Mineração

Bucyrus e Vale fecham acordo global

Valor Econômico
07/08/2008 04:36
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A Bucyrus, uma das maiores fabricantes de equipamentos pesados para mineração do mundo, acaba de fechar contrato com a Companhia Vale do Rio Doce para o fornecimento de 30 escavadeiras de grande porte, a serem entregues nos próximos cinco anos. A primeira máquina, que pesa 1,5 mil de toneladas e mede 21 metros de altura, já foi embarcada e chega ao Brasil no próximo mês, vinda da fábrica de South Milwaukee, Wisconsin (EUA), para ser montada na mina de ferro do Cauê, explorada pela Vale em Itabira (MG). 


O contrato foi firmado pela filial brasileira e tem amplitude mundial, prevendo o atendimento da Vale em todos os países em que a mineradora atua. "É um dos nossos contratos mais relevantes", diz Marcus Berto, que além de comandar os negócios da Bucyrus no Brasil, ocupa a vice-presidência de desenvolvimento do grupo americano no mundo. O valor do acordo celebrado entre as duas companhias não foi informado, mas cada escavadeira, que leva 18 meses para ser montada, custa em média US$ 20 milhões. 


Dessa forma, alcançando cerca de US$ 600 milhões nos próximos cinco anos, a transação corresponderia a mais de 50% das vendas de US$ 1,1 bilhão apuradas pela Bucyrus no primeiro semestre deste ano. Mas o contrato poderá ser ampliado, chegando a um volume ao redor dos US$ 700 milhões, para a entrega de mais cinco escavadeiras, totalizando 35 máquinas. "Tudo vai depender da dimensão dos projetos da Vale que iremos atender", comenta Marcus Berto. Segundo o executivo, das trinta escavadeiras encomendadas inicialmente, dez já contam com ordem de compra. 


A parceria abarca igualmente a prestação de serviços e assistência técnica a todas as operações da Vale no Brasil e no exterior. "Foi feito um único contrato ´guarda-chuva´, permitindo adequá-lo às legislações de cada localidade", explica Renato Mascarenhas Alves, do escritório Grebler Advogados, que assessorou a Bucyrus na transação. 


Segundo Marcus Berto, esse acordo reforça a posição do Brasil no mapa dos negócios mundiais da Bucyrus e abre a perspectiva para o grupo americano alavancar sua presença junto às mineradoras de ferro, que ainda não são expressivas no portfólio da empresa. O grupo americano tem 52 unidades espalhadas por cinco continentes. 


No ano passado, apenas 2% das receitas totais foram originadas nas vendas feitas às mineradoras de ferro - bem abaixo da participação de 73% das produtoras de carvão, que são supridas, principalmente, com grandes equipamentos para mineração subterrânea. "Queremos crescer bastante no segmento de ferro", afirma Marcus Berto. Segundo ele, há três anos, a Bucyrus mapeou o mercado mundial dessa matéria-prima e percebeu as tendências de um forte ciclo de expansão, decidindo ampliar as instalações de sua fábrica de South Milwaukee, a partir de investimentos de US$ 200 milhões. "Acreditamos que esse ciclo de crescimento se estenderá por pelo menos mais dez anos", afirma o executivo. 


Nesse cenário, o Brasil tem papel estratégico para a Bucyrus, onde está presente há 25 anos e mantém uma fábrica de peças na cidade de Vespasiano (MG) e mais sete unidades de negócios para atender seus nove clientes no país, entre os quais a Vale e a mineradora de ouro Kinross. No ano passado, a América Latina - onde a companhia americana conta também com representações em Lima (Peru) e Antofagasta (Chile) - respondeu por 14% das receitas. "Essa participação vai aumentar, motivada pelo contrato que firmamos com a Vale e outros negócios", diz Marcus Berto, sem revelar as metas da empresa para a região. 


Mas o executivo lembra que o mercado latino americano mostra sinais vigorosos de crescimento. Somente a Vale tem investimentos planejados de US$ 59 bilhões entre 2008 e 2012. "Grande parte desses recursos será aplicada no Brasil", diz Berto. 

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