Mercado

Capitalização de bancos afeta a da Petrobras

Valor Econômico
30/08/2010 09:53
Visualizações: 780
A decisão do governo federal de aumentar o capital do BNDES e da Caixa Econômica Federal por meio da transferência de parte das ações da Petrobras que a União possui poderá ter consequências para a megacapitalização que a estatal planeja para setembro.

Ao transferir 2,48% do capital total da petroleira para o BNDES e para a Caixa, a fatia direta da União na empresa cai de 32,13% para 29,65%. O banco de fomento, por sua vez, passará a ter 9,26% do capital total, ante 7,66%, enquanto a Caixa, que não é acionista relevante, receberá 0,88%.

Em teoria, essa mudança pode ter duas implicações para a capitalização. A primeira delas é que, na hipótese de os dois bancos federais acompanharem o aumento de capital da Petrobras, a companhia receberá até R$ 3,7 bilhões a mais de caixa, caso a operação atinja o teto autorizado de R$ 150 bilhões. Se esses 2,48% continuassem com a União, essa parcela do aumento de capital estaria lastreada em barris do pré-sal.

Há dúvidas, no entanto, se os bancos estatais terão condições financeiras de acompanhar a capitalização ou se serão diluídos. No cenário do teto autorizado para o aumento de capital, o BNDES teria que colocar R$ 14,3 bilhões para manter uma participação de 9,26% na petroleira. A fatia da Caixa seria de R$ 1,5 bilhão.

Outra implicação que a mudança do quadro de acionistas da Petrobras traz é o aumento potencial do volume da operação. Isso porque, mantida a decisão de dar prioridade a todos os atuais acionistas, o tamanho da capitalização será proporcional à parcela que o governo colocar tendo como referência os barris de petróleo da camada pré-sal.

Tendo como base a participação de 32,13% que a União tinha no capital da Petrobras, se a oferta tivesse como referência o aporte de 3 bilhões de barris a US$ 8,5 cada um, a fatia do governo seria de US$ 25,5 bilhões e os minoritários entrariam com US$ 53,8 bilhões, no total de US$ 79,3 bilhões.
Mantidas as demais variáveis, mas com a mudança de participação, a União seguiria entrando com US$ 25,5 bilhões, mas o exigido dos minoritários passaria a ser de US$ 60,5 bilhões, o que levaria a oferta a US$ 86 bilhões.
Como o limite do aumento de capital autorizado é de R$ 150 bilhões, a transação total não pode ultrapassar US$ 85 bilhões, tendo em conta o câmbio a US$ 1,75.

Sendo assim, cresce também a visão de que a oferta começará com um volume bem menor que os 5 bilhões de barris, sendo que a parcela restante, para se atingir esse limite, será usada na subscrição das sobras dos minoritários, que não devem ter fôlego para acompanhar o aumento de capital na sua totalidade.

Do ponto de vista da União, a transferência das ações ao BNDES e à Caixa pode ser vista como uma espécie de venda no mercado secundário. Isso porque, no futuro, se os bancos venderem os papéis, repassarão o lucro ao governo por meio de dividendos.


 

A decisão do governo federal de aumentar o capital do BNDES e da Caixa Econômica Federal por meio da transferência de parte das ações da Petrobras que a União possui poderá ter consequências para a megacapitalização que a estatal planeja para setembro.

Ao transferir 2,48% do capital total da petroleira para o BNDES e para a Caixa, a fatia direta da União na empresa cai de 32,13% para 29,65%. O banco de fomento, por sua vez, passará a ter 9,26% do capital total, ante 7,66%, enquanto a Caixa, que não é acionista relevante, receberá 0,88%.

Em teoria, essa mudança pode ter duas implicações para a capitalização. A primeira delas é que, na hipótese de os dois bancos federais acompanharem o aumento de capital da Petrobras, a companhia receberá até R$ 3,7 bilhões a mais de caixa, caso a operação atinja o teto autorizado de R$ 150 bilhões. Se esses 2,48% continuassem com a União, essa parcela do aumento de capital estaria lastreada em barris do pré-sal.

Há dúvidas, no entanto, se os bancos estatais terão condições financeiras de acompanhar a capitalização ou se serão diluídos. No cenário do teto autorizado para o aumento de capital, o BNDES teria que colocar R$ 14,3 bilhões para manter uma participação de 9,26% na petroleira. A fatia da Caixa seria de R$ 1,5 bilhão.

Outra implicação que a mudança do quadro de acionistas da Petrobras traz é o aumento potencial do volume da operação. Isso porque, mantida a decisão de dar prioridade a todos os atuais acionistas, o tamanho da capitalização será proporcional à parcela que o governo colocar tendo como referência os barris de petróleo da camada pré-sal.

Tendo como base a participação de 32,13% que a União tinha no capital da Petrobras, se a oferta tivesse como referência o aporte de 3 bilhões de barris a US$ 8,5 cada um, a fatia do governo seria de US$ 25,5 bilhões e os minoritários entrariam com US$ 53,8 bilhões, no total de US$ 79,3 bilhões.
Mantidas as demais variáveis, mas com a mudança de participação, a União seguiria entrando com US$ 25,5 bilhões, mas o exigido dos minoritários passaria a ser de US$ 60,5 bilhões, o que levaria a oferta a US$ 86 bilhões.
Como o limite do aumento de capital autorizado é de R$ 150 bilhões, a transação total não pode ultrapassar US$ 85 bilhões, tendo em conta o câmbio a US$ 1,75.

Sendo assim, cresce também a visão de que a oferta começará com um volume bem menor que os 5 bilhões de barris, sendo que a parcela restante, para se atingir esse limite, será usada na subscrição das sobras dos minoritários, que não devem ter fôlego para acompanhar o aumento de capital na sua totalidade.

Do ponto de vista da União, a transferência das ações ao BNDES e à Caixa pode ser vista como uma espécie de venda no mercado secundário. Isso porque, no futuro, se os bancos venderem os papéis, repassarão o lucro ao governo por meio de dividendos.

 
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energy Summit
Energy Summit 2026: Tecnologias da Embrapii fortalecem a...
22/06/26
Energy Summit
Biodiesel e combustíveis renováveis entram no centro da ...
22/06/26
Gás Natural
ANP prorroga consulta pública sobre cálculo do Método do...
22/06/26
Rio de Janeiro
Anuário do Petróleo no Rio, da Firjan, destaca que recor...
22/06/26
Biometano
Com mercado cinco vezes maior desde 2020, setor de biome...
22/06/26
Petrobras
Com investimento estimado de US$ 1,2 bilhão, Petrobras a...
22/06/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em recuperação e mostra sinais de ...
22/06/26
Inteligência Artificial
Impacto industrial: Executivo brasileiro integra novo co...
20/06/26
Indústria Naval
Ecovix assina contrato para a construção de quatro navio...
19/06/26
Exportações
Para ONIP tributação sobre exportações de petróleo compr...
18/06/26
Aviação
Fórum IBP SAF reúne setor privado e agentes públicos par...
18/06/26
Pré-Sal
Consórcio de Libra liderado pela Petrobras contrata Cepe...
18/06/26
Eólica Offshore
Com representante no Comitê Diretor da CEM, o WFO reforç...
18/06/26
Combustíveis
ANP realiza segunda parte de audiência pública sobre car...
18/06/26
PPSA
Produção de petróleo da União atinge 187 mil barris por ...
18/06/26
ANP
ANP faz pesquisa para aprimorar sua Carta de Serviços
17/06/26
Resultado
Atlas Portuário do ES: portos capixabas movimentam 137,5...
17/06/26
Hidrogênio Verde
SENAI CIMATEC, HYTRON e PETROGAL BRASIL (JV Galp/Sinopec...
17/06/26
Apoio Offshore
Transporte aéreo no setor do petróleo cresce 21% em dois...
17/06/26
Pessoas
ENGIE Brasil nomeia Michele Schifino como diretora de Co...
16/06/26
Combustíveis
Propostas de resoluções sobre caracterização da elevação...
16/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.