América do Sul

Bolívia assume produção de petróleo e gás no país

Jornal do Commercio
03/05/2007 00:00
Visualizações: 1424

Pouco depois das 6 horas de ontem, a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) tornou-se oficialmente proprietária de toda a produção de petróleo e gás no país, relegando as empresas estrangeiras ao papel de prestadoras de serviço. O marco da mudança foi o registro, num cartório de La Paz, de quase todos os 44 contratos negociados no ano passado entre a YPFB e 12 empresas que exploram hidrocarbonetos na Bolívia entre elas a brasileira Petrobrás, a espanhola Repsol e a francesa TotalElf.

"Com esses contratos, as empresas aceitam que serão simplesmente sócias (do Estado boliviano) e não mais donas da produção de hidrocarbonetos", disse o presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, antes de uma visita de inspeção a uma petrolífera na região de Santa Cruz. "Elas não são mais os patrões."

Enquanto os representantes das empresas e do governo boliviano participavam da cerimônia de registro dos contratos, cerca de 80 técnicos da YPFB se dirigiram para as instalações das petrolíferas em toda a Bolívia. "Eles anotarão os dados (que marcam o volume de produção) do medidor e, de agora em diante, tudo o que se produzir será nosso, do Estado boliviano", disse Aruquipa, após garantir que isso seria feito de forma pacífica, "sem o apoio das Forças Armadas ou da polícia nacional".

Prazos - A contar de hoje, as empresas estrangeiras têm prazos de 90 a 180 dias (varia de acordo com o contrato) para submeter à aprovação da YPFB seus planos de investimento e desenvolvimento. Os contratos que entraram em vigor ontem reduzem bastante o dinamismo e a margem de lucro das petrolíferas estrangeiras em relação aos que regulavam a atividade dessas empresas antes do decreto que nacionalizou, em 1° de maio do ano passado, a produção de hidrocarbonetos na Bolívia.

A partir de agora, as petrolíferas estrangeiras terão de prestar contas de todas as suas decisões para a YPFB (que poderá vetar projetos e licitações), ficando à mercê da burocracia e desmandos da estatal boliviana. Ao menos 12% da produção dos poços deverão ser destinados para o mercado da Bolívia, o que exigirá adaptações por parte de algumas empresas (entre elas a Petrobras). Além disso, há uma mudança na carga tributária, com a troca de um imposto adicional de 32% sobre os grandes poços (que elevava os tributos para 82%) por taxas um pouco mais baixas, variáveis de acordo com cada contrato.

Durante a cerimônia em que os contratos foram registrados, o presidente boliviano, Evo Morales, garantiu que eles trarão "segurança jurídica" para que as petrolíferas possam investir no aumento da produção da Bolívia, mas advertiu que as empresas também devem "respeitar as leis e normas bolivianas".

"Estou convencido de que quem investe tem de recuperar seus investimentos e até ter lucro", disse o presidente boliviano, num tom muito mais conciliador do que o adotado num discurso feito apenas um dia antes, mas para uma platéia bem diferente. Na segunda-feira, durante as comemorações do primeiro aniversário do decreto das nacionalizações, Evo foi aclamado por uma multidão de mineiros, trabalhadores da YPFB, grupos indígenas e outros movimentos sociais ao declarar que não hesitaria em expropriar as duas refinarias da Petrobras (a Gualberto de Villaroel, em Cochabamba, e a Guillermo Elder Bell, em Santa Cruz) se não chegasse a um acordo com a estatal brasileira sobre o preço a ser pago por elas.

De acordo com fontes diplomáticas, as negociações estão tensas, apesar de a Petrobras anunciar que manterá seus planos de investimento na Bolívia.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Publicações
IBP fortalece editora institucional, amplia publicações ...
18/03/26
Macaé Energy
Acro Cabos de Aço participa da Macaé Energy 2026
18/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy 2026 consolida município como capital nacio...
17/03/26
Macaé Energy
Com recorde de público, feira e congresso do Macaé Energ...
17/03/26
Macaé Energy
Macaé Energy debate segurança energética e inovação no s...
16/03/26
Macaé Energy
Firjan: congresso técnico é um dos pontos altos do Macaé...
16/03/26
Combustíveis
Etanol mantém leve alta no indicador semanal, enquanto P...
16/03/26
Petrobras
O diesel está mais caro
16/03/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Concessão (OPC): aprovada a indicaç...
16/03/26
Bacia de Campos
ANP fiscaliza plataforma na Bacia de Campos
14/03/26
Oferta Permanente
Inclusão de 15 novos blocos no edital da Oferta Permanen...
14/03/26
Rio de Janeiro
Prefeitura assina cessão do prédio do Automóvel Clube pa...
13/03/26
Resultado
Porto do Açu bate recorde histórico em movimentações
13/03/26
Meio Ambiente
Após COP30, IBP promove encontro para debater agenda cli...
13/03/26
QAV
Aprovada resolução que revisa as regras voltadas à quali...
13/03/26
Biocombustíveis
ANP participará de projeto de pesquisa sobre aumento de ...
13/03/26
Resultado
Petrobras recolheu R$ 277,6 bilhões de Tributos e Partic...
13/03/26
Internacional
Diesel S10 sobe 16,43% em 12 dias, mostra levantamento d...
13/03/26
Pré-Sal
Shell conclui assinatura de contratos de alienação que a...
12/03/26
Energia Elétrica
Geração distribuída atinge marco de 50 GW e se consolida...
12/03/26
FEPE
FEPE 2026: ação em movimento
11/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23