Licitação

ANP quer antecipar 8ª Rodada para março

Valor Econômico
20/10/2005 00:00
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O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, disse ontem que obteve o aval do ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, para que a próxima rodada de licitações para exploração de petróleo e gás seja feita daqui a "quatro ou cinco meses" e não só daqui a um ano, como seria de se esperar se fosse mantido o cronograma estabelecido desde o primeiro leilão. Lima, que teve seu nome confirmado ontem no cargo pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, se disse satisfeito com o resultado da 7ª Rodada da ANP.

Essa nova rodada, segundo ele, seria apenas de campos maduros, ou marginais, aqueles que já tiveram produção de petróleo e que agora estão inativos. A iniciativa, na opinião de Lima, iria manter a mobilização das 89 empresas que se inscreveram nos leilões de campos maduros da 7ª Rodada, realizados ontem. Das empresas inscritas, 54 fizeram lances e 14 ganharam 16 dos 17 campos licitados (um não teve interessado).

O próprio diretor-geral da ANP admitiu, contudo, que há um conflito de interesses para que seu plano de agilizar os leilões de campos maduros se realize. Segundo ele, a ANP dispõe de cerca de 40 áreas inativas para leiloar, mas gostaria que a Petrobras devolvesse uma parte das que estão hoje concedidas à estatal para serem leiloadas. Questionado sobre o conhecido desinteresse da Petrobras na devolução, Lima disse que o acionista majoritário da empresa, a União, deve decidir se é melhor deixar os campos com ela ou contribuir para a criação de um mercado de produtores independentes no país.

Essa rodada consolidou a presença de um maior número de empresas no setor de petróleo no Brasil, que agora tem amplo portfólio de agentes. O fato foi comemorado por Eduardo Cintra, presidente da Petrorecôncavo, primeira empresa a operar campos maduros no país, sob concessão da Petrobras.

Os leilões dos chamados campos maduros, ou marginais, fecharam a 7ª Rodada de licitações de petróleo e gás da ANP com resultados "acima da expectativa", segundo análise de John Forman, outro diretor da agência. As empresas pagaram, juntas, R$ 3,05 milhões em bônus de concessão e se comprometeram a investir um mínimo de R$ 61,8 milhões em dois anos nas 16 áreas arrematadas.

Para Forman, o resultado "acima da expectativa" pode ser estendido a toda a rodada. Ele minimizou a ausência de algumas das maiores empresas internacionais do setor petrolífero, como ExxonMobil, Chevron e Total, ressaltando que, para efeito de expansão da ampliação da abertura do setor no país foi mais importante o grande afluxo de pequenas, médias e até de grandes empresas, embora não incluídas entre as "majors" (as maiores do setor), como a americana Devon, a espanhola Repsol YFP e a italiana ENI SpA.

"Não tem importância que muitas "majors" não tenham vindo. O importante é o perfil geral", disse Forman. Para ele, o perfil ideal da indústria do petróleo é uma pirâmide, com poucas grandes, um forte bloco intermediário formado pelas chamadas independentes (grandes e médias) e uma base constituída de pequenas empresas como nos Estados Unidos e Canadá. Para ele, a 7ª rodada colocou o Brasil no caminho dessa pirâmide.

A rodada mostrou também uma busca maior de independência dos grandes investidores em relação à Petrobras. Embora a parceria com a estatal ainda tenha sido preponderante, houve uma tendência forte de associações entre as próprias estrangeiras, como fizeram a BG Energy e a Repsol YPF.

Além disso, elas também entraram sozinhas em algumas áreas, como ocorreu com a própria Repsol YPF, com a Shell e com a ENI.

No final, com quase R$ 1,1 bilhão arrecadados e com compromissos de investimentos superiores a US$ 1,5 bilhão, Haroldo Lima, fez um discurso efusivo para comemorar. "Excelente", disse.

Nos leilões de campos maduros o principal destaque foi o grande número de participantes. Das 89 empresas inscritas, 54 fizeram ofertas e 14 saíram vencedoras. O recorde de pagamento de bônus e de compromisso de investimentos ficou com o consórcio formado pelas empresas Panergy e a ERG Negócios e Participações, duas empresas formadas na Universidade de Salvador (Unifacs). Elas levaram o campo de gás de Morro do Barro, no Sul da Bahia, pagando bônus de R$ 711 mil e se comprometendo a investir R$ 13,86 milhões. Corrêa justificou o lance elevado à importância das reservas de gás no local diante do grande déficit na oferta do insumo na Bahia.

Entre as vencedoras nos campos maduros está uma empresa que tem entre os sócios a distribuidora de combustíveis Ale e a Construtora Pioneira S/A. Com 450 postos de abastecimento em oito unidades da federação e previsão de faturar R$ 2,5 bilhões em 2005, a Ale não é exatamente pequena. Outra empresa vencedora ontem foi a C. Foster, pertencente a Colin Foster, marido da presidente da Petroquisa, Maria das Graças Foster.

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