Produção

Acordo da Opep para limitar a produção suscita dúvidas

AFP - 29/11/2016
29/11/2016 08:51
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Os membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) negociam um acordo para tentar limitar a produção e estimular os preços, mas numerosas divergências geram dúvidas sobre a real possibilidade de um consenso ser alcançado na próxima quarta-feira em Viena.

Em caso de fracasso, o preço do barril pode continuar caindo abaixo dos 50 dólares, seu nível atual, que os países mais dependentes do cartel, como Venezuela e Nigéria, consideram insuficientes.

Os ministros da Opep chegaram há dois meses em Argel a um pré-acordo para congelar a produção a um nível situado entre 32,5 e 33 milhões de barris diários (mbd). Também prometeram buscar um entendimento com outros grandes produtores que não fazem parte do cartel, como a Rússia.

O objetivo é estimular os preços baixos por conta do excesso de oferta desde meados de 2014.

As últimas horas têm sido de intensas negociações, na medida em que crescem as dúvidas sobre a vontade da Arábia Saudita, líder de fato do cartel, de alcançar um acordo.

"Cortar a produção não é o único caminho. Também podemos esperar uma recuperação do consumo, especialmente nos Estados Unidos", disse neste domingo o ministro Jaled al Falih.

Se houver consenso, essa será a primeira vez em oito anos que a Opep fechará um acordo para reduzir sua produção.

A forte rivalidade entre o Irã e a Arábia Saudita e a situação precária de alguns produtores em guerra ameaçam o pacto.

No caso do Iraque, que não quer reduzir sua produção, argumentando que precisa de receitas para continuar lutando contra o extremismo. Entretanto, seu ministro do petróleo, Jabbar al Luaibi, se declarou "otimista" à sua chegada nesta segunda-feira em Viena.

Para os dois membros latino-americanos do cartel, a Venezuela e o Equador, cujo chanceler Guillaume Long já chegou a Viena, o acordo também é crucial.

O ministro venezuelano do Petróleo, Eulogio del Pino, chegou nesta segunda-feira a Argel para reunir-se com seu homólogo Noureddine Boutarfa e disse ser "otimista". Ambos viajarão a Moscou antes da reunião de quarta-feira para tentar um acordo com a Rússia. "Os países Opep e não Opep devem agir juntos", afirmou.

A outra incógnita é qual será finalmente a posição da Rússia. Segundo os analistas, um acordo da Opep, que representa um terço da produção mundial, não seria suficiente para fazer os preços baixarem.

Por isso é necessária a boa vontade do país, cujo presidente, Vladimir Putin, disse que estava disposto a "congelar" mas não reduzir sua produção, em um nível recorde de 11 mbd, o maior desde a queda da União Soviética.

Para apoiar o possível acordo, Putin e seu homólogo iraniano Hasan Rohani ressaltaram após conversa telefônica que as medidas da Opep para limitar a produção são "um fator essencial da estabilização dos mercados petroleiros", segundo um comunicado do Kremlin.

Em outra prova das diferenças entre os países, a Arábia Saudita decidiu não participar das negociações deste segunda-feira com os países não membros da Opep como Rússia, Azerbaijão e Cazaquistão.

Consequentemente, os preços dispararam nesta segunda.

"Como todo mundo temia, há uma intensa volatilidade" pela reunião da Opep, disse em nota Neil Wilson da ETX Capital. "Ninguém sabe se o acordo para congelar a produção é totalmente ilusório ou se realmente está a ponto de ser fechado", acrescentou.

Para a Opep, o resultado dessas negociações também será um indicativo do poder de um cartel fundado em 1960 e que perdeu a influência nos últimos anos.

"O impacto de qualquer decisão da Opep sobre os preços médios de 2017 está muito supervalorizado, considerando que qualquer redução da produção só afetará uma parte relativamente pequena do puzzle mundial de oferta e demanda", comentaram os analistas da JBC Energy.

Para o analista Alexandre Andlauer, um fracasso em Viena "poderá significar o fim da Opep".

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