Aço

Compras da CSN deixam investidores curiosos

Valor Econômico
11/02/2011 11:07
Visualizações: 1019
Os anúncios da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) de compra de participações minoritárias em outras empresas têm surpreendido os investidores e suscitam dúvidas sobre qual seria a estratégia da companhia.


Com um caixa de R$ 11,5 bilhões, a empresa está mais que pronta para uma aquisição estratégica. Nos últimos anos, fez duas tentativas, Corus e Wheeling-Pittsburgh, que não se concretizaram. E o mercado se pergunta também por que, em vez de investimentos financeiros, ela não distribui parte do caixa aos acionistas. Não há respostas por enquanto.


Primeiro, a CSN informou que tem 5,03% das ações ordinárias de Usiminas. E acrescentou que está "avaliando alternativas estratégicas" e pode continuar comprando ações da empresa na bolsa e ultrapassar 10% de participação. Esta semana, elevou para 19,9% sua fatia na mineradora australiana Riversdale.
 

O Valor apurou que a intenção da CSN é ter um membro no conselho de administração da Usiminas. Reportagem da "Bloomberg" ontem informa que, no mercado australiano, o comentário é que a CSN quer um assento no conselho da Riversdale.
 

Se continuar anunciando participações em outras empresas, a CSN corre o risco de ser vista como uma holding. Se tiver assentos nos conselhos, pode ser confundida como um fundo de investimento em participações.


A CSN não concedeu entrevista.


O professor do Insper Ricardo José de Almeida afirma que o mercado não vê com bons olhos uma empresa ter participação relevante, com assento no conselho de outra, porque acaba interferindo na decisão do gestor.


"O gestor pode querer investir em CSN, mas não em Usiminas, e acaba sendo obrigado. Ou, ainda, quer ficar comprado em uma e vendido em outra", diz.


Ele lembra ainda que o mercado prefere aquisições de controle porque, assim, é possível gerar sinergias que criam valor.


"Quando se tem um mero assento no conselho, não há sinergias", afirma Almeida, ponderando que a estratégia da CSN também pode ser a de, no futuro, chegar ao controle.


Com relação ao caixa, o professor do Insper diz que ele pode ser considerado conservador. Ele faz uma conta, utilizando o dados da empresa até setembro de 2010, os últimos divulgados. Relaciona o caixa, de R$ 11,5 bilhões, com a diferença entre a receita líquida e o lucro operacional antes de juros, depreciação e amortização, cujo resultado é R$ 5,5 bilhões e que representam os custos e despesas que a empresa teve no período.


Relacionando os dois números, explica, é possível avaliar que, na hipótese de acontecer um fato muito grave e a empresa não tiver receita nenhuma, pode, por 18 meses, se sustentar utilizando apenas o seu caixa, que é o dobro de seus custos e despesas.


"Parece um pessimismo ou um conforto muito grande", diz, embora ressaltando que a companhia procura aquisições.


A CSN também planeja investir em siderúrgicas na Espanha e, no mercado doméstico, comenta-se que está comprando ações ordinárias da Vale, embora aqui, pelo tamanho da empresa, avaliada em R$ 280 bilhões, ninguém acredita que ela pretenda alcançar uma posição relevante.


No último dia 3, a CSN instigou ainda mais os investidores ao contratar uma operação de crédito com a Caixa Econômica Federal (CEF) de R$ 2 bilhões.


"Acho que isso confirma o compromisso de manter o caixa para aquisições", diz Daniella Maia, analista da Ativa Corretora. "A administração da empresa é de qualidade e vai esperar o melhor momento e oportunidade."
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Firjan
Mesmo com tarifaço, petróleo faz corrente de comércio do...
26/02/26
Exportações
Vast bate recorde de embarques de óleo cru para exportaç...
26/02/26
Resultado
ENGIE Brasil Energia cresce 14,6% em receita e investe R...
26/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
25/02/26
Premiação
BRAVA Energia recebe prêmio máximo na OTC Houston pelo p...
25/02/26
Documento
ABPIP apresenta Agenda Estratégica 2026 ao presidente da...
25/02/26
Câmara dos Deputados
Comissão especial debate papel dos biocombustíveis na tr...
25/02/26
FEPE
O desafio de formar e atrair talentos para a indústria d...
24/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
24/02/26
Energia Solar
Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, maior projeto solar da E...
23/02/26
Internacional
UNICA e entidade indiana firmam acordo para ampliar coop...
23/02/26
Onshore
Possível descoberta de petróleo no sertão cearense mobil...
23/02/26
Oferta Permanente
ANP realizará audiência pública sobre inclusão de 15 nov...
23/02/26
Internacional
Brasil e Índia: aliança no setor de bioenergia em pauta ...
23/02/26
Biometano
MAT bate recorde de instalações de sistemas de compressã...
23/02/26
Combustíveis
Etanol amplia perdas e encerra semana com nova queda nos...
23/02/26
Macaé Energy
Macaé recebe feira estratégica de energia voltada à gera...
20/02/26
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
ESG
Inscrições abertas até 26/2 para o seminário Obrigações ...
20/02/26
Pessoas
Paulo Alvarenga é nomeado CEO da TKMS Brazil
19/02/26
Subsea
Priner expande atuação no offshore com lançamento de sol...
13/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.