Investimentos

Bunge centra aportes em açúcar e álcool

Valor Econômico
18/06/2009 05:12
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A Bunge Alimentos, divisão da multinacional americana Bunge que lidera as exportações brasileiras de grãos e a moagem de trigo no país, está em vias de se consolidar, também, como um "player" relevante em açúcar e etanol.


De um pacote de investimentos iniciado em setembro de 2007 e que até o início de 2012 deverá somar R$ 2,3 bilhões, esta frente de negócios relativamente nova para o grupo representa R$ 2,1 bilhões. Com novas apostas em análise, que não estão incluídas no "pacote" e podem envolver outras aquisições, é provável que a expansão no segmento ganhe velocidade.


"O mercado vive um processo de consolidação, e somos consolidadores", afirma Sérgio Roberto Waldrich, presidente da Bunge Alimentos. Apesar da conjuntura ainda adversa para grandes apostas, outros grupos também estão em expansão no segmento, casos de Cosan, São Martinho, Louis Dreyfus e Tavares de Almeida, entre outros.


Waldrich garante que sua empresa não está preocupada em ser a maior da área, mas adianta que contar com um "pé forte" em São Paulo, maior polo sucroalcooleiro do mundo, está nos planos, ainda que não exista nada definido.


Foi a primeira aquisição da Bunge neste segmento que inaugurou o pacote de investimentos de R$ 2,3 bilhões. Localizada no Triângulo Mineiro, a usina Santa Juliana tinha capacidade para processar 800 mil toneladas de cana por safra, mas já foi ampliada para 2,5 milhões de toneladas e deverá chegar a 4,2 milhões em 2011.


A participação da Bunge na unidade é de 80%. Os demais 20% são da trading japonesa Itochu, num modelo de controle semelhante à divisão que ambas mantêm em um projeto de construção de usina em Pedro Afonso, Tocantins. Ali a capacidade total chegará a 4,4 milhões de toneladas de cana, mas no início das operações, programado para 2010, ela será de 1,4 milhão.


Uma unidade em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul, completa o atual trio de usinas da Bunge. A Monte Verde, que terá cogeração de energia elétrica e ainda receberá investimento de R$ 200 milhões até 2012, faz parte do pacote e deverá começar a rodar em agosto, com capacidade inicial também de 1,4 milhão de toneladas por safra (1,6 mil empregos diretos) e planos para chegar a 4,5 milhões.


"Em três ou quatro anos", diz Adalgiso Telles, diretor corporativo da Bunge no Brasil, a área de açúcar e álcool "será representativa no portfólio da companhia". Hoje, diz Waldrich, as operações com grãos, sobretudo soja, respondem por cerca de 65% do faturamento da Bunge Alimentos, que em 2008 atingiu R$ 23,4 bilhões - 40% mais que em 2007. Na divisão Fertilizantes, a receita líquida foi de quase R$ 8 bilhões em 2008.


Os negócios com soja também estão sendo ampliados. A empresa inaugura hoje, em Nova Mutum (MT), sua nona esmagadora no país, a partir de um aporte de R$ 150 milhões em recursos próprios. O projeto foi inicialmente pensado para Sorriso, mas este município, ao contrário de Nova Mutum, está situado no bioma amazônico.


Com a segunda indústria de soja em Mato Grosso, esta com capacidade para processar 4 mil toneladas por dia, a capacidade total de industrialização da empresa no país chegará a 10 milhões de toneladas de soja por ano, para uma safra total nacional que gira em torno de 60 milhões de toneladas.


Na área de milho, onde a Bunge é forte na safrinha de inverno e por isso aproveita a estrutura que trabalha com soja no verão, a empresa já movimenta 5 milhões de toneladas por safra, destinadas aos mercados doméstico e externo.


No trigo, onde domina 30% da moagem brasileira, a múlti tem inauguração programada para agosto. A unidade de Suape, Pernambuco, a oitava no grupo nesta frente, absorveu R$ 126 milhões, está em fase pré-operacional e terá capacidade para 825 mil toneladas anuais, a maior da América do Sul.


Com os novos investimentos, Waldrich reitera que a Bunge tem uma "visão consistente" sobre o país e seu setor de agronegócios. E prevê crescimento em 2009.
 
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