Sustentabilidade

Brasil é um dos países em detaque no mercado de créditos de carbono

Apesar de países em desenvolvimento e industrializados, como China e Índia, ainda serem os líderes nesse mercado, nos últimos 18 meses as negociações de créditos de carbono vêem aumentado consideravelmente no mercado brasileiro. Nem mesmo a crise econômica mundial tem influenciado diretamen

MaxPress
17/11/2008 09:54
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Quando o assunto é meio ambiente e sustentabilidade não podemos deixar de falar sobre os chamados créditos de carbono. Sua negociação com empresas estrangeiras tem gerado riqueza para diversas economias, inclusive para o Brasil. Apesar de países em desenvolvimento e industrializados, como China e Índia, ainda serem os líderes nesse mercado, nos últimos 18 meses as negociações de créditos de carbono vêem aumentado consideravelmente no mercado brasileiro.

 

Para se ter idéia, há alguns meses a Mercuria Energy Trading, empresa suíça de energia com sede em Genebra, arrematou os créditos de carbono colocados à venda no segundo leilão realizado no ano em São Paulo, na BM&F Bovespa. Foram ofertados 713 mil títulos, que correspondem às emissões de poluentes que deixaram de ser lançadas na atmosfera pelos aterros sanitários da capital.

 

Segundo Maurício Maruca, diretor da Araúna Energia e Gestão Ambiental, empresa pioneira na negociação de créditos de carbono no Brasil, o país não tem do que reclamar. Ao longo de seus cinco anos de existência, a empresa desenvolve trabalhos de queima do gás metano em aterros sanitários e negociação dos CER's provenientes destes projetos com empresas internacionais. "Apesar de ser um mercado bastante volátil, pois o preço que é contado em Euro varia bastante de país para país, temos obtido ótimos resultados em nossas negociações com empresas estrangeiras", diz Maruca.

 

Nem mesmo a crise econômica mundial desencadeada pelos EUA, e que tem sido motivo de desespero para os mais diversos mercados, tem influenciado diretamente a compra e venda dos créditos de carbono. Maurício explica que "sem dúvida o mercado de carbono, assim como todos os outros, sofreu com as altas e baixas dos mercados financeiros, mas esta oscilação de preços tem acontecido dentro de um patamar estreito".

 

Outro ponto relevante para o gestor ambiental é que este mercado, além de movimentar a economia nacional, também gera empregos, já que os projetos precisam de equipes de profissionais qualificados e treinados. "A grande diferença dos nossos créditos de carbono está na qualidade, pois todos os projetos que hoje realizam este tipo de negociação estão devidamente implementados seguindo a normas da ONU. Isso, muitas vezes não acontece nos outros dois maiores mercados de CER's, China e Índia. Tanto que empresas estrangeiras tem se voltado para a comercialização com o Brasil", ressalta Maruca.

 

O país com o vencimento de maior liquidez do mercado, os EUA, negociou para dezembro deste ano, uma cotação entre 22,00 e 25,50. Já no último leilão organizado em São Paulo, a média de preço dos CER's foi de 19,20 (R$ 51,83) somando um total de quase R$ 37 milhões em negócios. Ou seja, isto demonstra que o Brasil está próximo dos outros mercados. Mesmo comparando o seu volume de negócios a outros países, o Brasil apresenta uma fatia expressiva deste setor com possibilidade de crescimento.

 

Para o gestor ambiental, apesar de convênios como o firmado recentemente entre a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT) e o governo japonês para destinar US$ 1 milhão para o desenvolvimento do mercado de carbono no Brasil, o incentivo ainda é tímido. Ele afirma que faltam estímulos para uma série de estudos sobre a estruturação e implementação do mercado, de acordo com as metas aprovadas pelo Protocolo de Kyoto. "Outro ponto que necessita uma atenção especial é a regulamentação que deve ser realizada de maneira sistemática pelo Governo", conclui Maurício.  

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