Grandes rios tropicais, como os amazônicos, concentram uma incrível biodiversidade, intimamente associada com à qualidade das águas, do ambiente e da vida das populações humanas. Para garantir sua proteção, bem como das florestas e recursos naturais, o Brasil conta com um excelente modelo de licenciamento ambiental. Porém, a decisão sobre a construção de um empreendimento hidrelétrico tem desconsiderado os aspectos técnicos e científicos legais, e o estabelecimento dessas obras tem sido uma decisão invariavelmente política”, argumenta Gislene Torrente-Vilara.

O estudo mostra que a Usina de Belo Monte, que está sendo erguida no Rio Xingu, no Pará, pode representar um recorde mundial de perda de biodiversidade. O rio abriga mais de 450 espécies de peixes em suas águas e, minimamente, 50 delas são endêmicas da Amazônia. Para a professora Gislene, este é um grande um exemplo de desrespeito às regras do licenciamento ambiental. “A integridade dos rios e florestas do Xingu, entre outros da Amazônia, tem garantido a sustentabilidade dos povos regionais há milênios, com exemplos de real desenvolvimento sustentável. Nós não temos o direito de extingui-las com base em decisões políticas e energéticas”.

Atualmente estima-se que 25% das espécies de peixes de água doce do planeta foram extintas devido à fragmentação dos rios para construção de hidrelétricas. Hoje, a bacia mais ameaçada é a do Rio Tapajós, com 43 empreendimentos planejados, sendo que dez deles estão previstos para serem finalizados até 2022. Também contribuíram para a extinção o desmatamento ciliar, a poluição proveniente do esgoto urbano e industrial, e as obras de retilinização e canalização, com consequências negativas para o equilíbrio ambiental, em especial em grandes cidades. A questão transpassa a polêmica sobre perda de espécies endêmicas e implica naquilo que elas representam para conservar águas de qualidade em território nacional. “A sociedade precisa decidir se realmente pretende assumir o preço que estará impondo as gerações futuras ao se calar perante a viabilização dessas obras”, finaliza a professora.

Além da pesquisadora da Unifesp, o levantamento contou com cientistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Tocantins (UFT), do Núcleo de Pesquisas em Limnologia Ictiologia e Aquicultura da Universidade Estadual de Maringá (Nupelia/UEM), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Oferta Permanente de Concessão (OPC): edital com inclusã...
14/04/26
Refino
Honeywell impulsiona primeiro projeto de Etanol-to-Jet (...
14/04/26
Cana Summit
Diesel sob pressão no campo acelera corrida por novas fo...
14/04/26
Pessoas
Eduardo Beser é o novo diretor-geral de Operações no Bra...
13/04/26
Evento
Promoção da Infis, 4º Seminário Tributação em Óleo e Gás...
13/04/26
Investimento
Camorim investe R$ 52 mi na construção de uma das maiore...
13/04/26
Bacia de Campos
Nova descoberta de hidrocarbonetos em águas profundas no...
13/04/26
BOGE 2026
Maior encontro de petróleo e gás do Norte e Nordeste es...
10/04/26
ANP
Fiscalização: aprovada consulta pública para revisão de ...
10/04/26
ANP
Reservas provadas de petróleo no Brasil cresceram 3,84% ...
10/04/26
Bacia de Campos
Petrobras retoma 100% de participação no campo de Tartar...
10/04/26
Oportunidade
Por que formar profissionais para funções críticas se to...
09/04/26
Energias Renováveis
Crise energética global impulsiona protagonismo do Brasi...
09/04/26
Pessoas
Alcoa e Posidonia reforçam avanços na equidade de gênero...
08/04/26
Evento
Fórum nacional debate expansão do biogás e do biometano ...
08/04/26
Curso
Firjan SENAI e Foresea assinam parceria para oferecer cu...
08/04/26
Posicionamento IBP
Taxação de 12% na MP1340 gera sobreposição tributária e ...
08/04/26
iBEM26
Entrevista exclusiva: Rosatom mira o Brasil e reforça pr...
07/04/26
Resultado
Porto do Açu garante R$ 237 milhões em royalties retroat...
07/04/26
Pessoas
Angélica Laureano é a nova Diretora Executiva de Logísti...
07/04/26
Biometano
ANP credencia primeiro Agente Certificador de Origem (AC...
07/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23