Corte

Argentina já raciona gás para setor industrial

Valor Econômico
29/05/2008 14:12
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A chegada do frio e uma greve de petroleiros no sul do país trouxe de volta à Argentina o fantasma da falta de energia. Depois que as temperaturas baixaram para cerca de 7ºC no final de semana, o consumo de gás disparou nas residências e provocou um racionamento que atingiu cerca de 300 indústrias na última terça-feira, segundo informou a imprensa local, com base em dados das distribuidoras de gás nas Províncias de Buenos Aires, Santa Fé e Córdoba. 


No ano passado, o racionamento de gás levou à redução na exportação de alguns produtos industriais para o Brasil. 


O corte atingiu clientes com contratos que prevêem a suspensão do fornecimento, nos quais as empresas preferem pagar menos pelo metro cúbico (m3), mas ficam por último na lista de prioridade de atendimento das distribuidoras. Todos os setores intensivos no consumo de gás foram atingidos: siderúrgicas, indústria automobilística, indústria de alimentos, cerâmicas e petroquímicas. 


Ao frio, somou-se a paralisação há um mês dos trabalhadores da principal região de exploração de petróleo e gás do país, na Província de Santa Cruz. 


Como conseqüência, mais uma vez a exportação de gás natural para o Chile foi suspensa, depois de ter baixado na segunda-feira a 500 mil m3 diários, menos da metade do previsto no contrato entre os dois países. A informação foi confirmada pelo Ministro de Energia do Chile, Marcelo Tokman, à agência de notícias Dow Jones Newswire. O Chile vem passando por uma escassez de energia que deve piorar com o corte argentino. 


"O Ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, me informou que, devido aos conflitos trabalhistas que estão afetando a província de Santa Cruz e outras, a produção de gás natural na Argentina caiu e, por esta razão, foi necessário cortar o suprimento de gás ao Chile por alguns dias", afirmou Tokman. 


De acordo com um relatório recente da consultoria IES, em 2007 a produção de energia elétrica na Argentina aumentou 4,1% comparado a 2006, mas a produção de gás natural caiu 1,4% e a de petróleo baixou 2,5%. 


Para este ano, o país já conta com um adicional de 400 MW proveniente de uma nova turbina, inaugurada em março na central elétrica de Campana (150 km da capital Buenos Aires). Além disso, o país está importando energia do Brasil, a partir de um convênio assinado em abril entre os dois governos. 


Para a economista Yanella Lovecchio, especialista em energia que trabalha para a consultoria Montamat & Asociados, o aumento na provisão de eletricidade da central de Campana veio em boa hora, porém não resolve o déficit entre oferta e demanda por eletricidade no país, que ultrapassa 1,5 mil MW. 


Mas o grande problema hoje, diz o especialista, é o gás. "Dependemos do gás natural, que representa 50% de nossa matriz energética e atende não só ao consumo residencial e industrial mas também é usado para mover as máquinas que geram energia elétrica", analisou. Como a produção doméstica está em queda, a Argentina depende do gás importado da Bolívia. Com seus próprios obstáculos para elevar a produção, a Bolívia, que deveria estar enviando à Argentina 7,7 milhões de m3 diários, manda hoje só 1,5 milhão.

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