Combustíveis

Analistas esperam alta de até 20% na gasolina

Valor Econômico
13/07/2006 00:00
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A inesperada queda nas projeções oficiais de inflação para 2006 abre espaço para que o governo aumente os preços da gasolina e do óleo diesel. Analistas econômicos já contam com a hipótese de reajuste, mas apenas depois da campanha eleitoral. Os percentuais são calculados em até 20% nos preços da refinaria, com um impacto um pouco menor para o consumidor final.

Nas suas projeções oficiais de inflação, o Banco Central estima um IPCA de 3,8% em 2006, já abaixo da meta do ano, fixada em 4,5%. Existem grandes chances de que essa previsão se reduza ainda mais, depois que foi divulgada uma deflação de 0,21% no IPCA de junho, que não estava contemplada nos cálculos do BC.

Para analistas do mercado, seria interessante o governo aproveitar a folga no cumprimento da meta para acomodar um reajuste de combustíveis, tido como inevitável. As estimativas são de que um eventual reajuste teria impacto de cerca de 0,5 ponto percentual no IPCA, o que dificilmente faria o índice superar 4% neste ano. 
 
"Não seria conveniente adiar o reajuste dos combustíveis para o ano que vem, pois as projeções de inflação para 2007 estimam uma folga menor", afirma o economista-chefe do Unibanco, Marcelo Salomon. "Trabalhamos com projeção de inflação de 4,5% para 2007, em cima da meta." Nas estimativas dos economistas do banco, a defasagem dos preços de refinaria está entre 17% e 18%. "Um eventual aumento no período de eleição não seria muito palatável, porque afeta a popularidade do governo", diz o economista.

Por razões semelhantes, a Tendências Consultoria projeta aumento de 5% para o consumidor final para novembro ou início de dezembro. "Dado o aumento das cotações de petróleo ocorrido até agora, em algum momento terá que haver repasse para os preços", diz a analista do setor de petróleo Fabiana D`Atri.

O gerente de política monetária do Itaú, Joel Bogdanski, estima que a defasagem esteja entre 15% e 20% nos preços da refinaria.

"O reajuste pode não chegar a tudo isso, já que a Petrobras tem mantido a política de não repassar integralmente aos preços as oscilações na cotação do petróleo", diz Bogdanski. Para ele, há méritos nessa abordagem, pois evita transferir ao mercado interno a volatilidade do mercado internacional. "Há uma necessidade incontestável de reajuste."

O BC, que há dois anos entrou em choque direto com a Petrobras por defender abertamente as vantagens de um reajuste de preços, trabalha com a hipótese de aumento zero para os combustíveis em 2006. Mas pondera que esse "cenário central de trabalho tornou-se cada vez menos plausível e, portanto, aumentaram significativamente os riscos à sua concretização."

O mais recente reajuste dos combustíveis ocorreu em setembro de 2005 - 10% para a gasolina e 12% para o diesel, nos preços de refinaria. Naquele ano, o BC também trabalhou com a hipótese de reajuste zero. Mas, diante da escalada das cotações internacionais do petróleo, incorporou na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de agosto de 2005 uma ressalva idêntica à que, recentemente, foi inserida no relatório de inflação e nas nas atas do Copom.

Em agosto de 2004, o Copom foi mais incisivo, ao dizer na sua ata que, nos níveis a que o petróleo havia chegado naquele momento, os reajustes internos poderiam ser apenas postergados, mas não evitados. E sustentou que a mera protelação dos reajustes aumentava os custos da política monetária, ao criar incertezas sobre quando de fato ocorreria esse choque inflacionário iminente. A Petrobras reagiu publicamente nesse episódio, atacando o BC.

Hoje, a Petrobras nega que haja defasagens nos preços internos dos combustíveis e informa que não acompanha a volatilidade do mercado de petróleo no curto prazo. Os reajustes, declara a estatal, são feitos quando o petróleo atinge patamares mais elevados no longo prazo. Segundo a empresa, se os preços estivessem defasados, seus balanços não registrariam lucros tão expressivos.

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