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Conflitos com Argentina e México derrubam operações em Santos

A operadora portuária Deicmar, que responde por 55% da movimentação de veículos no Porto de Santos, amargará uma queda de ao menos 30% nessas operações até o final deste primeiro trimestre. O resultado impressiona, especialmente após um

A Tribuna
19/03/2012 07:08
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A operadora portuária Deicmar, que responde por 55% da movimentação de veículos no Porto de Santos, amargará uma queda de ao menos 30% nessas operações até o final deste primeiro trimestre. O resultado impressiona, especialmente após um 2011 marcado por recordes no cais santista. O motivo são os atritos do Brasil com Argentina e México - este, pacificado após interferência do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, nesta semana.

A Deicmar movimentou 60 mil veículos nos três primeiros meses de 2011. Este trimestre deve encerrar com algo em torno de 40 mil carros importados ou exportados.

As dificuldades com a Argentina começaram nos primeiros meses do ano passado, quando, alegando uma balança desfavorável em US$ 4 bilhões com o Brasil, a Casa Rosada determinou que 600 produtos brasileiros deixassem de ter licenças automáticas para importação. Em maio, o governo brasileiro respondeu, cortando a licença automática para importação de carros argentinos - o filé mignon da relação bilateral.

A situação piorou com mais uma medida protecionista baixada pelo governo de Cristina Kirchner no mês passado: a necessidade de apresentação de uma declaração jurada pelos importadores argentinos. O governo brasileiro estima que, em fevereiro, de uma forma geral, as vendas para o mercado argentino tenham recuado 22,5% (descontados automóveis e energia), em comparação com o mesmo período de 2011.

Com relação ao México, Brasília buscou tornar menos desfavorável o pacto firmado em 2002, para isentar os carros vindos deste parceiro dos 35% de taxa de importação - mesma vantagem dada aos colegas de Mercosul. Os dois países firmaram acordo na noite da última quinta-feira (15), válido por três anos e considerado positivo pelo Palácio do Planalto. As nações concordaram em limitar em US$ 1,55 bilhão por ano, em média, o valor das exportações mexicanas para cá. Brasília pediu a revisão após um salto de 70% nas importações de veículos fabricados no México em 2011.

Por conta das dificuldades experimentadas há cerca de um ano com a Argentina e há alguns meses com o México, os portos, elo da cadeia logística por onde passa boa parte dos carros comercializados com os parceiros do Brasil, vêm sofrendo. A liberação dos autos demora em torno de 20 dias e deixa os pátios lotados de veículos importados - para a exportação de carros, é possível negociar espaços longe do cais. O cais é uma zona onde a estocagem é mais cara e, do ponto de vista logístico, não recomendável. O tempo normal para liberação, segundo a Deicmar, é de dez dias.

“Se o tempo para liberação de licenças piorar, pode impactar os portos”, explicou Gerson Foratto, diretor da Deicmar. Mas, como o acordo com o México saiu, a perspectiva é favorável. “Em termos portuários, é uma notícia alvissareira, pois permitirá que o volume de comércio, em patamares razoáveis, seja mantido entre os dois países, que são os maiores mercados automotivos da América Latina”.

A demora para assinatura do acordo com o México preocupava o setor portuário nesta semana. O motivo é simples: quanto mais o acordo demorasse, mais carros ficariam represados nos complexos marítimos. Sem espaço nos terminais, os navios não poderiam atracar, simplesmente porque não haveria lugar para estacionar os veículos que chegassem. O porto poderia até travar, segundo o executivo.

Foratto relatou um fato grave ocorrido no ano passado, por conta destas diferenças políticas do Brasil com seus parceiros. “O Porto de Santos perdeu quase 50 mil automóveis de importação, basicamente para São Sebastião”, afirmou. Trata-se do movimento de um trimestre inteiro na Deicmar.

A Santos Brasil, administradora do Terminal de Exportação de Veículos (TEV), a outra instalação que opera autos no Porto de Santos, também foi procurada para informar sobre sua situação. No entanto, a empresa informou que está impedida de divulgar dados sobre movimentação por conta de restrições impostas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa tem capital aberto na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e, portanto, obedece às regras da CVM.
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