Economia

BNDES vai estimular indústria do plástico

Valor Econômico
11/06/2010 09:58
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A diretoria do BNDES aprovou na terça-feira um programa de estímulo ao desenvolvimento e consolidação da indústria de transformação de plástico que prevê, somente em empréstimos, de R$ 700 milhões até setembro de 2012. Batizado de BNDES Proplástico, o programa tem cinco linhas de crédito direto, no valor mínimo de R$ 3 milhões, voltadas para incorporação, fusão ou aquisição de empresas, apoio à produção e modernização, aquisição de máquinas nova com o sucateamento obrigatório das antigas, inovação e investimentos em reciclagem e outros investimentos de caráter socioambiental.

 

A iniciativa do BNDES tem o objetivo de estimular a continuidade do processo de robustecimento da cadeia produtiva petroquímica cujo passo mais recente foi a transformação da Braskem em uma empresa de porte global, consolidando os ativos da Petrobras e do grupo Odebrecht. "O que o banco fez até agora foi apoiar projetos. A consolidação está concluída no que diz respeito à petroquímica (entendida como a etapa de produção de resinas termoplásticas). Falta apenas a expansão mundial", afirmou Gabriel Gomes, um dos gerentes do Departamento de Indústria Química do BNDES.

Gomes e a também gerente Valéria Delgado Bastos, que vêm há vários anos trabalhando em alternativas que possibilitem um salto de qualidade quanto à agregação de valor da cadeia química e petroquímica, entendem que chegou a hora de fazer esse novo movimento de política industrial com o objetivo de integrar a cadeia e diversificar a indústria. Para eles, os movimentos que vêm sendo feitos na Ásia e no Oriente Médio (Arábia Saudita e Emirados Árabes, principalmente) pressionam o Brasil a tomar iniciativas tanto para garantir seu próprio mercado como para disputar o mercado mundial.

Hoje o Brasil é deficitário no comércio de produtos e artefatos de plásticos, tendo importado US$ 918,4 milhões a mais do que exportou em 2009. Além disso, o setor é altamente fracionado, contando com mais de 11 mil indústria, mais de 70% das quais classificadas como microempresas. O BNDES já apoia o setor por intermédio das linhas tradicionais de empréstimo indireto (via agente repassador), especialmente a Finame (compra de máquinas e equipamentos), tendo desembolsado uma média de aproximadamente R$ 400 milhões de 2000 a 2009.

O novo programa é mais voltado para indústrias de médio-grande porte, uma nova classificação criada pelo banco estatal que engloba empresas com faturamento entre R$ 60 milhões e R$ 300 milhões. As micro e pequenas seguirão sendo atendidas pelas linhas tradicionais do BNDES. Segundo Gomes e Valéria, o banco quer atrair as empresas mais estruturadas do setor, conhecê-las melhor e saber das possibilidades que elas têm para crescer, inovar e se modernizar. Por isso, o programa pode ser ajustado, inclusive quanto à disponibilidade de recursos.

As linhas do BNDES Proplástico contemplarão, para contratos de até R$ 300 milhões, maior flexibilidade na burocracia de análise de crédito do banco, incluindo avaliação de classificação de risco, limites de exposição e garantias reais. Os créditos serão todos referenciados na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje em 6%, e a taxa de risco para empresas que faturem até R$ 300 milhões será de 0,5%.

Os empréstimos terão prazos de até dez anos, com três de carência. Para operações de consolidação, o empréstimo máximo será de R$ 50 milhões, podendo ser complementado com operações de renda variável, como a compra de debêntures.
 

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