Petroquímica

Braskem será sócia da Petrobras em fábrica de resina em Paulínia

Valor Econômico
09/11/2004 00:00
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A Braskem, maior empresa petroquímica da América Latina, será a sócia da Petrobras na fábrica de polipropileno em Paulínia, localizada em São Paulo. A informação foi confirmada ontem ao Valor pelo diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.
"Fizemos uma avaliação de que trata-se de uma unidade pequena e que precisa de apenas dois sócios: a Petrobras e a Braskem", disse o diretor da estatal.
A Petrobras fornecerá o propeno - a matéria-prima - e participará do projeto para produzir 300 mil toneladas anuais da resina, usada na fabricação de um dos plásticos de maior potencial de demanda.
A fábrica, que deve receber investimentos de US$ 200 milhões a US$ 220 milhões, deve entrar em operação até o fim de 2006.
Segundo Costa, os acertos finais da modelagem societária, acordo de acionistas e a engenharia financeira do projeto ainda estão sendo negociados e o acordo deve ser assinado até dezembro.
O executivo disse que a Petrobras fornecerá propeno de duas unidades localizadas em São Paulo: a Refinaria de Paulínia (Replan) e a Refinaria Henrique Lage (Revap), localizada em São José dos Campos.
Com o projeto, a Petrobras volta a participar de um empreendimento de segunda geração no setor petroquímico - a etapa posterior à produção dos produtos fabricados nas centrais de matérias-primas. A estatal saiu deste setor com a privatização nos anos 90.
O diretor de abastecimento voltou a reiterar que o plano estratégico da Petrobras, anunciado em maio, prevê uma participação mais ativa da estatal nos negócios petroquímicos, além do simples fornecimento de matéria-prima. "Vamos ter uma posição ativa", disse.
A Braskem, controlada pelos grupos Odebrecht e Mariani, já produz polipropileno no Rio Grande do Sul, no pólo petroquímico de Triunfo, e em Camaçari, no pólo baiano.
Nos últimos dias, os executivos da Braskem davam como certa a participação da empresa na fábrica de polipropileno. Ao anunciar na semana passada os resultados do terceiro trimestre, quando lucrou quase R$ 500 milhões, o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, disse que parte dos R$ 600 milhões previstos para os investimentos em 2005 já contemplariam a fábrica de Paulínia. Só faltava a confirmação da Petrobras.
A unidade de polipropileno vinha sendo disputada por outros grupos, como a Polibrasil, joint-venture entre o grupo Suzano e Basell. O grupo Suzano havia sugerido um modelo tripartide incluindo Petrobras, Braskem e Polibrasil.
Procurado pelo Valor, o presidente de Polibrasil, José Ricardo Roriz, disse que gostaria de saber os critérios técnicos da Petrobras para a escolha da Braskem. "Trata-se de uma concentração de mercado que não é boa para o Brasil nem para as mais de 8 mil indústrias de terceira geração (fabricantes de plásticos)", disse Roriz.
O executivo da Petrobras rebateu a crítica: "A primeira coisa que fiz questão de fazer foi consultar o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a empresa teria uma concentração abaixo de 40% do mercado de polipropileno. Não haverá concentração", garantiu.

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