Economia

Aprovação de meta fiscal não arranha credibilidade do governo, diz especialista

A lei orçamentária é elaborada todos os anos com coisas que podem não acontecer.

Agência Brasil
04/12/2014 18:45
Visualizações: 963

 

A aprovação do projeto que permite ao governo estabelecer meta fiscal de resultado no lugar de meta de superávit primário, como estava estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), não deve mais arranhar a credibilidade do governo perante os investidores neste momento. A avaliação é do professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie Vladimir Maciel, doutor em Administração Pública e Governo pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

 

“Há várias coisas acontecendo, mas uma delas é que o governo conseguiu formalizar e evitar uma punição do que foi colocado no passado. Na verdade, não mudou nada do que já vinha acontecendo neste ano”, disse Maciel, referindo-se ao descumprimento da meta de superávit primário .

 

De acordo com o professor, 2014 foi um ano atípico, com economia praticamente paralisada e orçamento sem receitas necessárias. “Arrecadou-se menos e gastou-se mais. Foi um ano de eleição, e gasta-se mais mesmo. Além disso, o governo colocou dinheiro na economia para estimulá-la. Mas isso não tem surtido efeito, não tem dado certo, além de a arrecadação não ter acompanhado as necessidades do governo”, disse.

 

Segundo Maciel, analistas e investidores já vinham “precificando” as dificuldades do governo em conseguir poupar para pagar os juros da dívida (superávit primário). No jargão do mercado, precificar é contabilizar ganhos ou perdas nas operações em consequência de um evento. A votação no Congresso Nacional, que aprovou a mudança. “foi mais uma discussão política e simbólica, que não representa concretamente coisa nenhuma em termos econômicos”, informou.

 

“O que já foi feito, foi feito. A coisa importante é como será daqui para a frente. É preciso ver como serão estabelecidos os compromissos e metas em função de coisas que não são previstas, por exemplo”, disse. Ele, no entanto, destaca que a lei orçamentária é elaborada todos os anos com coisas que podem não acontecer. Sendo assim, analisou, é importante separar o que é má gestão de intercorrências, como a situação atual da economia, com o crescimento baixo e a crise mundial, entre outros problemas.

 

“Senão o administrador público pode ser punido porque o mundo deu errado e não se arrecadou etc. E aí não se conseguiu cumprir com o compromisso fiscal. Isso traz também uma discussão interessante para a nova equipe que está assumindo e tentará limitar as despesas do governo e estimular o crescimento da economia, que foi o que não aconteceu em 2014”, destacou.

 

O projeto aprovado no Congresso Nacional foi enviado pelo Executivo Federal porque o crescimento dos gastos em ritmo maior que o das receitas fez o Governo Central registrar resultados ruins ao longo do ano. Em outubro, o saldo indicou o pior superávit primário para meses de outubro em 12 anos. No mês, o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central (entes que compõem o Governo Central) economizaram R$ 4,101 bilhões.

 

Com o resultado de outubro, o déficit primário do Governo Central caiu para R$ 15,4 bilhões. Mesmo assim, o governo precisaria economizar R$ 25,6 bilhões em novembro e dezembro para garantir o cumprimento da meta reduzida de superávit de R$ 10,1 bilhões estabelecida para 2014, mesmo com a reabertura de programas de refinanciamento de dívidas tributárias.

 

O professor também destacou que é importante evitar daqui para a frente certas operações contábeis para apenas conseguir cumprir a meta de forma “fictícia”. “Cria-se uma meta que não é factível com a execução e acaba que ninguém acredita naqueles números com a maquiagem que houve. Mas é importante olhar para a frente para ver como vão se comportar as despesas do governo e o crescimento da economia”, disse.

 

Para ele, a sinalização de colocar Joaquim Levy, ortodoxo e conservador, no Ministério da Fazenda deve mudar a percepção da economia. “Ele [Levy] é mais fiscalista e [constitui] uma forma de sinalizar: ok, fiz. Errei, mas estou tentando consertar a história. Isso é mais importante e é como os agentes irão observar isso”, concluiu

Mais Lidas De Hoje
veja Também
BOGE 2026
Dessalgadoras ganham papel estratégico na modernização d...
04/07/26
Combustíveis
Etanol volta a ser mais vantajoso que a gasolina após qu...
03/07/26
Financiamento
FAPESP destina R$ 50 milhões para projetos de inovação e...
03/07/26
Pessoas
Alessandra Davolio Gomes assume a direção de um dos maio...
02/07/26
Bacia Potiguar
BRAVA Energia inaugura Centro de Operações Integradas e ...
02/07/26
Tecnologia e Inovação
ABPIP desenvolve ecossistema próprio de inteligência art...
02/07/26
Etanol de milho
Atvos lança Pedra Fundamental da primeira planta de etan...
02/07/26
Reconhecimento
Constellation é a única empresa do setor de perfuração d...
02/07/26
Gestão do Conhecimento
200 mil pessoas, zero tolerância para treinamento que nã...
01/07/26
Resultado
Com 5,597 milhões de boe/d, a produção nacional de petró...
01/07/26
Bioenergia
Hora do jogo: começa hoje o 19º Congresso Nacional da Bi...
01/07/26
Firjan
ABDAN e FIRJAN lançam Agenda Nuclear para um Brasil Comp...
01/07/26
SOG 2026
Distribuição de gás em Sergipe entra na agenda estratégi...
30/06/26
Energy Summit
CPFL Energia está entre os destaques do Energy Summit Aw...
30/06/26
Resultado
ANP divulga dados consolidados do setor regulado em 2025
30/06/26
Energy Summit
Copa Energia lança desafio de inteligência artificial pa...
30/06/26
Fenasucro
FenaBio debate avanço do SAF e o papel do Brasil na avia...
30/06/26
Transição Energética
Evento reúne especialistas para discutir os desafios e o...
29/06/26
ANP
Royalties: valores referentes à produção de abril foram ...
29/06/26
Combustível
Etanol fecha a semana em alta e amplia recuperação no me...
29/06/26
Margem Equatorial
Aprovada a indicação de 86 blocos na Margem Equatorial p...
27/06/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.