Preço

China manobra para baixar preço do ferro

<P>&nbsp;&nbsp;&nbsp; O governo chinês decidiu intervir diretamente na negociação do preço do minério de ferro entre as siderúrgicas do país e os grandes exportadores mundiais do produto, liderados pela brasileira Vale do Rio Doce, postura que contraria as regras da OMC (Organização Mundial...

Redação
14/03/2006 21:00
Visualizações: 708

    O governo chinês decidiu intervir diretamente na negociação do preço do minério de ferro entre as siderúrgicas do país e os grandes exportadores mundiais do produto, liderados pela brasileira Vale do Rio Doce, postura que contraria as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio).
    O site do Ministério do Comércio da China divulgou na semana passada medida que atrasa a emissão de licenças de importação de minério de ferro e ordena que nenhuma empresa aceite preços maiores que os praticados em 2005, especialmente se as operações forem realizadas com a Vale e as australianas Rio Tinto e BHP, as três maiores exportadoras.
    As medidas são vistas como uma interferência indevida do Estado em uma negociação comercial, já que cria situações artificiais na tentativa de forçar a redução do preço do minério de ferro. Se mantidas, as restrições poderão criar uma nova crise comercial entre Brasil e China, às vésperas da visita do vice-presidente José Alencar ao país asiático. 
    Em 2004, os chineses devolveram toneladas de soja importadas do Brasil, sob o argumento de que continham agrotóxicos, o que reduziu o preço do produto. Por enquanto, as determinações do Ministério do Comércio não reduziram as importações do minério de ferro. Com o forte crescimento do país asiático, que chegou a 9,9% em 2005, é difícil impedir a compra do produto, matéria-prima do aço, insumo fundamental para o setor industrial.
    A queda-de-braço entre exportadores de minério de ferro e siderúrgicas se repete no início de cada ano e o valor definido entre as partes vale pelos 12 meses seguintes, até a próxima discussão. No ano passado, o preço do produto foi reajustado em 71,5%. A pedido do Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Pequim solicitou esclarecimentos ao Ministério do Comércio da China sobre a posição do governo em relação à importação do produto.
    A intenção é saber se as restrições são uma política oficial. Se a resposta for afirmativa, estará clara a violação das regras da OMC, à qual a China aderiu em 2001. O passo seguinte será a reclamação direta ao governo, na tentativa de que reveja sua posição. Só na hipótese de um impasse seria considerado um recurso direto à OMC. A China produz 30% do aço do mundo e é o maior importador de minério de ferro. O país é o principal cliente da Vale e, em 2005, abocanhou 21,2% das 255,2 milhões de toneladas exportadas pela empresa.
    O Ministério do Comércio chinês abrandou ontem sua posição e, em um novo comunicado, afirmou que as regras valem apenas para o mercado à vista, nos quais os preços são negociados caso a caso. Ainda que essa seja a posição oficial, ela também implica interferência do poder público na definição de quantidades e preços de importação, o que viola as regras do livre comércio.
    A falta de clareza sobre a posição chinesa gera insegurança entre os exportadores. Na semana passada, a Austrália protestou contra a orientação do Ministério do Comércio e recebeu garantias de que não haveria restrições às exportações do minério de ferro do país.
    A nota de ontem foi interpretada por alguns jornais australianos como uma reafirmação das barreiras, ainda que parcial. O Brasil considera a China um parceiro estratégico e, em 2004, concedeu ao país asiático o status de economia de mercado, sob protestos da indústria brasileira.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Saúde, Segurança e Meio Ambiente
IBP debate impactos da revisão da NR-1 sobre saúde menta...
21/05/26
Energia elétrica
TAESA anuncia a aquisição de cinco concessões de transmi...
21/05/26
Meio Ambiente
WCA completa primeiro ano ampliando debates sobre mercad...
21/05/26
Mato Grosso
Setor elétrico de MT avança e prepara nova fase para ate...
21/05/26
Fenasucro
Combustível do Futuro consolida pioneirismo brasileiro e...
20/05/26
Parceria
Radix fecha parceria com Repsol Sinopec Brasil e PUCRS p...
20/05/26
GLP
Prime Energy amplia parceria com Supergasbras no Mercado...
19/05/26
Comunicação
Os bastidores da história da comunicação e da publicidad...
19/05/26
Resultado
Produção total de petróleo em regime de partilha bate re...
19/05/26
Biometano
Naturgy debate cenário de gás natural e oportunidades co...
19/05/26
BOGE 2026
Impacto da geopolítica global no setor de petróleo loca...
19/05/26
Dia Internacional da Mulher
IBP celebra Dia Internacional da Mulher no Mar e reforça...
19/05/26
Meio Ambiente
Refinaria de Mataripe acelera agenda ambiental com uso e...
19/05/26
Etanol
Diretor da Fenasucro & Agrocana debate avanço da bioener...
19/05/26
Leilão
PPSA comercializa cargas de Atapu e de Bacalhau em junho
18/05/26
Participação especial
Valores referentes à produção do primeiro trimestre de 2...
18/05/26
Apoio Offshore
Petrobras assina contrato de R$ 11 bilhões para construç...
18/05/26
Logística
Wilson Sons planeja expansão do Tecon Rio Grande para at...
18/05/26
Combustíveis
Etanol mantém baixa na semana, mas Paulínia esboça reaçã...
18/05/26
Fertilizantes
Fafen celebra retomada da produção de fertilizantes na Bahia
18/05/26
Conteúdo Local
ANP abre consulta prévia sobre regras de preferência a f...
15/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.