Gás

Cenário muda e país queima sobra de gás

Valor Econômico
19/08/2009 03:59
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O Brasil já teria sobra de gás natural para voltar a fechar contratos de longo prazo para consumo industrial, segundo estudo da consultoria Gas Energy. De acordo com o levantamento, hoje há uma sobra estrutural de 10 milhões de metros cúbicos diários (m3/d) de gás, ou seja, além da queda de consumo com o desaquecimento da economia e do aumento da oferta de energia hidrelétrica com a construção de usinas e chuvas abundantes.

 


Para Marco Tavares, sócio-diretor da Gas Energy, a Petrobras e o governo federal estão assumindo uma posição conservadora ao não disponibilizar esse gás à indústria. Segundo ele, o mercado de gás entrou numa lógica diferente de dois anos atrás, quando havia falta do combustível para o setor elétrico. “O cenário mudou, mas a estratégia de comercialização não”, diz.

 

A oferta de gás natural está em 63 milhões m3/d, considerando os 33 milhões m3/d de produção nacional mais os 30 milhões m3/d da Bolívia. O pico de demanda este ano foi de 42,5 milhões m3/d em maio, indicando um excedente de 20 m3/d, sem contar os 21 milhões m3/d de gás liquefeito (GNL) de Pécem (CE) e da Baía de Guanabara (RJ). “É possível dizer que há 40 milhões m3/d de gás não utilizados, e um quarto disso é sobra estrutural, que poderia ser comercializada.”

 

Para mostrar essa sobra, o estudo explica que mesmo despachando todas as usinas termelétricas em 2010 e 2011, algo em torno de 55 milhões m3/d, as sobras de gás natural seriam maiores que 10 milhões m3/d, considerando uma oferta de 105,9 milhões m3/d em 2010 e de 115 milhões m3/d em 2011. Tavares lembra que essa perspectiva ainda é ousada, já que o pico de despacho para as termelétricas até hoje foi de 20 milhões m3/d em fevereiro de 2008.

 


“Há um grande excedente, antes mesmo da entrada do pré-sal, que está sendo vendido em leilão de curto prazo ou sendo queimado”, diz Tavares. A queima de gás aumentou 68% de 2008 para 2009, chegando a 13,2 milhões m3/d em junho passado. “Por que esse gás não é disponibilizado para contratos?”, questiona o consultor.

 

Em vez de firmar contratos de longo prazo, a Petrobras tem optado por vender a energia excedente às distribuidoras no curto prazo, para entrega em dois meses. A sobra de gás chegou a 11,38 milhões m3/d, vendidos em dois leilões para entregas em agosto e setembro a preços até 36% mais baixos que o dos contratos em vigor. Ao todo, foram nove leilões este ano. Tavares considera a posição da Petrobras conservadora diante da perspectiva de aumento da oferta de gás. Com a entrada do pré-sal a partir de 2013, a projeção é de que sejam disponibilizados 154 milhões m3/d de gás em 2018.

 

As empresas que usam gás natural como matéria-prima – para a produção de fertilizantes e produtos petroquímicos – reivindicam a assinatura de contratos de longo prazo da Petrobras. Segundo Luiz Antônio Mesquita, diretor da Fosfértil e membro do conselho diretor da Abiquim, entidade que representa o setor, não há gás disponível para novos investimentos. Há inclusive um déficit para o atendimento do consumo atual de algumas companhias. “Louvamos os leilões, mas para nosso negócio é preciso ter garantia de fornecimento no longo prazo”, diz. A paridade de preço do gás com o óleo combustível também é um entrave importante aos investimentos do setor, segundo Mesquita.As empresas que usam gás natural como matéria-prima – para a produção de fertilizantes e produtos petroquímicos – reivindicam a assinatura de contratos de longo prazo da Petrobras. Segundo Luiz Antônio Mesquita, diretor da Fosfértil e membro do conselho diretor da Abiquim, entidade que representa o setor, não há gás disponível para novos investimentos. Há inclusive um déficit para o atendimento do consumo atual de algumas companhias. “Louvamos os leilões, mas para nosso negócio é preciso ter garantia de fornecimento no longo prazo”, diz. A paridade de preço do gás com o óleo combustível também é um entrave importante aos investimentos do setor, segundo Mesquita.

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