América do Sul

Brasil e Bolívia poderão desenvolver projetos na área de energia hidrelétrica

Dentro da meta de dar eletricidade a todos os bolivianos, o governo da Bolívia entende como estratégica a integração energética com o Brasil e estuda o desenvolvimento de projetos conjuntos, aproveitando a experiência da Eletrobras. Não está descartada, inclusive, a venda de energia excedent

Agência Brasil
27/07/2010 09:23
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Dentro da meta de dar eletricidade a todos os bolivianos, o governo da Bolívia entende como estratégica a integração energética com o Brasil e estuda o desenvolvimento de projetos conjuntos, aproveitando a experiência da Eletrobras. Não está descartada, inclusive, a venda de energia excedente para o mercado brasileiro.
 
 
“Temos que diversificar a matriz energética do país e um dos objetivos é desenvolver projetos com energias alternativas, como hidroeletricidade, geotérmica, potencial eólico [dos ventos] e solar”, disse o vice-ministro de Eletricidade e Energias Alternativas daquele país, Roberto Peredo Echazú, ao participar ontem (26) do Seminário Internacional de Integração Energética Brasil-Bolívia.
 

A Bolívia possui um potencial estimado de 40 gigawatts (GW), do qual apenas 1% é utilizado no momento. Por isso, o governo boliviano desenvolveu uma política intensiva de realização de projetos de centrais hidrelétricas. Parte dessas centrais está localizada próximo da fronteira com o Brasil. “Portanto, o mercado natural deveria ser o Brasil”, afirmou Echazú. 
 

As embaixadas dos dois países já iniciaram conversações sobre a possibilidade de realização de projetos conjuntos. O vice-ministro assegurou que a experiência da Eletrobras é muito importante para auxiliar na reestruturação da estatal boliviana Empresa Nacional de Eletricidade (Ende). “A Empresa Nacional de Eletricidade foi uma grande empresa em Bolívia. Mas, produto das políticas neoliberais, acabou quase completamente desmantelada. O Plano Nacional de Desenvolvimento traçou várias políticas para refundar essa empresa”, disse. 
 

Esse seria o início da colaboração energética bilateral, incluindo o intercâmbio de experiências, sinalizou Echazú. Ele não prevê, contudo, financiamento brasileiro à reestruturação da Ende, mas apenas em projetos específicos, associado a investimentos bolivianos. A reestruturação da Ende foi iniciada no dia 1º de maio com a nacionalização das subsidiárias que foram capitalizadas, entre as quais três geradoras de energia. “Nesse mesmo processo de refundação da Ende, é muito importante para nós conhecermos as experiências dos países vizinhos. E o Brasil é uma referência nesse sentido”, afirmou.
 
 
Uma das alternativas é que o Brasil ajude a Bolívia a construir usinas e o governo boliviano venda depois essa energia para o Brasil. “Pode ser uma opção. Não é a única. E não será efetivada se nós não entendermos assim”. O vice-ministro admitiu que o tratado firmado recentemente pelo Brasil com o Peru poderia servir de base para uma negociação com a Bolívia, embora as condições sejam distintas. Acrescentou que a construção de linhas de transmissão associadas à geração hidrelétrica terá de ser estudada, uma vez que o país não conhece profundamente o mercado brasileiro.
 

Não há interesse da Bolívia em desenvolver projetos a partir do gás natural em parceria com o Brasil, porque a geração térmica é subvencionada na Bolívia. “Se vende energia a um preço muito barato”. Echazú esclareceu que o governo de seu país entende como mais lucrativo desenvolver empreendimentos com gás para vender ao exterior, a um preço mais elevado.
 

O governo de Evo Morales considera mais factível desenvolver fontes alternativas de energia, de modo a poder vender o gás a países da região, entre os quais, além do Brasil, o Chile, Peru, Paraguai e a Argentina, “que são todos países com problemas energéticos. E essa é uma oportunidade que a Bolívia não pode desprezar”.
 

Perguntado sobre a possível integração energética com a Bolívia, o superintendente de Operações Internacionais da Eletrobras, Sinval Gama, disse que a empresa está participando do seminário mais como ouvinte. “A Eletrobras veio mais ouvir o que existe de oportunidades na Bolívia, para ver o que é bom e ruim. No fundo, a Eletrobras está ouvindo [para ver] se isso efetivamente é algo que a gente possa maturar mais”, disse Gama.
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