Biodiesel

Agrenco inaugura usina e prevê faturamento

Agência UDOP/ DCI - Comércio, Indústria e Serviços
17/03/2008 11:52
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A Agrenco inaugura hoje um complexo industrial, localizado no Araguaia (MT), que deve gerar um faturamento anual acima de US$ 400 milhões. A rentabilidade deverá ser assegurada em função da diversificação das atividades do parque industrial, pois apesar de a nova planta possuir tecnologia flex, o que permite produzir no mesmo sistema óleo refinado ou biodiesel, os preços atuais da soja inviabilizam o início da produção do biocombustível.

"Nosso modelo de produção parte do processo de neutralização de três grandes refinarias de óleo vegetal para consumo humano, então podemos optar. Em termos de faturamento não vamos perder, a capacidade de refino é igual à de produção de biodiesel", afirma o principal executivo da Agrenco, Antônio Iafelice. Para o executivo o mercado atual é atípico e está sustentado não por demanda, mas pelos fundos de investimento que migraram para as commodities: "Esse mercado está inflado, mas tende a corrigir e esse ajuste deve ser no curto prazo, entre 60 ou 90 dias".

Segundo Iafelice, se o mercado de óleo cair 10% ou 15% já começa a ficar interessante fazer o biodiesel. Hoje a diferença na margem de ganho com a venda do óleo refinado e do biodiesel pode chegar a 30%.

Com um investimento da ordem de US$ 190 milhões a Agrenco avança no projeto de se tornar o maior processador da América Latina de sementes alternativas. Até maio mais duas plantas serão inauguradas, uma em Caarapó (MS) e a outra em Marialva (PR). Juntas as três unidades devem gerar uma receita da ordem de US$ 1 bilhão à Companhia que no passado teve um faturamento de cerca de US$ 1,5 bilhão. O projeto está sendo concluído com o dinheiro arrecadado na abertura de capital da empresa feito no ano passado que serviu ainda para a empresa trocar dívidas caras por mais baratas.

Apenas a planta de Araguaia terá a unidade de prensagem, além de esmagamento, produção de óleo vegetal refinado e biodiesel e co-geração de energia elétrica. A meta é a fábrica funcionar 310 dias e consiga esmagar perto de 1 milhão de toneladas de soja, produzindo 630 mil toneladas de farelo e 180 mil toneladas de óleo refinado.

A produção de óleo de girassol também será importante, cerca de 48 mil toneladas por ano. Isso será possível em razão de um investimento feito pela empresa nos produtores do Mato Grosso que foi capaz de elevar a área plantada da cultura no estado de 20 mil hectares para 60 mil hectares. "Fizemos a transferência de tecnologia de plantio, garantimos a comercialização, seleção e doação de sementes e fertilizantes", ressalta o diretor de Operações da Agrenco, Augusto Pires. De acordo com Pires, a cultura mais barata vai sustentar a produção de biodiesel. Hoje a tonelada do óleo de soja, girassol e a partir de gordura animal estão R$ 2,4 mil, R$ 2,6 mil e R$ 1,7 mil, respectivamente.

A empresa também irá produzir 200 mil MWh por ano de energia elétrica a partir de biomassa gerada com a queima de capim brachiaria, o que deverá reduzir em 50% o custo da energia. "Vamos usar para consumo próprio em torno de 30% e o restante iremos vender", diz o executivo. A energia elétrica custa hoje cerca de R$ 140 MWh.

A geração de biomassa também deve gerar lucros com a venda de créditos de carbono. A companhia já tem um contrato de 10 anos com a Ecosystems no valor de US$ 17 milhões. A planta também será a primeira a produzir o farelo de soja super hipro, com 52% de teor de proteína, que deve garantir um prêmio até três vezes maior na venda do produto.

A Agrenco inaugura um complexo industrial flex, no qual poderá produzir óleo refinado ou biodiesel. Mais duas plantas fazem parte do projeto, que deve faturar US$ 1 bilhão.
 

 

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