Hidrelétrica

Brasil quer construir pequena usina no Haiti

Valor Econômico
14/12/2009 09:47
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O Brasil quer incentivar o desenvolvimento da infraestrutura do Haiti com a construção de uma usina hidrelétrica e, com isso, acelerar a meta de estabelecimento da paz. As forças militares brasileiras estão no país desde 2004. No mês passado, a Braengcoy - brigada brasileira de engenharia das Forças de Paz - começou o levantamento topográfico e a coleta de informações no Departamento Central do Haiti, onde deverá ser instalada a usina.

 

A hidrelétrica de Artibonite 4C terá potencial de 32 megawatts e ficará a 60 quilômetros de Porto Príncipe, capital haitiana. O projeto, tocado pelo Exército, está orçado em US$ 2,9 milhões, e a construção tem custo previsto de US$ 150 milhões.

 

A capacidade de geração pode parecer minúscula para os padrões brasileiros, mas é relevante para a infraestrutura energética do Haiti, que hoje é muito deficiente, segundo o Ministro da Defesa, Nelson Jobim. No Brasil, essa Pequena Central Hidrelétrica (PCH) seria suficiente para abastecer apenas uma cidade como Itapetininga (SP), com população de 140 mil habitantes. No entanto, como no Haiti as famílias possuem menos equipamentos eletrônicos e convivem há muito tempo com escassez de energia, a Braengcoy estima que a usina deverá atender a 500 mil habitantes do país.

 

A energia pública no Haiti hoje é precária, com geração em apenas uma PCH e outras poucas termelétricas a diesel. A produção em 2007 foi de 448 milhões de KWh ou 0,5% do que foi produzido em Itaipu. Em diversas regiões, há eletricidade apenas em um período curto do dia. À noite, o cenário é de escuridão em quase toda a cidade de Porto Príncipe, a capital do país. A exceção é a região mais rica da cidade, onde o uso de geradores privados é praticamente contínuo. "Tem energia apenas quem tem dinheiro no Haiti", diz o ministro.

 

Segundo o General de Divisão R1 José Rosalvo Leitão de Almeida, que chefia a equipe do projeto Artibonite 4C, a construção da PCH deverá reduzir, ainda, a dependência do país da importação de petróleo. Como não há produção nacional de derivados do petróleo, as termelétricas são acionadas apenas com diesel importado, explica.

 

Além da energia elétrica, também há deficiência na distribuição de gás de cozinha. Segundo Jobim, não se vê árvores pelo país. O desmatamento foi promovido principalmente para o uso residencial no Haiti. Em um sobrevoo pelo país, percebe-se que quase não existem árvores, o que também prejudica o escoamento da água em tempestades ou furacões - que são comuns na região - e leva a inundações de grande porte, diz um militar brasileiro que atuou no país.

 

A construção da usina faz parte de um projeto maior das Forças de Paz - chefiadas pela equipe brasileira desde 2004 - de construir um polo industrial têxtil no Haiti. Diálogos têm sido feitos com o governo dos EUA para que, com isenções de taxas, haitianos possam exportar roupas para os EUA. O Ministro Nelson Jobim tem mantido também conversas com a Fundação Clinton, do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, para obter parte dos recursos para esse projeto.

 

De acordo com Jobim, o lago a ser formado para assegurar a geração de energia por mais tempo na usina de Artibonite também poderá ser usado para irrigação do sistema agrícola do país. No entanto, a forma como isso se dará dependerá da decisão soberana do governo do país. Segundo o general Rosalvo, a equipe de topografia está mapeando três possíveis lugares próximos para a construção da barragem. O governo local deverá escolher o ponto exato da construção, levando em conta o impacto sobre as famílias da região.

 

A falta de energia elétrica e iluminação pública torna o Haiti mais inseguro, na visão de militares enviados ao país. Atualmente, o Brasil tem 1266 homens no Haiti. Esse pessoal é substituído a cada seis meses, porque a meta do governo é ter o maior número de contingente com experiência de batalha assimétrica no país.

 

Depois de elaborado o projeto - que tem recursos do Ministério das Relações Exteriores (MRE) -, a construção da usina poderá ser licitada em concorrência internacional, comentou Jobim. O levantamento para as obras da usina de Artibonite é feito para área da barragem com aproximadamente 330 hectares e para a região do canal de irrigação, com 2 quilômetros de extensão. A equipe da Braengcoy nessa missão tem dez militares e quatro haitianos.

 

Segundo Jobim, não há data específica para o Exército brasileiro deixar o Haiti. Entre as estratégias de saída discutidas com o Departamento de Manutenção da Paz da Organização das Nações Unidas (DPKO, na sigla em inglês) estão questões de infraestrutura urbana e de produção como elementos necessários para permitir a saída. Porém, o mandato da ONU não prevê o uso das tropas brasileiras em projetos de infraestrutura, tendo sido necessária permissão para os estudos da PCH, combinados entre os presidente de Haiti e Brasil.

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