Eletricidade

China consome mais energia e amplia influência no setor

Valor Econômico
20/07/2010 08:51
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A China ultrapassou os Estados Unidos no ano passado como o país com o maior consumo de energia no mundo. O fato indica continuidade no aumento na demanda global por combustíveis, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), mas dá também uma ideia de como a China deve influir cada vez mais no modo como a energia é usada no mundo - do tipo de carro que é produzido ao tipo de usina elétrica que é construída.
 
"À medida que a China ultrapassa os Estados Unidos como a maior consumidora de energia do mundo, isso deixa de ser apenas uma questão doméstica para a China e passa a ter repercussões para o resto do mundo, não só em termos de abastecimento, mas também na maneira em que a energia é consumida", afirmou o economista-chefe da AIE, Fatih Birol. "Se a China usar carros elétricos, híbridos e assim por diante, eles irão impor essa linha de produção à maior parte do resto do mundo."
 
Além disso, o contínuo aumento do uso de energia cria para Pequim o problema de diminuir a emissão de gases-estufa sem prejudicar o crescimento do país.
 
A China consumiu, em 2009, 2,25 milhões de toneladas métricas de petróleo equivalente, na forma de carvão, gás natural, energia nuclear, petróleo, e fontes renováveis, disse Birol. Isso excede os 2,17 milhões de toneladas usadas pelos EUA.
 
 
"Quando olhamos os países que são motores para o crescimento da demanda global por energia - ou seja, China, Índia e o Oriente Médio-, eu fico um pouco mais otimista", disse Birol.
 
A China tem o crescimento mais acelerado entre as maiores economias do mundo e está prestes a se tornar a segunda maior, ultrapassando o Japão. O país registrou uma expansão de 10,3% no segundo trimestre, mesmo com medidas do governo para esfriar o crescimento.
 
O aumento do consumo global vai ocorre num momento em que os estoques mundiais de petróleo irão ficar "apertados" após 2015, por causa da queda de produção fora da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e do aumento na regulação de reservas de produtoras estatais, disse Birol.
 
Isso leva a outras questões geopolíticas e ambientais.
 
Autoridades ocidentais vêm expressando preocupação quanto à agressividade de Pequim em assegurar o acesso privilegiado ao petróleo de países como Cazaquistão, na Ásia Central, e Sudão, na África. No ano passado, a China se tornou o maior comprador da Arábia Saudita pela primeira vez.
 
 
Além disso, a China é também o maior emissor mundial de gases-estufa. O governo chinês, por seu lado, tem como meta que 15% de sua energia venha de fontes limpas, como a nuclear, até 2020.
 
 
Pequim dá sinais de que já se preocupa em diversificar sua matriz energética. Ontem, o governo central deu permissão para a Guangdong Nuclear Power Group Co., segunda maior construtora de usinas nucleares do país, para construir dois novos reatores na Província de Guangxi, no sul do China.
 
 
A primeira fase do projeto vai custar US$ 3,5 bilhões e terá dois reatores com capacidade de 1,1 mil megawatts cada. A construção vai ter início no fim deste mês e será completada em 2016.
 
O uso de energia nuclear vem sendo incentivado por Pequim como forma de diminuir a emissão de gases-estufa.
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