Gás natural
Valor Econômico
O Congresso boliviano aprovou ontem a antecipação da eleição presidencial para dezembro deste ano, numa iniciativa que tem por objetivo pôr fim à instabilidade social e política que obrigou Carlos Mesa a deixar a Presidência no mês passado.
Segundo o acordo político, as eleições gerais - e pela primeira vez diretas -, para governadores provinciais serão realizadas em 4 de dezembro. Segundo o cronograma institucional, as próximas eleições viriam a ser disputadas somente em agosto de 2007.
O acordo também abre o caminho para a realização de eleições visando a formação de uma Assembléia Constituinte e para a realização, em 6 de julho de 2006, de um plebiscito sobre a autonomia regional.
Winston Moore, um analista político da capital La Paz, disse que o acordo provavelmente resultará em um raro período de paz social nesse profundamente dividido país andino. "A polaridade entre esquerda e direita que manifestava-se nas ruas agora irá expressar-se no ciclo eleitoral", disse Moore.
A estatização das grandes reservas bolivianas de gás e a formação de uma Assembléia Constituinte eram as exigências fundamentais de manifestantes radicais que paralisaram o país durante semanas, neste ano, com dezenas de bloqueios viários improvisados. Os protestos que derrubaram Mesa tiraram do poder também o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003.
Por outro lado, os ricos departamentos (Estados) de Santa Cruz e Tarija, onde localizam-se as reservas bolivianas de gás - estimadas em 48,7 trilhões de pés cúbicos -, de longa data exigiam sua autonomia regional. Espera-se que o acordo negociado no Congresso suspenderá a planejada realização de um referendo ilegal sobre a autonomia marcado para o mês que vem.
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