Porto

CAP pedirá explicações à Praticagem de Santos

O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) enviará uma carta à Praticagem de Santos solicitando informações detalhadas sobre o encalhe de navios no Porto, provocado, segundo este órgão, pela baixa profundidade de alguns trechos do canal do de navega&cce

A Tribuna
22/08/2012 13:33
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O Conselho de Autoridade Portuária (CAP) enviará uma carta à Praticagem de Santos solicitando informações detalhadas sobre o encalhe de navios no Porto, provocado, segundo este órgão, pela baixa profundidade de alguns trechos do canal do de navegação do complexo. A intenção do colegiado é que a Praticagem se manifeste oficialmente indicando os dias, horários e as coordenadas dos pontos em que houve problemas com as embarcações.

A decisão de questionar a Praticagem foi tomada na manhã de terça-feira (21), durante a reunião mensal do CAP. Na sessão, o conselho priorizou a discussão do tema, após as considerações feitas pelo presidente da Praticagem, Fábio Mello Fontes, no último dia da 10ª edição do Santos Export - Fórum Internacional para Expansão do Porto de Santos.

Na ocasião, Fontes afirmou que, mesmo após a realização da dragagem de aprofundamento para 15 metros, cargueiros continuavam encalhando, já que alguns trechos ainda não atingiram a profundidade anunciada pela Codesp.

Apesar das críticas feitas por Fontes, a Marinha afirmou, na reunião do CAP, que não recebeu nenhuma notificação sobre embarcações encalhadas no complexo. Já a Docas garantiu que, em um mês, houve apenas um caso específico. Foi no último dia 29, em frente ao Terminal de Exportação de Veículos (TEV), na Margem Esquerda (Guarujá).

“Quando um navio raspa no fundo (do canal) ou encalha, o caso é notificado imediatamente às autoridades marítima e portuária. No Santos Export, o Fábio Fontes disse que encalha um navio toda semana e, para a nossa surpresa, a Marinha não tinha nenhuma notificação. O CAP, então, entendeu por bem mandar uma correspondência à Praticagem para que possam se explicar”, afirmou o presidente do CAP, Bechara Abdalla Neves.

Segundo ele, no encontro do colegiado promovido ontem - que contou com a participação de representantes da Secretaria de Portos (SEP) e da Codesp - não restou dúvidas de que a dragagem está sendo feita e de que a calha do canal de navegação (parte central) está com 15 metros. Apenas alguns trechos, onde estão os restos do Ais Giorgis e as pedras de Teffé e Itapema, ainda não atingiram a profundidade prevista no projeto da SEP.

“Em algumas áreas, até ultrapassa os 15 metros, chegando a 15,5, 16 metros. Como o navio pode ter encalhado se estamos com muito mais (profundidade) que a anterior?”, questionou o presidente do CAP.

Apesar da comprovação da profundidade pela SEP, Neves esclareceu que, oficialmente, o Porto ainda opera com os 12,5 metros, já que os 15 metros ainda não foram homologados pela Marinha.

Por enquanto, o processo está em fase de envio das batimetrias (exames que verificam a profundidade) pela Codesp à Capitania dos Portos. Até agora, já foram encaminhados os documentos dos trechos 1 (da entrada do Porto até o entreposto de pesca) e 2 (do entreposto de pesca à Torre Grande). A análise do material pela Autoridade Marítima demora cerca de 30 dias.

No caso do trecho 1, já foram necessários ajustes (manutenção), que estão em andamento. A Codesp, inclusive, vai se reunir hoje com a Marinha, no Rio de Janeiro, para discutir a homologação da profundidade do canal do Porto, conforme apurou A Tribuna. A confirmação da profundidade do complexo é feita pelo Centro de Hidrografia do órgão.


Outras áreas

A dragagem dos berços, seus acessos e das bacias de evolução também conta com um cronograma, apontou a estatal ontem. O trabalho inclui ainda obras de reforço do cais em alguns trechos, para evitar o desabamento quando for iniciada a retirada de sedimentos. A incompatibilidade entre a calha central e as demais áreas também foi criticada pela Praticagem, após o Santos Export.

“Tem um trecho que não precisa de reforço e, nele, já deve começar a dragagem agora. Paralelamente, naqueles que precisam de reforço - como não vou poder dragar (neles) pois a draga vai estar em outro ponto -, vão ser feitas as obras. Na medida em que acabar a dragagem, parte para o outro local (onde o reforço já terá sido finalizado). Isso está tudo sincronizado”, detalhou o presidente do CAP.
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