Indústria Naval

As pendências do estaleiro Estaleiro Atlântico Sul

Jornal do Commercio
08/07/2009 04:12
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O governo de Pernambuco não está conseguindo cumprir, em tempo hábil, os compromissos firmados com o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) para garantir a implantação do empreendimento, no Complexo de Suape. No rol das obrigações públicas estão a construção do acesso rodoviário, a dragagem do canal de acesso para permitir a movimentação dos navios e a transferência dos moradores da Ilha de Tatuoca (vizinhos do EAS). Cada uma com sua justificativa, as três promessas estão empacadas, obrigando o estaleiro a tocar a obra de forma precária e a desembolsar recursos que deveriam ser bancados pelo Estado (no caso da dragagem).

 


A previsão do governo era realizar a transferência das famílias da ilha para a agrovila batizada de Nova Tatuoca, no Cabo de Santo Agostinho, em dezembro do ano passado. Com problemas de percurso, a mudança dos moradores só deve acontecer em fevereiro de 2010, com mais de um ano de atraso.

 

Na semana passada, a reportagem do JC esteve na Ilha de Tatuoca e constatou a incompatibilidade na realização da obra do estaleiro – que se encontra em ritmo frenético – e a permanência da comunidade de moradores no local. Há pouco mais de um mês, a Associação de Moradores da Ilha de Tatuoca pediu para a diretoria do EAS instalar uma cerca e um portão separando a vila do canteiro de obras. A medida é para evitar o tráfego de pessoas (inclusive crianças) em meio à movimentação de caminhões e máquinas, além de controlar a presença de estranhos na ilha. “Nós também queremos preservar o nosso espaço e as nossas famílias. Muitos operários da obra estavam entrando na ilha para tomar banho de rio”, conta o presidente da associação de moradores, Edson Antonio da Silva.

 

A comunidade e o estaleiro se esforçam para manter a boa convivência, mas é inevitável a ocorrência de incidentes. Assim como os operários querem entrar na vila para frequentar um bar local, a população da ilha também tenta ganhar um trocado vendendo produtos como picolé e pipoca para os funcionários da obra (que mobiliza hoje 9 mil pessoas). A solução encontrada pelo Atlântico Sul para tentar controlar essa movimentação foi colocar um segurança no portão, fiscalizando quem entra e quem sai. Ainda assim, problemas são registrados. A própria reportagem do JC foi barrada por um vigilante da Cefor Segurança Privada (empresa contratada pelo EAS). Mesmo com a presença do presidente da associação de moradores autorizando nossa entrada na comunidade, não conseguimos atravessar o portão. A visita só foi liberada depois de uma ligação para a diretoria do estaleiro.

 

“Conversei com a diretoria do estaleiro para que esse tipo de atitude não se repita. Nós não somos prisioneiros aqui na ilha e temos o direito de receber quem a gente quiser na comunidade”, disse Edson. O diretor de Administração e RH do Atlântico Sul, Gerson Beluci, reconheceu a falha da segurança com a nossa reportagem.

 

Os executivos do Atlântico Sul convivem com o fantasma do medo de que ocorra algum incidente mais grave com os moradores da ilha no canteiro de obras, o que significaria um golpe na imagem do empreendimento. Gerson Beluci diz que encaminhou uma carta à presidência de Suape, assinada por ele e pelo presidente do EAS, Angelo Bellelis, alertando para os riscos da permanência dos moradores na ilha. “Estamos pensando em escrever outra para encaminhar ao governador, demonstrando a nossa preocupação”, adianta.

 

ATRASO

 

O presidente do Porto de Suape e secretário de Desenvolvimento Econômico, Fernando Bezerra Coelho, reconhece que a construção da vila Nova Tatuoca está atrasada e diz que vai atrasar mais ainda. “De fato é um problema que vamos ter que administrar. Tivemos dificuldade com o terreno onde as casas seriam construídas (no Cabo de Santo Agostinho) porque a Secretaria de Turismo solicitou o local para fazer a lagoa de estabilização do sistema de saneamento básico de Gaibu, que é uma obra do Prodetur”, esclarece.

 

Com isso, o governo selecionou outra área para o projeto das casas e terá que fazer uma nova licitação para as obras de terraplenagem. O processo licitatório já tinha sido vencido pela Estrutural Construções para as obras de infraestrutura, avaliadas em R$ 1,2 milhão, e pela Colméia Arquitetura e Engenharia para a construção das casas de gesso.

 

A construção do estaleiro deve ser concluída antes da transferência das famílias da Ilha de Tatuoca para o novo condomínio. A inauguração do site do EAS está prevista para dezembro deste ano e a mudança dos moradores (se não ocorrerem novos atrasos) só para fevereiro de 2010.

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