Indústria Naval
Projeto estrutura cadeia integrada e amplia oportunidades industriais na região
Redação TN Petróleo/Assessoria
A BR Offshore realizou neste sábado (21) a cerimônia de lançamento da pedra fundamental de seu novo complexo logístico e industrial em Barra do Furado, empreendimento localizado entre os municípios de Campos dos Goytacazes e Quissamã. Estiveram presentes o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho; o prefeito de Quissamã, Marcelo Batista; o deputado federal Julio Lopes; e os deputado estaduais Douglas Ruas e Bruno Dauaire, entre outras autoridades.
O projeto integra o Complexo Logístico e Industrial Farol/Barra do Furado e mira atender à crescente demanda por serviços de apoio offshore, reciclagem de embarcações e, futuramente, à cadeia de energia eólica em alto-mar.
Ao iniciar sua fala, Ricardo Vianna, presidente da BR Offshore, se emocionou ao lembrar dos sócios Paulo Sales e Carlos Eduardo Veiga, já falecidos, que foram muito importantes nessa trajetória. “Eles foram fundamentais nessa caminhada e, principalmente, por terem depositado em mim toda a confiança para o desenvolvimento desse projeto”, afirmou.
O complexo prevê investimentos de até cerca de R$ 850 milhões ao longo de suas fases. O início das obras da primeira etapa está previsto para este ano, com conclusão total até 2028. “Um empreendimento desse tipo demanda a criação de toda uma linha de logística. Não é um investimento pontual, é um investimento relevante que trará a reboque toda uma cadeia de fornecedores de equipamentos e serviços, e abrirá espaço para outras oportunidades industriais", explicou Ricardo.
O presidente destacou ainda que hoje existe uma demanda mundial e é necessário estar preparado para atendê-la. “Essa é uma oportunidade ímpar para o Brasil, para o estado do Rio de Janeiro e para Barra do Furado. Quando começamos a olhar para isso, há cerca de três anos, vimos o potencial da região: de frente para a Bacia de Campos, que volta a crescer, e com perspectivas muito concretas para a eólica offshore. O norte do estado reúne condições ideais, com ventos consistentes e proximidade com os centros de carga, o que nos coloca na posição certa para desenvolver essa cadeia. A reciclagem de embarcações é parte central disso. Não se trata apenas de desmantelar, mas de recuperar esse aço, que volta para a indústria siderúrgica brasileira, contribuindo para a descarbonização e para a transição energética. O Brasil já tem um dos aços com menor emissão de carbono e, com a reciclagem, conseguimos avançar ainda mais nesse processo”, relatou.
A expectativa é de geração de até 800 empregos diretos e aproximadamente 3.200 indiretos quando o complexo estiver em operação.
O empreendimento abrigará uma instalação de reciclagem de embarcações projetada de acordo com normas nacionais e internacionais de desmantelamento naval, além de uma base de apoio offshore voltada ao segmento de óleo e gás (O&G). A estrutura também estará preparada para atender à demanda das usinas eólicas offshore, cujos leilões devem avançar após a regulamentação da Lei Federal nº 15.097, que disciplina o aproveitamento do potencial energético offshore no país.
Localizado em posição estratégica, de frente para as principais plataformas da Bacia de Campos, o complexo surge em um momento de expansão das atividades de descomissionamento e reciclagem de embarcações no Brasil.
A Petrobras prevê investimentos de até US$ 9,9 bilhões nos próximos cinco anos em descomissionamento e reciclagem de sistemas de exploração de O&G, com destaque para unidades instaladas na Bacia de Campos.
No cenário global, projeções indicam que cerca de 2.800 embarcações deverão ser recicladas até 2035, quase o dobro do volume estimado para 2026, o que reforça a demanda por novas instalações especializadas.
Nesse contexto, o Brasil pode se consolidar como um hub relevante de reciclagem de embarcações em escala global.
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