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Petroquímica

Aumento de participação na Braskem é o dilema da Petrobras

27/04/2005 | 00h00

A Petrobras decide nesta semana se será co-controladora da Braskem. A subsidiária da estatal, a Petroquisa, tem a opção até o próximo sábado, dia 30, para equalizar sua participação à dos atuais controladores da empresa, liderados pelo grupo Odebrecht.
A decisão é complexa e divide as opiniões. A atual gestão da Petrobras tem se comprometido a fazer investimentos em parceria com outros grupos petroquímicos. É caso da Rio Polímeros, com os grupos Unipar e Suzano, além da negociação em curso com o grupo Ultra numa refinaria de petróleo pesado.
O comando da Petrobras deve analisar o assunto amanhã em reunião de diretoria. A decisão é do tipo "pegar ou largar": a Petrobras tem o direito de exercer ou não sua opção. Não há como fazê-la parcialmente ou prorroga-la, embora a estatal poderá negociar um novo acordo com a Odebrecht no futuro.
Na hipótese de exercer a opção, a petroquímica brasileira passará por uma profunda reviravolta: a Petrobras terá de se desfazer de ativos conflitantes que detém no setor e voltará a ter uma posição de controladora na maior empresa do setor, resgatando uma posição que detinha na fase pré-privatização do setor, até início dos anos 90.
A opção da Petrobras está prevista desde 2001, quando a Odebrecht assinou um memorando de entendimento depois que comprou a antiga Copene, a empresa que controlava o pólo petroquímico do Nordeste, em Camaçari (BA), em leilão.
Na época, o acordo com a Petrobras era visto como uma solução na hipótese de a recém-formada companhia não sair-se bem sucedida. O alto endividamento da Odebrecht com a compra da Copene, que teve de recorrer ao mercado de capitais para obter recursos para o leilão, criava uma incerteza sobre seu futuro. A dívida da Braskem superava sete vezes a geração operacional de caixa da companhia.
Esse temor se esvaiu no ano passado com as sucessivas operações de alongamento e pagamento da dívida, além de uma capitalização de R$ 1,2 bilhão em setembro.
Pelos termos do memorando, a Braskem fará um aumento de capital à Petroquisa. Em troca, a estatal integralizará os 15,6% de ações que possui na Copesul no capital da Braskem. Depois disso, os acionistas farão acertos entre si para que possuam igual equilíbrio de ações.
A parte da estatal na central do Sul, cujo valor de mercado é R$ 4,7 bilhões, está fora do bloco de controle. A Braskem também controla a Copesul, a central de matérias-primas do Sul, na qual tem 29,5%, em parceria com o grupo Ipiranga.
A Braskem está avaliada por volta de R$ 8,5 bilhões (US$ 3,4 bilhões). No fim do ano, seu valor na bolsa chegava a US$ 4,6 bilhões. Para equiparar sua posição no bloco de controle da petroquímica, a Petroquisa terá provavelmente de fazer um pagamento adicional. O desembolso dependerá de uma avaliação pelo valor econômico das duas empresas. Pelo valor de mercado, o negócio poderia envolver uma soma de R$ 1 bilhão, de acordo com analistas de mercado ouvidos pelo Valor.
Por outro lado, a Petrobras teria de vender, num prazo de 18 meses, suas participações na Petroquímica União (PQU), que congrega o pólo de São Paulo, na Rio Polímeros, na qual detém 17,5%, e a Petroquímica Triunfo, produtora de polietileno, no Sul do país.
"É um direito (da Petrobras) que tem muito valor", disse o analista do Banif Primus, Oswaldo Telles Filho, que aposta que a Petrobras irá, de fato, exercer a opção. "A empresa vai perder dinheiro se não o fizer", disse, que vê a Braskem como um valioso ativo. Ele avalia que as demais participações da Petrobras no setor são "desprezíveis" e poderiam ser vendidas. "São resquícios de participação antiga", disse.
Outra opinião tem o analista do Unibanco, Carlos Albano. "Do ponto de vista da lógica do mercado, não faz sentido para o único fornecedor de matéria-prima ser vinculado a um único grupo em detrimento aos demais", disse ele, que não acredita que a Petrobras executará seu direito.
Uma saída intermediária é o que o analista do UBS, Marcelo Mesquita, acredita que irá ocorrer. "A pressão das empresas que concorrem com a Braskem é forte para que a Petrobras não seja exclusiva. Existe também uma pressão para que Braskem não vire uma quase estatal", disse.
Mesquita entende, no entanto, que a estatal não pode jogar fora a oportunidade de ter uma participação maior na Braskem, sem abandonar a participação em outras empresas petroquímicas. "Como acionista de Petrobras, teria o interesse que ela fizesse a opção e não rasgasse dinheiro", afirma.
O analista do UBS entende que a Petrobras tem poder de barganha suficiente para garantir um outro acordo melhor e que uma boa saída seria a fusão dos ativos de Braskem com Copesul, que daria ganhos de sinergia e, de quebra, reestruturaria a petroquímica no Sul.
A Petrobras não tem revelado sua estratégia. "Esse é um assunto que todos sabem a sensibilidade que ele tem e então não vamos ficar especulando se estamos caminhando nessa ou naquela direção", disse ontem o presidente da estatal, José Eduardo Dutra, após o encerramento do 3º Fórum de Empresas Estatais de Petróleo, no Rio. Dutra acrescentou que a empresa poderia antecipar a posição da empresa na sexta-feira.



Fonte: Valor Econômico
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