Construção Naval

Brasbunker construirá 5 barcos de apoio nos EUA

De acordo com o presidente do grupo, Marcelino José Nascimento, a empresa tem 78 embarcações em operação, das quais 40 dedicadas ao transporte de combustível em Paranguá, Santos, Rio de Janeiro, Vitória e Recife. Detém ainda 38

Valor Econômico
02/01/2012 12:00
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A Brasbunker, empresa brasileira criada por portugueses na década de 1960, encontrou nos Estados Unidos uma alternativa para acelerar o crescimento da frota própria de barcos de apoio marítimo no Brasil. O grupo, que tem como sócio o BTG Pactual, captou US$ 249 milhões com investidores institucionais, com o aval do Tesouro americano, para construir cinco barcos no estado da Flórida. O plano é fazer as embarcações operarem no Brasil, onde a demanda da indústria de petróleo é crescente, mas existe a possibilidade de a Brasbunker também utilizar os barcos no Golfo do México.

Os recursos fazem parte de investimento maior, da ordem de R$ 2 bilhões, que a Brasbunker planeja aplicar em cinco anos para ampliar a frota de embarcações, disse Marcelino José Nascimento, presidente do grupo. O investimento considera, além da captação no mercado americano, o desembolso de R$ 1,5 bilhão, dos quais 85% financiados pelo Fundo da Marinha Mercante (FMM), fonte de financiamento de longo prazo para a indústria naval e offshore no Brasil. O agente financeiro na operação da Brasbunker junto ao FMM é o Banco do Brasil e a empresa vai participar do investimento colocando 15% em recursos próprios.

A Brasbunker foi fundada pelo pai de Nascimento e por um tio. Em 1962, começou a fazer o transporte marítimo de combustível em portos do país. Essa ainda é uma das principais atividades do grupo, que também passou a oferecer serviços de proteção ambiental contra vazamentos marítimos de petróleo e derivados. O apoio marítimo é outro foco da empresa, que é controlada por uma holding familiar, a Rio Alva, com 64%. O BTG Pactual tem 36%. A empresa não divulga o faturamento.

A empresa, diz ele, tem 78 embarcações em operação, das quais 40 dedicadas ao transporte de combustível em Paranguá, Santos, Rio de Janeiro, Vitória e Recife. Detém ainda 38 barcos em operação no apoio offshore, sendo oito próprios e 30 de terceiros (armadores estrangeiros).

O objetivo da empresa é construir 23 novos barcos de apoio marítimo - 18 no estaleiro do grupo em São Gonçalo (Grande Rio) e cinco na Flórida. Segundo Nascimento, a decisão de contratar as embarcações no estaleiro Eastern Shipyard, em Panamá City, na Flórida, levou em conta a velocidade da demanda por essas embarcações no mercado brasileiro. O estaleiro do Rio, apto a construir quatro barcos de apoio por ano, não teria como atender a demanda.

O processo para encomendar os barcos no mercado americano levou três anos e exigiu o cumprimento de diversas exigências feitas pela Maritime Administration (Marad), órgão ligado ao Departamento de Transportes dos Estados Unidos. Com o aval da Marad, em 19 de dezembro o banco JP Morgan emitiu um título em nome da Boldini, subsidiária da Brasbunker com sede nas Ilhas Marshall, no Oceano Pacífico, um Estado associado aos Estados Unidos. A emissão do título foi garantida pela Brasbunker Participações S.A., holding do grupo, e contou com o aval do Tesouro americano, disse Nascimento.

O executivo disse que os títulos foram comprados por investidores institucionais, como fundos de investimento. A Boldini terá quatro anos de carência e 20 anos de prazo para pagar os títulos, que têm juros de 3,6% ao ano. A operação terá contrapartida da Brasbunker, com recursos próprios, uma vez que a operação aprovada pelo Marad vai apoiar 82,5% do investimento nos cinco barcos, que terão bandeira das Ilhas Marshall, mas poderão operar no Brasil. Nascimento disse que o custo financeiro obtido nos EUA para construção das embarcações é semelhante ao do Fundo da Marinha Mercante, no Brasil.
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