Gás natural

Aumento do gás natural prejudica indústria cerâmica

"O gás natural representa 25% do custo de produção no setor e a alternativa para o desabastecimento e para a alta dos preços do gás é o retorno ao uso de carvão mineral e lenha", critica o presidente da Asulcer.

redação
04/10/2005 00:00
Visualizações: 978

O reajuste de 9.4% no preço do gás natural no mês de setembro acendeu o sinal de alerta para a indústria catarinense, principalmente para o segmento de cerâmicas, que utiliza 60% do volume de gás consumido no estado. "No setor, o gás natural representa 25% do custo de produção e a alternativa para o desabastecimento e alta dos preços do combustível é o retorno ao uso de carvão mineral e da lenha", adverte o presidente da Associação Sul Brasileira de Cerâmica para Revestimentos (Asulcer), Murilo Ghisoni Bortoluzzi, que também é diretor vice-presidente da Itagres.
 
O executivo admite que a medida causa prejuízo ao meio ambiente, mas observa que diante da falta de perspectivas concretas para o desenvolvimento de novas fontes de energia "limpa", como o biodiesel, grandes indústrias cerâmicas voltaram a utilizar o carvão na sua produção, na época das ameaças geradas pela crise política na Bolívia, no primeiro semestre de 2005.

Segundo Bortoluzzi, a indústria nacional econtra-se temerosa, a mercê de políticas governamentais que não oferecem perspectivas concretas de crescimento seguro. "Uma das possíveis soluções para este problema, o "anel sul-americano de gasodutos" - obra orçada em US$ 2,5 bilhões, que atenderia os mercados no Brasil, Chile, Bolívia e Argentina, a partir de jazidas do Peru - permanece como um sonho ainda distante de se realizar", critica.

Por outro lado, o executivo informa que as 14 empresas que integram a Asulcer estão focadas na fabricação de produtos de alto valor agregado e se estabelecem como o principal pólo exportador de cerâmica das Américas, tento exportado US$ 221 milhões em 2004, que representaram 65% do total exportado pelo Brasil.

"O que cobramos da Petrobras é a adoção de uma política de abastecimento de médio e longo prazo, para dar tranqüilidade ao investidor brasileiro, com preços competitivos dentro do cenário internacional, que estimulem às indústrias exportadoras aqui instaladas", afirma Bortoluzzi, que acrescenta: "os estados do sul do Brasil pagam atualmente cerca de US$ 0,30/m3 pelo Gasbol, oriundo da Bolívia. Enquanto isso, nossos principais concorrentes no mercado asiático trabalham com o gás natural a cerca de US$ 0,10/m3, ou seja, o custo do gás no Brasil é 300% mais caro".

Além das dificuldades de competitividade internacional, agravada pela desvalorização do dólar, Bortoluzzi observa que o mercado brasileiro passa por um período de deflação que não oferce condições para que o aumento de gás seja repassado para o produto final.

"Os prejuízos constantes se refletem na realidade atual do segmento cerâmico, onde muitas empresas operam com dificuldades e a maioria dos parques fabris sofre um processo de sucateamento, pela falta crônica de investimentos em tecnologia e maquinário. Voltar a utilizar o carvão mineral para alimentar as máquinas é mais um reflexo indesejável deste retrocesso", conclui Bortoluzzi.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Bacia de Campos
ANP fiscaliza plataforma na Bacia de Campos
14/03/26
Oferta Permanente
Inclusão de 15 novos blocos no edital da Oferta Permanen...
14/03/26
Rio de Janeiro
Prefeitura assina cessão do prédio do Automóvel Clube pa...
13/03/26
Resultado
Porto do Açu bate recorde histórico em movimentações
13/03/26
Meio Ambiente
Após COP30, IBP promove encontro para debater agenda cli...
13/03/26
QAV
Aprovada resolução que revisa as regras voltadas à quali...
13/03/26
Biocombustíveis
ANP participará de projeto de pesquisa sobre aumento de ...
13/03/26
Resultado
Petrobras recolheu R$ 277,6 bilhões de Tributos e Partic...
13/03/26
Internacional
Diesel S10 sobe 16,43% em 12 dias, mostra levantamento d...
13/03/26
Pré-Sal
Shell conclui assinatura de contratos de alienação que a...
12/03/26
Energia Elétrica
Geração distribuída atinge marco de 50 GW e se consolida...
12/03/26
FEPE
FEPE 2026: ação em movimento
11/03/26
Bacia de Santos
Lapa Sudoeste inicia produção, ampliando a capacidade no...
11/03/26
Pré-Sal
Primeiro óleo de Lapa Sudoeste consolida produção do pré...
11/03/26
Gás Natural
Gas Release pode atrair novos supridores e criar competi...
11/03/26
Resultado
PRIO registra receita de US$ 2,5 bilhões em 2025 com exp...
11/03/26
Bacia de Santos
Brasil: Início da Operação de Lapa Sudoeste
11/03/26
Pré-Sal
Seatrium impulsiona P-78 à injeção do primeiro gás após ...
11/03/26
PPSA
Assinatura de contratos de Mero e Atapu consolida result...
11/03/26
Empresas
Justiça suspende aumento de IRPJ e CSLL e decisão pode i...
10/03/26
Biodiesel
Setor de Combustíveis Defende Liberação da Importação de...
10/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23