Alumínio

Começam as negociações do projeto da Rio Tinto no Paraguai

Empresa se volta para o mercado brasileiro.

Valor Econômico
10/09/2012 12:00
Visualizações: 470

 

O gigantesco projeto de produção de alumínio primário da multinacional anglo-australiana Rio Tinto no Paraguai começa a ser negociado com o novo governo do país e já se volta para o mercado brasileiro.
Segundo informou ao Valor o governo paraguaio, o presidente Federico Franco autorizou o início das negociações com a empresa. Essa nova etapa do projeto começa com a constituição de um time do governo e um da empresa para as discussões e deve durar oito meses. "O governo quer estabelecer que no mínimo 40% do alumínio processado pela Rio Tinto no complexo seja transformado no Paraguai", afirma Diego Zavala, vice-ministro de Comércio do Paraguai. Outros pontos importantes que o governo vai colocar na mesa de negociações envolvem o fornecimento de energia - os preços e condições -, os impactos ambientais, as formas de tributação e as garantias para os investimentos da empresa.
O projeto da Rio Tinto está desenhado para ter capacidade de produção de 674 mil toneladas de alumínio primário por ano. Deverão ser investidos US$ 3,5 bilhões para a construção da unidade de fundição. Ao se considerar os desembolsos necessários à infraestrutura do parque industrial, os recursos podem ultrapassar os US$ 4 bilhões, segundo o governo paraguaio.
O ponto-chave para a Rio Tinto é a garantia de fornecimento e de preços competitivos da energia, o insumo de maior peso no setor de alumínio primário, podendo representar até um terço dos custos.
Como a questão será levantada e definida durante essa etapa de negociações, Zavala não informa como está equacionado o fornecimento de energia para o parque industrial. E nega os rumores de que o governo planeja subsídios. "Não recebemos nenhuma instrução do governo para estudar qualquer tipo de subsídio de energia. Devemos incentivar com regime tributário", afirma.
A estratégia do governo é atrair empresas que possam utilizar o excedente de energia do país. E o Brasil está no centro desses planos. O projeto inclui a atração de transformadoras do metal brasileiras para se instalarem no entorno da unidade da Rio Tinto e, assim, criar um polo de fabricação de itens como cabos e fios, componentes e peças fundidas e embalagens, entre outros produtos. "O objetivo é ser um bom parceiro do Brasil. São diversos empresários que querem produzir transformados, mas a oferta de alumínio no Brasil estagnou", explica Zavala.
Com um prazo previsto para ser concluído - no melhor dos casos - em três ou quatro anos, o mercado fica agora atento à real viabilidade do projeto. No Paraguai falta alumina, matéria-prima para a produção do alumínio. O país carece ainda de insumos como o coque e os combustíveis para alimentação da unidade. Desse modo, a Rio Tinto vai comprar alumina do mercado. Isso faz com que a logística seja um dos maiores desafios do plano de custos da multinacional: é essencial que o parque seja instalado próximo a portos e a navegabilidade dos rios Paraná-Paraguai será indispensável.
Além disso, o Paraguai não tem mercado para o processamento do alumínio, tampouco mercado consumidor. Por isso depende mesmo da atração de empresas transformadoras de fora.
Segundo Zavala, o governo de Federico Franco está focado para resolver essas questões. "Há maior dinamismo agora. O governo leva a sério esse projeto", pondera. Apesar da saída do presidente Fernando Lugo, o ministro de Indústria e Comércio paraguaio, Francisco Rivas, continuou no posto. O grupo de trabalho relacionado ao projeto da Rio Tinto se manteve praticamente o mesmo, segundo Zavala. Ele subiu de cargo: antes prestava serviços ao governo, era assessor do ministro. Agora, Zavala está no posto de vice-ministro.
Autoridades já sugeriram que a mudança de governo no Paraguai teria envolvido interesses de grandes empresas no país, que tiveram negócios prejudicados pelo antigo comando. Segundo Zavala, não há diferenças entre o antigo e o atual governo na orientação para o projeto. "Ambos mostraram interesse e quiseram negociar", diz.

O gigantesco projeto de produção de alumínio primário da multinacional anglo-australiana Rio Tinto no Paraguai começa a ser negociado com o novo governo do país e já se volta para o mercado brasileiro.


Segundo informou ao Valor o governo paraguaio, o presidente Federico Franco autorizou o início das negociações com a empresa. Essa nova etapa do projeto começa com a constituição de um time do governo e um da empresa para as discussões e deve durar oito meses. "O governo quer estabelecer que no mínimo 40% do alumínio processado pela Rio Tinto no complexo seja transformado no Paraguai", afirma Diego Zavala, vice-ministro de Comércio do Paraguai. Outros pontos importantes que o governo vai colocar na mesa de negociações envolvem o fornecimento de energia - os preços e condições -, os impactos ambientais, as formas de tributação e as garantias para os investimentos da empresa.


O projeto da Rio Tinto está desenhado para ter capacidade de produção de 674 mil toneladas de alumínio primário por ano. Deverão ser investidos US$ 3,5 bilhões para a construção da unidade de fundição. Ao se considerar os desembolsos necessários à infraestrutura do parque industrial, os recursos podem ultrapassar os US$ 4 bilhões, segundo o governo paraguaio.


O ponto-chave para a Rio Tinto é a garantia de fornecimento e de preços competitivos da energia, o insumo de maior peso no setor de alumínio primário, podendo representar até um terço dos custos.


Como a questão será levantada e definida durante essa etapa de negociações, Zavala não informa como está equacionado o fornecimento de energia para o parque industrial. E nega os rumores de que o governo planeja subsídios. "Não recebemos nenhuma instrução do governo para estudar qualquer tipo de subsídio de energia. Devemos incentivar com regime tributário", afirma.


A estratégia do governo é atrair empresas que possam utilizar o excedente de energia do país. E o Brasil está no centro desses planos. O projeto inclui a atração de transformadoras do metal brasileiras para se instalarem no entorno da unidade da Rio Tinto e, assim, criar um polo de fabricação de itens como cabos e fios, componentes e peças fundidas e embalagens, entre outros produtos. "O objetivo é ser um bom parceiro do Brasil. São diversos empresários que querem produzir transformados, mas a oferta de alumínio no Brasil estagnou", explica Zavala.


Com um prazo previsto para ser concluído - no melhor dos casos - em três ou quatro anos, o mercado fica agora atento à real viabilidade do projeto. No Paraguai falta alumina, matéria-prima para a produção do alumínio. O país carece ainda de insumos como o coque e os combustíveis para alimentação da unidade. Desse modo, a Rio Tinto vai comprar alumina do mercado. Isso faz com que a logística seja um dos maiores desafios do plano de custos da multinacional: é essencial que o parque seja instalado próximo a portos e a navegabilidade dos rios Paraná-Paraguai será indispensável.


Além disso, o Paraguai não tem mercado para o processamento do alumínio, tampouco mercado consumidor. Por isso depende mesmo da atração de empresas transformadoras de fora.


Segundo Zavala, o governo de Federico Franco está focado para resolver essas questões. "Há maior dinamismo agora. O governo leva a sério esse projeto", pondera. Apesar da saída do presidente Fernando Lugo, o ministro de Indústria e Comércio paraguaio, Francisco Rivas, continuou no posto. O grupo de trabalho relacionado ao projeto da Rio Tinto se manteve praticamente o mesmo, segundo Zavala. Ele subiu de cargo: antes prestava serviços ao governo, era assessor do ministro. Agora, Zavala está no posto de vice-ministro.


Autoridades já sugeriram que a mudança de governo no Paraguai teria envolvido interesses de grandes empresas no país, que tiveram negócios prejudicados pelo antigo comando. Segundo Zavala, não há diferenças entre o antigo e o atual governo na orientação para o projeto. "Ambos mostraram interesse e quiseram negociar", diz.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Fenasucro
Pela primeira vez, Brasil recebe congresso latino-americ...
23/06/26
Energy Summit
Com quatro prêmios, ENGIE é destaque no Energy Summit Awards
23/06/26
Combustíveis
Distribuidoras de combustíveis cobram avanço imediato do...
23/06/26
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
Hidrogênio Verde
SENAI CIMATEC, HYTRON e PETROGAL BRASIL (JV Galp/Sinopec...
17/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.