Energia elétrica

Chuva ainda não recupera hidrelétricas, mas é cedo para ligar mais térmicas, avalia ONS

Reuters, 24/01/2020
24/01/2020 08:43
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Intensas chuvas registradas em janeiro no Brasil ainda não chegaram aos reservatórios das hidrelétricas, principal fonte de energia do país, mas é cedo para recorrer ao acionamento excepcional de termelétricas para atender à demanda, disse à Reuters o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata.

Marcador em Furnas em São José da Barra, Minas Gerais 14/1/2013 REUTERS/Paulo Whitaker

As usinas hídricas do Sudeste e do Centro-Oeste, que concentram a maior parte da capacidade de armazenamento, estão atualmente com 21,5% do volume, perto dos piores níveis registrados na história para o mês, em 2015, mesmo em época conhecida como "período úmido" para represas dessas regiões.

Mas o ONS, responsável por comandar o despacho de usinas e o trânsito da energia pelo sistema elétrico, avalia que há boas chances de melhores precipitações nas próximas semanas, enquanto conta também com chuvas na Região Norte que possibilitariam o envio de energia para o Sudeste por algumas das maiores usinas do Brasil, como Belo Monte, Jirau e Santo Antônio.

Eventual frustração das expectativas poderia levar a uma decisão do governo de despachar mais térmicas do que o indicado por modelos computacionais usados na operação do sistema, mas o ONS acredita que o acionamento ou não das usinas "fora da ordem de mérito" só deverá ser avaliado mais à frente.

"Provavelmente vamos ter essa avaliação a partir do final do mês, em fevereiro, junto ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE)", disse Barata, em referência a órgão que reúne autoridades da área de energia do governo para acompanhar as condições de atendimento à demanda.

"Vai depender muito de como as chuvas vão acontecer. Agora é precipitado tomar qualquer tipo de decisão. A estação chuvosa atrasou, mas por outro lado, diferente do ano passado, quando houve um bloqueio das chuvas, isso não está acontecendo agora. Elas estão acontecendo, só não estão caindo onde gostaríamos", acrescentou.

O chamado "período úmido" para as hidrelétricas tem início em novembro e vai até o final de março, mas nesta temporada as precipitações na área das usinas têm se mantido bem abaixo da média histórica até o momento.

"Chegamos em janeiro com chuvas que estão acontecendo, como é noticiado todos os dias, e com intensidade, mas que estão acontecendo fora da região dos reservatórios. Então a recuperação deles está sendo lenta", disse Barata.

Norte ajuda

No decorrer da próxima semana, no entanto, as previsões de órgãos metereológicos utilizadas pelo ONS apontam para chuvas "muito fortes e intensas" na região dos rios São Francisco, Tocantins e Xingu, e "um pouco" no Parnaíba, afirmou Barata.

O Xingu é onde fica a usina de Belo Monte, enquanto o Tocantins abriga Tucuruí--- as duas são as maiores hidrelétricas do Brasil, atrás apenas de Itaipu, que é um empreendimento binacional em parceria com o Paraguai.

Com linhões de ultra-alta tensão construídos para escoar a energia de Belo Monte até o Sudeste já totalmente operacionais e a operação agora em plena carga também do sistema de transmissão das usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, deverá ser possível um reforço no atendimento à demanda.

"Tem o fator positivo de que estamos com um sistema de transmissão adequado para trazer o maior volume possível de eneriga do Norte do país. Nossa expectativa é que possamos usar a energia gerada nas usinas da Região Norte, em especial Madeira, Tucuruí e Belo Monte, para replecionar (recuperar) os reservatórios do Sudeste", explicou Barata.

"A água está chegando um pouquinho mais tarde do que gostaríamos que chegasse lá (no Norte), mas está chegando."

O diretor-geral do ONS ressaltou ainda que, mesmo em caso de frustração dessas projeções, seria muito difícil imaginar hoje um cenário que levasse à necessidade de acionamento fora da ordem de mérito de térmicas com custo de geração mais elevado, como as movidas a óleo.

Até porque, destacou ele, temperaturas mais baixas neste ano ante 2019 têm reduzido o consumo de energia, muito associado a aparelhos de ar-condicionado, e facilitado a operação.

"É um pouco cedo para tratar dessa questão, mas eu diria que, se fosse para despachar (térmicas fora de ordem) provavelmente seria despachar térmicas a gás, não a óleo. Mas não trabalhamos com isso ainda", afirmou.

Barata lembrou que o início de 2019 registrou forte calor e levou a cinco recordes consecutivos de demanda no sistema elétrico. Neste ano, ao contrário, projeções do ONS apontam para redução da carga de energia em janeiro na comparação anual.

Um elevado acionamento de termelétricas pressiona as contas de luz, ao gerar custos com combustíveis que movem as usinas que são posteriormente repassados aos consumidores por meio das tarifas.

 

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