Energia

Bertin atrasa seis usinas termelétricas

Valor Econômico
08/07/2010 09:43
Visualizações: 526

Sócio da Eletrobras na bilionária usina hidrelétrica de Belo Monte e dono de quase duas dezenas de usinas termelétricas licitadas em 2008, o grupo Bertin teria de colocar em funcionamento em janeiro seis das usinas térmicas que ganhou a concessão há dois anos. Os investimentos seriam de cerca de R$ 4 bilhões e juntas elas teriam capacidade de gerar 1.000 megawatts (MW). Mas elas não estarão funcionando no prazo em função de um sério problema de logística para a entrega de óleo combustível, que pode inviabilizar economicamente os projetos.

 

Se de um lado elas viraram um problema para o empreendedor, de outro afetaram todo o mercado livre de energia. Foram justamente essas térmicas as responsáveis pela alteração do plano de expansão do governo que afetou o preço da energia no mercado à vista. "Eu particularmente acredito que não havia necessidade de retirá-las do plano de expansão porque elas vão atrasar mas não significa que não vão entrar em operação", disse ao Valor o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Mas a decisão da retirada foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), onde Tolmasquim também tem assento.

 

De acordo com o relatório de fiscalização da Aneel, o grupo Bertin, dono das seis térmicas com iniciais MC², pediu por razões estratégicas e otimização ambiental e econômica a alteração da localização dos projetos para que fiquem concentrados todos no município de Candeias, em área industrial próxima ao porto baiano de Aratu. Pela proposta apresentada à Aneel seriam reduzidas significativamente a área construída, haveria compartilhamento da central de utilidades, tancagem, linhas de transmissão, dutos de combustível e água de resfriamento e equipamentos de controle ambiental e velocidade de implementação. Mas o pedido está sendo analisado pela EPE, Aneel e Operador Nacional do Sistema (ONS).

A questão da logística da entrega de combustível é um problema sério porque são necessários muitos caminhões de combustível para fazer funcionar uma usina. Mas em 2008, havia falta de gás e de projetos hidrelétricos e isso fez com que basicamente fossem vendidas quase 3.000 MW de energia que serão geradas a partir de termelétricas movidas a óleo combustível.

Muitos projetos na época foram vendidos por grupos que até então não tinham tradição de investimento no setor elétrico. Uma das razões é que as usinas térmicas movidas a óleo são sempre as últimas a serem acionadas em caso de falta de energia hidrelétrica. Isso porque justamente o combustível é mais caro e também porque são as que mais poluem. Para os investidores, pode ser um excelente negócio já que a receita com a venda da energia em leilão fica garantida por 15 anos.

Não é à toa que mesmo empresas como a CPFL Energia, com diversos prêmios de sustentabilidade e que se colocava como empresa investidor em energias renováveis, acabaram por comprar alguns desses projetos termelétricos. Mais recentemente foi a vez da Hidrotérmica, do grupo Bolognesi do Rio Grande do Sul e que tem o FI FGTS como sócio, comprou duas das térmicas vendidas no leilão de 2008. Mas essas usinas só precisam entrar em operação em 2013.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Parceria
Halliburton e Shape Digital firmam colaboração estratégi...
06/05/26
ROG.e
ROG.e 2026 reunirá CEOs de TotalEnergies, Galp, TGS e Ry...
06/05/26
Oportunidade
CNPU 2025: ANP convoca candidatos de nível superior a se...
06/05/26
Combustíveis
Atualização: Extensão do prazo de flexibilização excepci...
06/05/26
Gestão
ANP publica Relatório de Gestão 2025
06/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI SESI expande atuação s...
06/05/26
Energia Elétrica
Modelo simplificado viabilizou 70% das migrações ao merc...
06/05/26
Investimentos
Biocombustíveis podem adicionar até R$ 403,2 bilhões ao PIB
05/05/26
Bacia de Santos
Acordos de Individualização da Produção (AIP) das Jazida...
05/05/26
Energia Solar
ENGIE investirá R$ 5 milhões em três projetos para inova...
05/05/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Média de abril é a mais baixa em quase doi...
05/05/26
Pessoas
Josiani Napolitano assume presidência da ABiogás em mome...
05/05/26
Internacional
Na OTC Houston 2026, Firjan SENAI realiza edição interna...
04/05/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
04/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
04/05/26
Pré-Sal
PPSA encerra 2025 com lucro líquido de R$ 30,1 milhões
04/05/26
Resultado
Com 5,531 milhões boe/d, Brasil segue com produção recor...
04/05/26
Sustentabilidade
Ipiranga lança Relatório de Sustentabilidade 2025 com av...
02/05/26
Internacional
Brasil reafirma protagonismo tecnológico na OTC Houston ...
02/05/26
Combustíveis
Diesel lidera alta dos combustíveis em abril, mostra Mon...
30/04/26
Reconhecimento
BRAVA Energia recebe prêmio máximo global do setor pelo ...
30/04/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23