Artigo

Com 15 anos de atraso finalmente sai o PNC, mas com lacunas

Com mais de 15 anos de atraso, o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC) foi finalmente editado por meio do Decreto Federal nº 8.127, de 22 de outubro de 2013. O plano foi lan&cced

Luciana Vianna Pereira e Isabella Genú Faria
27/11/2013 15:22
Visualizações: 1243
Com mais de 15 anos de atraso, o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional (PNC) foi finalmente editado por meio do Decreto Federal nº 8.127, de 22 de outubro de 2013.

Previsto inicialmente na Convenção Internacional Sobre Preparo, Resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo de 1990 (ORPC/90), da qual o Brasil foi signatário, e relembrado pelo governo mais recentemente após os acidentes de derramamento de petróleo no mar ocorridos no campo de Macondo, no Golfo do México, e no campo de Frade, na Bacia de Campos, no litoral brasileiro, o momento escolhido para o lançamento do Plano Nacional de Contingência foi o dia seguinte ao leilão do primeiro campo para exploração e óleo e gás na camada pré-sal na costa brasileira.

Aqueles que trabalham na área ambiental e de petróleo e gás devem lembrar que, seguindo uma tendência mundial, a ORPC/90 foi firmada como uma resposta ao acidente envolvendo o navio Exxon Valdez, em 1989, na costa norte-americana, em que 257 mil barris de petróleo foram derramados no mar.

Após internalizar o texto da convenção no ordenamento jurídico pátrio, por meio do Decreto nº 2.870/98, o Brasil editou a Lei nº 9.966/00, conhecida como a lei de poluição marinha, que trata, de forma abrangente, da movimentação de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações portuárias, plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional, define a cadeia de responsabilidades, os entes fiscalizadores e as medidas de contenção a serem adotadas em caso de acidentes.

A lei prevê que o PNC resultaria da unificação de planos locais ou regionais de resposta a acidentes, servindo como uma última resposta nacional a acidentes ocorridos em sua costa.

Assim, o PNC integra um sistema de resposta a acidentes, composto também pelos planos de emergência individual exigidos no curso do licenciamento das empresas que atuam em águas sob jurisdição nacional, e pelos Planos de Área, regulados pelo Decreto 4.871/03, para abranger uma determinada área geográfica, como a Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, por exemplo.

Com o leilão do campo de Libra, cercado de grande expectativa, o governo, finalmente, levou adiante a criação do plano. Embora a edição do Decreto nº 8.127/13 tenha representado um avanço para suprir essa necessidade legislativa, a norma ainda possui lacunas que merecem análise.

Primeiramente, chama a atenção o enorme lapso temporal entre as normas que previam o PNC e a sua efetiva elaboração. Importante destacar que o Decreto prevê diversos prazos para a criação de comissões, realização de treinamentos, que evidenciam que, embora o plano tenha sido editado, ainda há um longo caminho a percorrer para que se torne eficaz.

Como um exemplo, temos a redação original do §3º do art. 3º do Decreto nº 4.871/03, que previa a elaboração de cada Plano de Área no prazo de 180 dias. O Decreto nº 8.127/13 alterou o dispositivo estabelecendo o prazo de um  ano, a contar da convocação pelo órgão ambiental competente, prevendo ainda que tal prazo poderá ser prorrogado por 90 dias, deixando ao leitor da norma a dúvida se, desta vez, os prazos serão observados.

O novo Decreto prevê ainda a ação integrada de diversos órgãos do Poder Executivo, das Forças Armadas, das Agências Reguladoras, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), além dos órgãos ambientais estaduais e municipais para que se possa dar efetividade à norma. Com tantas interfaces, é preciso se perguntar sobre a possibilidade de atendimento aos acidentes na necessária celeridade que estes demandam, sem esbarrar em eventuais conflitos de competência, entraves burocráticos, já que o Decreto não estabelece prazos para que os mesmos se manifestem quando acionados e não prevê, condicionando a regulamentação por cada um dos órgão responsáveis pela coordenação da resposta ao acidente, os canais de comunicação internos a serem utilizados.

Outro ponto que pode gerar repercussão é a criação do Sistema de Informações Sobre Incidentes de Poluição por Óleo em Águas Sob jurisdição Nacional (SISNÓLEO), a ser desenvolvido e implementado pelo Ibama, no prazo de 18 meses. Entretanto, a forma, estrutura e pessoal para desenvolver o projeto ainda não estão definidos.

Diante dessas lacunas, fica a sensação de que o primeiro passo foi dado, mas ainda há planos, programas, treinamentos internos, o SISNÓLEO e outros tópicos a serem desenvolvidos.

*Luciana Vianna Pereira e Isabella Genú Faria são respectivamente associadas sênior e júnior do escritório Trench, Rossi e Watanabe Advogados, trabalhando na área ambiental e de consumidor do escritório do Rio de Janeiro, com foco especial na indústria naval e de petróleo e gás.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Transição Energética
Braskem avança na jornada de transição energética com in...
05/03/26
Dia Internacional da Mulher
O mar é delas: a luta feminina por protagonismo no set...
05/03/26
Energia Solar
GoodWe e RB Solar anunciam parceria estratégica para ace...
05/03/26
Gás Natural
PetroReconcavo realiza primeira importação de gás bolivi...
04/03/26
iBEM26
Inovação, ESG e Sustentabilidade
04/03/26
Pré-Sal
PPSA realiza segunda etapa do 5º Leilão Spot da União do...
04/03/26
Apoio Offshore
OceanPact e CBO anunciam combinação de negócios
04/03/26
Dia Internacional da Mulher
Em indústria dominada por homens, Foresea avança e ating...
04/03/26
Biometano
Revisão de regras de especificação e controle da qualida...
04/03/26
FEPE
INOVAR É SEMPRE PRECISO - Entrevista com Orlando Ribeir...
04/03/26
Etanol
Nos 50 anos de ORPLANA, Cana Summit debate o futuro da p...
04/03/26
Petrobras
Caracterização geológica do Pré-Sal com projeto Libra Ro...
03/03/26
Resultado
Espírito Santo retoma patamar de produção e ABPIP aponta...
03/03/26
Parceria
Wiise e Petrobras firmam parceria para aplicar IA na seg...
03/03/26
Posicionamento IBP
Conflito no Oriente Médio
03/03/26
Economia
Firjan defende fortalecimento da credibilidade fiscal pa...
03/03/26
Dia Internacional da Mulher
Cladtek lança programas para ampliar oportunidades para ...
03/03/26
Etanol
Quedas nos preços dos etanóis ficam acima de 3% na semana
03/03/26
Pessoas
José Guilherme Nogueira assume coordenação da Comissão d...
02/03/26
Evento
ABPIP realiza 1º Workshop ABPIP + ANP 2026 sobre especif...
02/03/26
Combustível
Etanol amplia perdas e encerra semana com nova queda nos...
02/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.